Não há um só dia em que eu não me questione se estou sendo
um bom pai!
Dias atrás estava conversando com a minha esposa Mara sobre
o quanto somos inundados com “técnicas” de bons modos para nossos filhos. A verdade
é que isso normalmente acaba nos deixando – pelo menos a mim – cada vez mais em
dúvida sobre como agir, quando intervir e acima de tudo como mostrar para
nossos filhos as primeiras noções do certo e errado.
O Vicente tem 2 anos e está cada dia mais ativo e com mais
vontade de desbravar as fronteiras entre o permitido e a desobediência. Mas será
certo classificar como desobediência algo inato que é a curiosidade de exploração
de situações e locais que nos chamam a atenção?
Sou um réu confesso! Existem vezes, e não são poucas, que me
pego coibindo algumas ações desbravadoras do Vicente seja por precaução de que
ele possa se machucar, seja por querer um pouco de tranquilidade ou até mesmo
por não querer que ele bagunce a casa. O fato mais marcante de tudo isso é que
ele não se dá por vencido e acaba esperando eu virar as costas para fazer suas
tentativas...palmas para ele!!!
Como comentei com o Piangers há alguns dias – e ele me
respondeu em um email belíssimo – até ser pai o único modelo de educação que eu
conhecia era o do “Sim Senhor”, ou seja, o mais velho fala e o mais novo
obedece. Por incrível que pareça, essa firmeza, essa austeridade e a
necessidade de delimitar as ações e mostrar quem manda, fazendo com que a
criança entenda desde cedo que é parte da família e por isso deve obedecer às
regras como todos, é um conteúdo bastante discutido e por que não dizer,
difundido.
Há bem pouco tempo atrás fomos em uma escola de educação
infantil aqui na nossa cidade, com o intuito de matricular o Vicente para que
ele possa socializar mais com outras crianças e também vá se inserindo em uma
rotina semelhante à escola. Em virtude de um grande mal-entendido entre a
diretora da escola e uma funcionária que nos passou informações equivocadas, o
Vicente acabou ficando tempo demais em um dia da adaptação, o que gerou um
certo medo nele em retornar à escola. No segundo dia, ele não parou de chorar,
a babá foi busca-lo e para a surpresa de todos a sensibilidade da diretora da
escola acabou coroando com uma cebola a situação já bastante delicada:
- Agora tu leva ele pra casa sem dar colo, pois ele só queria
colo e aqui ele não vai ganhar!
Tudo bem...eu entendo que a dinâmica da rotina escolar acaba
se tornando mais fácil se todos souberem obedecer algumas regras básicas de
comportamento, mas ele tem apenas 2 anos!!! Como não iria querer colo já que
estava apavorado por ter sido deixado naquele lugar estranho, com pessoas
estranhas por mais tempo do que o necessário?
É por esse tipo de situação que muitas vezes me pego
pensando sobre a dificuldade de educar um filho. Será mesmo que educar um filho
é tão difícil e complicado? Será que educar é impingir moldes comportamentais
ou dar liberdade para que nossos filhos descubram pelas suas experiências o que
lhes é prazeroso, saudável e gratificante? Será que a austeridade é mais
producente do que a amizade e companheirismo? O quanto impor limites é
necessário para a felicidade de nossos filhos? O que nós adultos ganhamos
submetendo nossos filhos ao mainstream do
bom comportamento? Herbert de Souza, o Betinho nos deixou uma opinião
fantástica: “Quando o sapato aperta o pé, temos que trocar o sapato e não
cortar o pé”, ou sejam se tais situações não favorecem nossos filhos, por que
submetê-los à situações semelhantes, em outro local, apenas pelo fato de que
esse é o pensamento corrente?
Abraços.
Roges
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