domingo, 18 de outubro de 2015

Meu filho é uma criança generosa

Meu filho só tem 2 anos e eu já sou fã dele!
Na verdade, os poucos mais de 2 anos de vida do Vicente já sinalizaram muitas mudanças de paradigmas na minha vida.
Mas hoje foi diferente. Hoje foi convincente!
Seguidamente eu escrevo que as atitudes dele me fazem refletir sobre as minhas ações. Hoje tive a demonstração mais clara de todas de que ele é muito melhor que eu.
Fomos fazer um passeio em família com alguns amigos pelos interiores de Bento Gonçalves. Um programa pra lá de agradável.
Paramos em um local onde tinha algumas carpas em uma espécie de tanque e o baixinho ficou admirado. Nunca tinha visto peixes daquele tamanho e assim, de perto.
Em outro local se deliciou correndo na grama e saltando do último degrau de uma escada: uma conquista!
Em determinado momento resolvemos parar e comer alguma coisa em um estabelecimento. Como de costume, Vicente foi explorar o ambiente e eu ficava só de olho, monitorando as andanças dele. Foi aí que surgiu um "problema", que ele tirou de letra e me fez amá-lo e admirá-lo ainda mais.
Para ele, todas as crianças pequenas são "nenê". A rusga aconteceu quando ele viu 2 crianças, pouco maiores e mais velhas, e as chamou de nenê. Surpreendentemente elas vieram tirar satisfação com ele sobre essa história de chama-los de nenês. Parece brincadeira, mas não é.
Uma menina e um menino estufaram seus peitos, enrijeceram seus dedos indicadores e apontavam para o Vicente dizendo:
"A gente é pequeno mas é grande!"
Impassível com a situação ele não se amedrontou e devolveu a audácia apontando seu dedinho indicador e vocalizando algo que não imagino o que seja. Nesse exato momento, o menino que foi tirar satisfação com o Vi deu um tapa na mão dele!
Seguindo a filosofia do Seu Madruga - A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena! - Vicente sequer se moveu.
Cinco segundos!
Cinco segundos foi o tempo para que a mãe e o pai dele estivessem ali para tentar, cheios de vergonha, amenizar a situação. A Mara chegou a virar de costas, pois segundo ela, a vontade era de afofar a criança. Eu só abracei meu filho e disse: "Não é assim que isso se resolve hein".
Mas a real da situação é que isso acaba sendo muito mais embaraçoso para os pais, que precisam se desculpar e tentar mostrar para os outros que esse comportamento NÃO é algo rotineiro na vida de seus filhos, do que propriamente um conflito para as crianças.
Crianças passam por situações como essas e em pouco tempo estão de bem umas com as outras novamente.
E foi o que o meu negrinho fez!
Sem mover uma lágrima, esboçou um sorriso e foi até o menino que o agrediu, oferecendo um carrinho para brincarem juntos!
Meu filho vale ouro! A generosidade do Vicente me fez pensar por horas se eu teria a capacidade de agir dessa maneira.
Provavelmente não!
Adultos são movidos por orgulho e não raro brigam porque suas crianças se desentenderam.
Eu confesso que não gostei nada da situação, mas não tinha porque me exaltar, afinal, o mundo é cão. As pessoas são assim e é nele que meu filho vai viver e aprender a se virar, como aconteceu comigo, com a mãe dele e com todas as pessoas que um dia foram crianças e que depois viraram adultos.
O ponto crucial, foi o fato de que ele não se intimidou e resolver dar um passo adiante na tratativa de paz com o menino. De forma pacífica, diplomática, generosa.
Meu filho me ganhou definitivamente!
Morro de amores e de admiração por esse menino.

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