Nos últimos dias estamos vivendo alguns momentos um tanto conturbados com o Vicente aqui em casa.
Desde o nascimento da Helena, o baixinho colocou as mangas de fora e o ápice da sua inquietude surgiu na quarta feira passada (21/01). A partir de então ele saiu da sua tranquilidade rotineira migrando para o o outro extremo: o da inquietação permanente.
Choro aparentemente sem motivo, agressividade verbal, recusas em tomar banho, escovar os dentes, ir para a escola, acordar no meio da noite chorando desesperadamente, jogar objetos no chão, dizer não para absolutamente tudo. Essas foram algumas das manifestações que ele teve nos últimos dias fazendo com que a Mara e eu tivéssemos de lidar com um cenário praticamente caótico. Como já comentei anteriormente ela tem uma capacidade melhor de resolver essas situações do que eu.
A sensação de não saber o que fazer nos obrigou a conversar com as profes e também com a psicóloga da escola. Para nosso alívio, estamos indo na direção correta e o Vicente nos últimos 2 dias está se mostrando mais tranquilo, se parecendo mais com aquele menino de antes.
Mas isso não é necessariamente um problema sério. Sabíamos que de um modo ou de outro ele manifestaria sua insegurança de alguma forma.
O problema é a "crise".
No decorrer da semana encontrei algumas pessoas que me perguntaram sobre a rotina com duas crianças e a palavra que mais ouvi foi crise.
Legal mesmo foi uma conversa com um casal de amigos mais velhos.
- Como que estão as coisas?
- Bem. Um pouco corridas por que estamos sozinhos em casa agora.
- Acontece. E estão dormindo bem?
- Na medida do possível sim. Helena dorme bem mas o Vicente nesses últimos dias vem tendo noites meio agitadas.
- É a crise dos dois anos. Tu vai ver que vai piorar. Quando chega nessa idade tudo vira de perna pro ar. Depois tudo se acalma.
- Pode ser que sim mas acho que tem a ver com a chegada da mana. Ele deve pensar que agora foi deixado de lado.
- Ah sim, é verdade. Minha filha teve nenê faz 1 mês e a mana de 6 anos tá com ciúmes. Não dá pra aguentar de manhosa.
- Mas tu não disse que tudo se acalma depois da "crise dos dois anos"?
- Mas é que tem a dos 6 anos que vem depois. Essa fase eles são um terror, dá vontade de esganar. Imagina quando chegar na adolescência!
Não gosto de pensar assim, achando que tudo se resume a ciclos de "crises" comportamentais.
Crise dos 2 anos, dos 6 anos, dos 7 anos de namoro, crise dos 30 anos, crise de meia idade. Ao meu ver isso é difundido de uma maneira até mesmo irresponsável.
Mudanças comportamentais ocorrem o tempo todo tanto em crianças como em
adultos, mas não acredito que isso se configure numa crise.
Acho esquisita essa mania de se apegar a um rótulo - como uma conveniente desculpa - quando surgem essas dificuldades de enfrentamento do óbvio: necessidade de adaptação a uma nova situação.
Acredito seriamente que o Vicente esteja passando por um momento super delicado. Se pararmos para pensar ele está longe da babá com quem tem uma boa parceria, a Vó foi para casa resolver seus assuntos, tem uma pessoa nova em casa - que não brinca com ele e toma praticamente todo o tempo dos pais. A explicação pode ser simples mas o momento não é.
Se me pautar por esses rótulos que as capas de revista adoram colocar nas crianças daqui uns dias ele vai ter crise de abstinência da Peppa Pig porque eu vou querer assistir um programa na TV no mesmo horário da porquinha.
Só para ter uma ideia de como tudo isso, de fato, é uma questão de adaptação pura e simples: Quinta feira passada fomos levá-lo na escola e desespero do baixinho foi tamanho que nos sentimos obrigados a voltar. Nesta terça feira, a mesma cena, mas cheios de coragem - e a contragosto do que dizia o coração - ele acabou ficando na escola.
Sensação de insegurança.
Tanto que ele confia alguns dos seus segredos para a profe.
