Não faz nem 1 semana que escrevi que a chegada da Helena tinha
movimentado a casa de forma tranquila. Na verdade, isso foi há apenas 5 dias
atrás.
Antes mesmo de termos a nossa pequena, conversávamos sobre as
possibilidades do Vicente desenvolver alguma espécie de ciúmes ou algo do
gênero.
Logo de início, quando chegamos em casa – e vocês puderam ver nos
vídeos – ele se mostrou muito tranquilo com todas aquelas mudanças. Entretanto,
desde o início desta semana muita coisa aconteceu.
Começando pela palavra mais dita: NÃO!
Não é a palavra mais dita há um bom tempo aqui em casa. Estava caindo
em desuso até os últimos dias.
Hoje é não para tudo que se possa imaginar.
Banho? Não!
Vamos trocar a fralda? Não!
Quer um pouco de água? Não!
Vamos ver um desenho? Não!
Lógico que com muita paciência – a Mara tem maior percentual de sucesso
que eu nesse quesito – as coisas acabam sendo contornadas.
Muito provável que isso seja uma fase e que pode demorar meses...ou
não!
Mas algumas coisas nos preocupam de verdade, entre elas uma
demonstração de agressividades verbal com que o Vicente nos responde. É
perceptível que ele não faz isso por maldade e sim como uma estratégia de auto
defesa, afinal de contas, até pouco mais de 2 semanas ele era o único a quem direcionávamos
a atenção.
Outra coisa que nos tira o sossego é a negação em ir para a escola.
O choro no caminho da escola não é necessariamente um indicativo de falta
de adaptação ou de que a própria escola não seja um bom local para a criança
estar.
Rapoport e Piccininni em 2001 (clique aqui), já demonstravam que o
choro está diretamente ligado à perda do vínculo dos pais e não à rejeição para
com a escola. Em relação a isso, apatia, falta de apetite e introspecção da criança
acabam sendo perceptíveis.
O Vicente não demonstra nenhum desses comportamentos e
isso nos tranquiliza de certo modo pois apesar do choro diário no horário da
escola, optamos por leva-lo até lá e explicar que após um horário determinado, iremos busca-lo. Outro ponto positivo é que ele chega chorando e logo se
acalma, indo brincar com os colegas, o que demonstra o quão salutar é a
convivência com outras crianças, mesmo que para isso seja necessário abrir mão
do contato temporário com os pais. E o melhor de tudo: na escola ele não
demonstra nenhum tipo de comportamento agressivo com os colegas (e espero que não desenvolva
a partir de agora), o que é bastante comum nessa fase e na
situação que se encontram as crianças que acabam de ganhar um irmão.
Quanto tempo isso vai durar? Espero que não muito, mas estamos
preparados para alguns meses de trabalho duro na arte da persuasão.
Interessante disso tudo é que exatamente 12 meses atrás estávamos passando
por um momento difícil com ele. Já mencionei anteriormente que fomos “obrigados”
a ficar em Tapejara mais tempo que o necessário e isso acabou quebrando a
rotina do Vicente aqui em casa.
É nessa tecla que estamos batendo.
Se, por ventura, insistirmos em mudar o foco da dinâmica que estava
funcionando até pouco tempo, é muito provável que teremos que fazer uma nova
adaptação do Vicente com a escola.
Nesse ponto a Mara e eu seguidamente conversamos.
Conheço pessoas que em situações como essa, a primeira atitude seria
questionar: " O que a escola está fazendo com o meu filho para ele ter mudando
tanto?"
Mesquinharia pura. Falta de auto crítica.
Desse mal não
sofremos.
Acredito piamente que essa fase vai passar, assim como todas as outras
já passaram e também como algumas outras virão, seja com o Vicente ou com a Helena.
Inexoravelmente, as coisas mudam (apreciem o vídeo).
Forte abraço.
Forte abraço.
Roges
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