Desde que me lembro, nada me atraía mais do que ser um cara do mundo.
Sair em busca de lugares novos, pessoas diferentes e culturas para conhecer era o meu sonho de consumo. Honestamente não sei quando surgiu esse ímpeto de ouvir novas histórias, sair da asa dos pais e virar um cidadão do mundo.
Uma lembrança bem presente é do momento em que decidi sair de casa para estudar. Lembro perfeitamente das inúmeras tentativas de minha mãe para que eu ficasse em Tapejara e estudasse em Passo Fundo, num esquema de bate e volta. Eu já tinha feito isso por um semestre e achava aquela rotina estressante e enfadonha.
E assim, do nada, veio a ideia de estudar em Cruz Alta.
Naquela época - final dos anos 90 e início dos anos 2000 - o pessoal mais underground, por assim dizer, não estudava em PF. Saía do aconchego do lar e se largava em direção à Terra da Panelinha para poder dar um novo rumo na vida.
Houve até quem se arriscou ir para Bagé. Esses merecem meu respeito...pela coragem!
De lá pra cá, muitos foram meus endereços e muitos também os locais por onde passei.
Conhecer pessoas diferentes, um universo de gente que pensava diferente me proporcionou um crescimento extraordinário.
Imagina como era antes! - dirão alguns.
Aos poucos o egocentrismo foi se perdendo e de uma maneira sutil, porém firme, pude perceber que eu era mais um na multidão. Mais um CPF na praça, mais um currículo nos classificados. Era 1 DNA entre 7 bilhões!
Pode parecer nostalgia ou até mesmo saudosismo, mas para mim, lembrar dessas situações é tentar prever o futuro.
Hoje tenho um filho de 2 anos e estou à espera de uma menina, que se puxar a mãe, será lindíssima. E honestamente não espero nada diferente deles.
Tenho poucos anseios para meus filhos. Desejo apenas que eles sejam pessoas de bom caráter, sensíveis com os injustiçados e firmes com as mesquinharias do mundo. Que saibam respeitar todos que mereçam respeito, mas que acima de tudo não sejam alienados.
Bem disse o Piangers que ter filhos é um ato de fé. Fé em tempos melhores, na possibilidade de um mundo melhor. Meu amigo Henri Tomasi profeticamente disse um dia que o importante não é fazer um mundo melhor para nossos filhos e sim fazer filhos melhores para o mundo. Tô com ele e não abro!
Por isso é que eu desejo de todo coração que meus filhos consigam conhecer lugares onde não pude ir e aprender sobre pessoas e culturas que não tive contato, pois esse é o princípio do mundo!
De que adianta ser um peixe grande em um aquário pequeno!
Bom mesmo é ser um peixe pequeno em um aquário gigantesco, onde cada centímetro caminhado, cada dia vivido se transforma em um enorme aprendizado para si próprio e para quem nos rodeia!
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