sábado, 30 de janeiro de 2016

As "crises" da infância

Nos últimos dias estamos vivendo alguns momentos um tanto conturbados com o Vicente aqui em casa.
Desde o nascimento da Helena, o baixinho colocou as mangas de fora e o ápice da sua inquietude surgiu na quarta feira passada (21/01). A partir de então ele saiu da sua tranquilidade rotineira migrando para o o outro extremo: o da inquietação permanente.
Choro aparentemente sem motivo, agressividade verbal, recusas em tomar banho, escovar os dentes, ir para a escola, acordar no meio da noite chorando desesperadamente, jogar objetos no chão, dizer não para absolutamente tudo. Essas foram algumas das manifestações que ele teve nos últimos dias fazendo com que a Mara e eu tivéssemos de lidar com um cenário praticamente caótico. Como já comentei anteriormente ela tem uma capacidade melhor de resolver essas situações do que eu.
A sensação de não saber o que fazer nos obrigou a conversar com as profes e também com a psicóloga da escola. Para nosso alívio, estamos indo na direção correta e o Vicente nos últimos 2 dias está se mostrando mais tranquilo, se parecendo mais com aquele menino de antes.
 Mas isso não é necessariamente um problema sério. Sabíamos que de um modo ou de outro ele manifestaria sua insegurança de alguma forma.
O problema é a "crise".
No decorrer da semana encontrei algumas pessoas que me perguntaram sobre a rotina com duas crianças e a palavra que mais ouvi foi crise.
Legal mesmo foi uma conversa com um casal de amigos mais velhos.

- Como que estão as coisas?
- Bem. Um pouco corridas por que estamos sozinhos em casa agora.
- Acontece. E estão dormindo bem?
- Na medida do possível sim. Helena dorme bem mas o Vicente nesses últimos dias vem tendo noites meio agitadas.
- É a crise dos dois anos. Tu vai ver que vai piorar. Quando chega nessa idade tudo vira de perna pro ar. Depois tudo se acalma.
- Pode ser que sim mas acho que tem a ver com a chegada da mana. Ele deve pensar que agora foi deixado de lado.
- Ah sim, é verdade. Minha filha teve nenê faz 1 mês e a mana de 6 anos tá com ciúmes. Não dá pra aguentar de manhosa.
 - Mas tu não disse que tudo se acalma depois da "crise dos dois anos"?
- Mas é que tem a dos 6 anos que vem depois. Essa fase eles são um terror, dá vontade de esganar. Imagina quando chegar na adolescência! 

Não gosto de pensar assim, achando que tudo se resume a ciclos de "crises" comportamentais.
Crise dos 2 anos, dos 6 anos, dos 7 anos de namoro, crise dos 30 anos, crise de meia idade. Ao meu ver isso é difundido de uma maneira até mesmo irresponsável. Mudanças comportamentais ocorrem o tempo todo tanto em crianças como em adultos, mas não acredito que isso se configure numa crise.
Acho esquisita essa mania de se apegar a um rótulo - como uma conveniente desculpa -  quando surgem essas dificuldades de enfrentamento do óbvio: necessidade de adaptação a uma nova situação.
Acredito seriamente que o Vicente esteja passando por um momento super delicado. Se pararmos para pensar ele está longe da babá com quem tem uma boa parceria, a Vó foi para casa resolver seus assuntos, tem uma pessoa nova em casa - que não brinca com ele e toma praticamente todo o tempo dos pais. A explicação pode ser simples mas o momento não é.
Se me pautar por esses rótulos que as capas de revista adoram colocar nas crianças daqui uns dias ele vai ter crise de abstinência da Peppa Pig porque eu vou querer assistir um programa na TV no mesmo horário da porquinha.
Só para ter uma ideia de como tudo isso, de fato, é uma questão de adaptação pura e simples: Quinta feira passada fomos levá-lo na escola e desespero do baixinho foi tamanho que nos sentimos obrigados a voltar. Nesta terça feira, a mesma cena, mas cheios de coragem  - e a contragosto do que dizia o coração - ele acabou ficando na escola.
Sensação de insegurança.
Tanto que ele confia alguns dos seus segredos para a profe.
Por exemplo: desde que a babá entrou em férias ele mal tocou no nome dela aqui em casa. Porém, já comentou com a profe que sente falta dela.
Uma boa estratégia que a psicóloga nos orientou para diminuir essa sensação de insegurança foi dizer que em uma determinada hora do dia um de nós irá buscá-lo na escola. É óbvio que ele não tem a noção do tempo, mas incrivelmente a reação dele com essas palavras foi bastante tranquila. Ainda chora para ir à escola, mas chegando lá a calma e tranquilidade tomam conta.
Bueno, dia após dia vamos em frente. Sem crise!
Abraços a todos.
Roges

Nenhum comentário:

Postar um comentário