terça-feira, 22 de setembro de 2015

Choros

Este é um texto triste.
Choros e risos em crianças são duas das coisas que me fazem chorar.
Parece redundante, porém, considerando meu momento Zeca Baleiro da vida (ando tão a flor da pele que um beijo de novela me faz chorar)sou obrigado a confessar que ambas manifestações me comovem.
De vez em quando o Vicente apronta uma das dele e sai chorando. De dor, de vergonha, de raiva ou até mesmo pelo sentimento ferido. Nesses momento me bate uma tristeza tão grande e me sinto impelido a confortá-lo.
Talvez eu possa estar supervalorizando aquele momento, deixando subentendido nas entrelinhas que todas as situações que o coloquem em uma posição de frustração, eu estarei lá.
E estarei mesmo.
De um modo ou de outro não quero deixar meu filho passar por situações indesejáveis, daquelas que não agregam nada no seu crescimento como sujeito, aquelas possíveis de serem evitadas.
O choro dele é tão sentido, tão comovente que por mais que às vezes seja necessário não dar tanta importância para as poucas lágrimas que caem daqueles olhinhos, sou obrigado a me segurar para não dar mais dengo ainda.
Dias atrás eu estava tentando vesti-lo após o banho e numa brincadeira rolou um choro. No início não dei muita importância. Porém, aquilo foi tomando uma dimensão maior que eu poderia supôr. Tão sentido, tão cheio de dor - apesar de não haver nenhuma manifestação de dor física - que fui obrigado a me segurar.
Por pouco não chorei junto. Pensando bem, acho que deveria ter feito. Talvez ficasse mais vivo para ele que o pai também se compadece de seus sentimentos mais profundos e não vive apenas para mandá-lo trocar as fraldas e tomar banho. Talvez ficasse mais evidente que o pai também tem sentimentos e isso nos colocaria em uma situação, no mínimo, singular em nossa relação.
Por outro lado, se hoje o pai é uma figura que ele confia e se sente amparado, o que será que passará naquela cabecinha o dia em que me vir chorando de verdade?
Essa pergunta vem à minha cabeça com uma frequência absurda.
Qual será a reação do Vi quando ele presenciar um momento de demonstração de tristeza meu? Qual será sua reação ao ver que o pai não é toda aquela "fortaleza" que aparenta ser?
 Não consigo imaginar o que ele deve pensar e sentir toda vez que põe pra fora seu choro. Ao mesmo tempo fico imaginando milhares de outras crianças que sem chance de defesa manifestam pelo choro sua mais pura vontade de se opôr a alguma coisa que não lhes agrada.
Nos últimos tempos fico pensando todas as noites enquanto vigio meu pequeno, nas inúmeras crianças que não tem um ombro de pai ou de mãe para poderem chorar e ganhar amparo. E no número de pais e mães que sem poder consolar seus filhos choram em silêncio.
Ver uma criança chorar me faz chorar. Talvez seja para não esquecer que muitas atitudes adultas pareçam rudes para uma criança ou então, porque até onde eu me lembre quando criança eu chorei muito...especialmente, de saudades.
Toda vez que olho pro Vi em lágrimas peço a meu Pai Xangô que não permita que nada de ruim aconteça com ele.
Porque quem ama cuida, quem ama protege.
Quem ama chora de amor!

Nenhum comentário:

Postar um comentário