Por exemplo: desde que a babá entrou em férias ele mal tocou no nome dela aqui em casa. Porém, já comentou com a profe que sente falta dela.
Uma boa estratégia que a psicóloga nos orientou para diminuir essa sensação de insegurança foi dizer que em uma determinada hora do dia um de nós irá buscá-lo na escola. É óbvio que ele não tem a noção do tempo, mas incrivelmente a reação dele com essas palavras foi bastante tranquila. Ainda chora para ir à escola, mas chegando lá a calma e tranquilidade tomam conta.
Bueno, dia após dia vamos em frente. Sem crise!
Abraços a todos.
Roges
sábado, 30 de janeiro de 2016
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
As coisas mudam
Não faz nem 1 semana que escrevi que a chegada da Helena tinha
movimentado a casa de forma tranquila. Na verdade, isso foi há apenas 5 dias
atrás.
Antes mesmo de termos a nossa pequena, conversávamos sobre as
possibilidades do Vicente desenvolver alguma espécie de ciúmes ou algo do
gênero.
Logo de início, quando chegamos em casa – e vocês puderam ver nos
vídeos – ele se mostrou muito tranquilo com todas aquelas mudanças. Entretanto,
desde o início desta semana muita coisa aconteceu.
Começando pela palavra mais dita: NÃO!
Não é a palavra mais dita há um bom tempo aqui em casa. Estava caindo
em desuso até os últimos dias.
Hoje é não para tudo que se possa imaginar.
Banho? Não!
Vamos trocar a fralda? Não!
Quer um pouco de água? Não!
Vamos ver um desenho? Não!
Lógico que com muita paciência – a Mara tem maior percentual de sucesso
que eu nesse quesito – as coisas acabam sendo contornadas.
Muito provável que isso seja uma fase e que pode demorar meses...ou
não!
Mas algumas coisas nos preocupam de verdade, entre elas uma
demonstração de agressividades verbal com que o Vicente nos responde. É
perceptível que ele não faz isso por maldade e sim como uma estratégia de auto
defesa, afinal de contas, até pouco mais de 2 semanas ele era o único a quem direcionávamos
a atenção.
Outra coisa que nos tira o sossego é a negação em ir para a escola.
O choro no caminho da escola não é necessariamente um indicativo de falta
de adaptação ou de que a própria escola não seja um bom local para a criança
estar.
Rapoport e Piccininni em 2001 (clique aqui), já demonstravam que o
choro está diretamente ligado à perda do vínculo dos pais e não à rejeição para
com a escola. Em relação a isso, apatia, falta de apetite e introspecção da criança
acabam sendo perceptíveis.
O Vicente não demonstra nenhum desses comportamentos e
isso nos tranquiliza de certo modo pois apesar do choro diário no horário da
escola, optamos por leva-lo até lá e explicar que após um horário determinado, iremos busca-lo. Outro ponto positivo é que ele chega chorando e logo se
acalma, indo brincar com os colegas, o que demonstra o quão salutar é a
convivência com outras crianças, mesmo que para isso seja necessário abrir mão
do contato temporário com os pais. E o melhor de tudo: na escola ele não
demonstra nenhum tipo de comportamento agressivo com os colegas (e espero que não desenvolva
a partir de agora), o que é bastante comum nessa fase e na
situação que se encontram as crianças que acabam de ganhar um irmão.
Quanto tempo isso vai durar? Espero que não muito, mas estamos
preparados para alguns meses de trabalho duro na arte da persuasão.
Interessante disso tudo é que exatamente 12 meses atrás estávamos passando
por um momento difícil com ele. Já mencionei anteriormente que fomos “obrigados”
a ficar em Tapejara mais tempo que o necessário e isso acabou quebrando a
rotina do Vicente aqui em casa.
É nessa tecla que estamos batendo.
Se, por ventura, insistirmos em mudar o foco da dinâmica que estava
funcionando até pouco tempo, é muito provável que teremos que fazer uma nova
adaptação do Vicente com a escola.
Nesse ponto a Mara e eu seguidamente conversamos.
