domingo, 26 de julho de 2015

Educar é duvidar!

Não há um só dia em que eu não me questione se estou sendo um bom pai!
Dias atrás estava conversando com a minha esposa Mara sobre o quanto somos inundados com “técnicas” de bons modos para nossos filhos. A verdade é que isso normalmente acaba nos deixando – pelo menos a mim – cada vez mais em dúvida sobre como agir, quando intervir e acima de tudo como mostrar para nossos filhos as primeiras noções do certo e errado.
O Vicente tem 2 anos e está cada dia mais ativo e com mais vontade de desbravar as fronteiras entre o permitido e a desobediência. Mas será certo classificar como desobediência algo inato que é a curiosidade de exploração de situações e locais que nos chamam a atenção?
Sou um réu confesso! Existem vezes, e não são poucas, que me pego coibindo algumas ações desbravadoras do Vicente seja por precaução de que ele possa se machucar, seja por querer um pouco de tranquilidade ou até mesmo por não querer que ele bagunce a casa. O fato mais marcante de tudo isso é que ele não se dá por vencido e acaba esperando eu virar as costas para fazer suas tentativas...palmas para ele!!!
Como comentei com o Piangers há alguns dias – e ele me respondeu em um email belíssimo – até ser pai o único modelo de educação que eu conhecia era o do “Sim Senhor”, ou seja, o mais velho fala e o mais novo obedece. Por incrível que pareça, essa firmeza, essa austeridade e a necessidade de delimitar as ações e mostrar quem manda, fazendo com que a criança entenda desde cedo que é parte da família e por isso deve obedecer às regras como todos, é um conteúdo bastante discutido e por que não dizer, difundido.
Há bem pouco tempo atrás fomos em uma escola de educação infantil aqui na nossa cidade, com o intuito de matricular o Vicente para que ele possa socializar mais com outras crianças e também vá se inserindo em uma rotina semelhante à escola. Em virtude de um grande mal-entendido entre a diretora da escola e uma funcionária que nos passou informações equivocadas, o Vicente acabou ficando tempo demais em um dia da adaptação, o que gerou um certo medo nele em retornar à escola. No segundo dia, ele não parou de chorar, a babá foi busca-lo e para a surpresa de todos a sensibilidade da diretora da escola acabou coroando com uma cebola a situação já bastante delicada:
- Agora tu leva ele pra casa sem dar colo, pois ele só queria colo e aqui ele não vai ganhar!
Tudo bem...eu entendo que a dinâmica da rotina escolar acaba se tornando mais fácil se todos souberem obedecer algumas regras básicas de comportamento, mas ele tem apenas 2 anos!!! Como não iria querer colo já que estava apavorado por ter sido deixado naquele lugar estranho, com pessoas estranhas por mais tempo do que o necessário?
É por esse tipo de situação que muitas vezes me pego pensando sobre a dificuldade de educar um filho. Será mesmo que educar um filho é tão difícil e complicado? Será que educar é impingir moldes comportamentais ou dar liberdade para que nossos filhos descubram pelas suas experiências o que lhes é prazeroso, saudável e gratificante? Será que a austeridade é mais producente do que a amizade e companheirismo? O quanto impor limites é necessário para a felicidade de nossos filhos? O que nós adultos ganhamos submetendo nossos filhos ao mainstream do bom comportamento? Herbert de Souza, o Betinho nos deixou uma opinião fantástica: “Quando o sapato aperta o pé, temos que trocar o sapato e não cortar o pé”, ou sejam se tais situações não favorecem nossos filhos, por que submetê-los à situações semelhantes, em outro local, apenas pelo fato de que esse é o pensamento corrente?

Abraços.

Roges 

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