Conheço pessoas que em situações como essa, a primeira atitude seria
questionar: " O que a escola está fazendo com o meu filho para ele ter mudando
tanto?"
Mesquinharia pura. Falta de auto crítica.
Desse mal não
sofremos.
Acredito piamente que essa fase vai passar, assim como todas as outras
já passaram e também como algumas outras virão, seja com o Vicente ou com a Helena.
Inexoravelmente, as coisas mudam (apreciem o vídeo).
Forte abraço.
Forte abraço.
Roges
domingo, 17 de janeiro de 2016
Nossa amada Helena chegou
Faz 1 mês da última vez que passei por aqui para
escrever.
Naquele dia 16 de dezembro, estávamos ansiosos com a iminência do
nascimento da Helena.
Pois bem, a nossa pequena resolveu ficar mais alguns dias no seu
casulo e acabou nascendo no seu tempo - 39 semanas. Mais precisamente dia 06 de
janeiro de 2016.
Hoje faz 10 dias que temos essa menina em nosso convívio e assim
como aconteceu com o Vicente, por mais que programássemos praticamente todos os
passos a serem dados depois que ela nascesse, a rotina mudou bastante e só
agora consegui um tempinho para escrever.
A Mara internou na manhã do dia 06 e entrou para o bloco cirúrgico
às 14:30hs.
Lá pelas 15 horas pensei ter ouvido um grito, mas, apesar do
hospital ser necessariamente um local que requer silêncio, próximo a entrada do
bloco cirúrgico as pessoas tendem a conversar sobre todas as doenças que já
tiveram - inclusive das últimas 5 gerações de parentes - em voz alta.
De repente uma enfermeira saiu do bloco e nos avisou que ela já
tinha nascido. Aquela sensação que tive no nascimento do Vicente, de uma
felicidade misturada com uma vontade de chorar de alegria, novamente encheu meu
coração.
Oportunamente, também senti uma aflição em saber como ela estava.
Se estava respirando bem, se o APGAR deu bom,
Neurose pré-natal!
Exatamente às 15:03 hs Helena nasceu e a Mara teve a felicidade de
poder vê-la quando o Dr. Rodrigo a retirou de seu ventre.
Situação única, sem fotos, nem vídeos. Sem a espetacularização
deste momento sublime que somente ela poderá guardar na memória.
Helena nasceu firme e forte. 3580 gramas divididos em 48
centímetros de pura beleza e pulmões vigorosos.
Ficamos 2 dias no hospital e logo viemos para casa
apreensivos.
A apreensão de chegar em casa tinha nome: Vicente!
Qual seria a reação do baixinho ao conhecer a maninha?
Como ele iria se comportar desde então?
Imaginávamos que ele iria dar uma olhada na Helena e depois
procuraria o colo de alguém próximo para também receber sua dose de carinho a
atenção. Como de costume, o Vicente nos surpreendeu (assistam os vídeos
abaixo).
Ele não se acanhou em solicitar que deixássemos pegá-la no colo. A
bem da verdade ele pede isso a todo momento. Adora pegar a maninha no colo e
ficar tocando seu nariz, seus cabelos, como uma forma de comparação com ele
próprio.
Esperto como é, já percebeu toda a movimentação da casa em função
da nova integrante e assim como acontece com praticamente "a maioria"
das crianças que ganham um irmão mais novo, ele também tem seus momentos de
solicitar atenção. Houve um dia essa semana em que o deixamos ficar em casa ao
invés de ir pra escola,
Normal.
Compreensível.
Nenhum problema que o tempo não ajude a resolver.
De qualquer modo, ouso dizer que nem parece que temos 2 crianças
em casa. Coincidência ou não, o Vicente começou a dormir a noite inteira em seu
próprio quarto e a baixinha chora quando quer mamar (muitas vezes por dia) e
para trocar a fralda.
Em breve a Mara escreverá uma postagem sobre as impressões do pós
parto.
Abaixo algumas imagens da nossa pequena Helena. Também alguns
vídeos da chegada em casa e do envolvimento do mano na rotina da pequena.
Emocionante!
Abraços a todos.
Roges
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