Existem várias questões sobre a educação dos filhos que normalmente geram uma gama inimaginável de comentários e opiniões das mais diversas.
A hora de colocar os filhos na sua cama, sem dúvida é um dos assuntos que divide opiniões.
Analisando de modo bem crítico, os pais dormem em suas camas, os filhos nas deles.
Mais ou menos, eu diria!
O Vicente tem dois anos e apesar de ocupar aproximadamente 97,3% da cama enquanto dorme, é uma ótima companhia para passar a noite.
Tudo bem, entendo que ele deve ter seu espaço e que nós também devemos ter o nosso. Ele tem seu berço. E mais do que isso, tem muito bom gosto pelas pessoas com quem deseja passar a noite.
Tanto é verdade que ele abre mão de dormir em seu próprio berço e prefere dormir com pessoas boas, bonitas e legais, como a Mara e eu!
Meu filho tem ou não tem afinidade por pessoas legais?
Agora que a Helena está caminho muitas são as possibilidades de como agir para recuperarmos nossa cama.
A primeira opção, descartada de cara, foi comprar uma cama maior para dormirmos todos juntos. Seria uma delícia, mas pouco indicado. Vai que eu me vire durante a noite e esmague alguém?
A real é que dormir com o filhos é uma doce sensação de estar protegendo alguém de verdade. Quando durmo com o Vicente - seja de dia ou à noite - gosto que ele fique bem pertinho de mim. Para sentir seu cheiro (às vezes de suor por correr tanto), fazer carícias e é claro, protegê-lo de qualquer perturbação que o incomode. É uma sensação extremamente prazerosa!
Também dizem alguns entendidos, que deixar os filhos dormirem na nossa cama faz com que eles fiquem "bardosos" - como dizem lá em Tapejara.
Pode ser, mas não me importo!
Não me importo porque poder acompanhar e velar o sono de um pequenino é uma situação única e só quem tem um sabe o quanto é bom.
O Vicente tem o sono igual ao meu. A Mara pode confirmar.
Gosta de ficar até tarde perambulando pela casa, resiste em dormir cedo e só vai relaxar de verdade lá pelas 4 hs da manhã...igual ao pai dele!
Mas também sabemos que ele precisa de um canto para chamar de seu.
Isso vem ao encontro de ele estar frequentando uma escola de educação infantil e de ter sua própria rotina, bem como sua privacidade. Por isso estávamos quebrando a cabeça esses dias imaginando como será o quarto do Vi. Ele ganhou uma cama do primo Tiago e estamos com certas dificuldades logísticas para trazer para Garibaldi (está em Tapejara).
Desse modo, fizemos uma pesquisa e optamos em montar um quarto Montessoriano pro Seu Vicente. A proposta de Montessori é de que a criança tenha tudo ao seu alcance para explorar o ambiente e brincar à vontade. Por isso a decoração do quarto deve ser bastante simples. A cama é baixinha (ou às vezes no chão mesmo) para evitar que as possíveis quedas sejam traumáticas e muitos dos apetrechos tradicionalmente presentes nos quartos são substituídos por móveis utilitários (poucos) e bastante espaço.
Se ele curtir esse formato de quarto, provavelmente vamos incluir a Helena nessa vibe também.
Em breve postarei umas fotos do novo quarto do Vi. Por enquanto aí vão algumas imagens de quartos Montessori.
Um abraço.
quinta-feira, 27 de agosto de 2015
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
Vicente, suas paixões e suas lições
O Vicente é um menino de paixões. Muitas. E de lições também!
Para ser sincero, fico impressionado com a capacidade que ele tem de se apegar a certas coisas. Por outro lado, assim como se fixa em algo logo desapega. Vida que segue, deve pensar.
Quando bem pequeno ele tinha uma fascinação por coisas minúsculas: botões, insetos, enfim, tudo que fosse bem pequenininho chamava sua atenção. Eu achava aquilo bastante intrigante, afinal de contas, com tanta coisa ao redor para ser vista e explorada, era fascinante vê-lo perder longos minutos observando aquelas coisinhas.
Conforme foi crescendo outros objetos foram compondo sua lista de predileções. Épocas passadas ele vivia com uns brinquedinhos que pareciam uma espécie de botões. Sempre aos pares, um para cada mão. Não largava para nada, levava até pro banho.
Uma coisa que nunca estimulei foi que o Vicente brincasse com bolas.
Casa de ferreiro, espeto de pau, dirão alguns.
Bolas são fascinantes para quase todas as crianças. O problema é que não tenho muita afinidade com elas e por isso acabei deixando que o Vi descobrisse por si só a beleza e o prazer de bater uma bolinha. Longos dias e noites correndo pra lá e pra cá e chutando uma bola velha, que minha mãe deu pra ele. Se não me engano era do meu irmão Yan.
Um domingo fomos a Caxias comprar fraldas no hipermercado e o Seu Vicente não parava no carrinho, queria perambular pelo ambiente. Numa das suas incursões por entre os corredores, o danado chegou até o local onde estavam expostos seus sonhos de consumo - as bolas, ou melhor, na linguagem do Vi, o "gol gol"!
Olhos brilhando, boca aberta!
Essa é a melhor definição daquela cena espetacular, do encontro do menino com seu objeto de desejo. Vários objetos, diga-se de passagem!
Foi a primeira vez que vivenciei na prática o que alguns pais sentem quando seus filhos disparam sem freios pela loja de brinquedos adentro. Tive que comprar o bendito "gol gol". E assim, num piscar de olhos, ele contabilizava 2 bolas e às vezes ficava irritado porque não conseguia brincar com ambas ao mesmo tempo. Era de chorar de rir!
Outro dia fomos no aeroclube aqui de Garibaldi observar os aviões que decolavam e aterrizavam. O momento foi de êxtase. Ele chamou a atenção de todos por lá cada vez que um avião subia ou descia. Fomos no hangar e ele dizia repetidamente: "Uaaaau"!
Aos poucos o fascínio com alguns brinquedos vai sendo substituído por outros. Depois das bolas vieram os carrinhos, tratores, motos e a paixão do momento são os trens, ou melhor, "Tutu"!
Seja de brinquedo ou na TV o Tutu é o dono do campinho.
Aqui em Garibaldi a Maria Fumaça costuma passar duas a três vezes por semana e como moramos próximos à estação do trem, dá pra ouvir o apito de longe. Basta a Maria se aproximar da cidade apitando que o Seu Vicente já levanta o dedo indicador e fala: Tutu!
Independente do que esteja fazendo, corre pra área dos fundos ou em qualquer janela que dê para observar a passagem do trem. É uma alegria sem nenhum constrangimento, tão inocente, tão sincera que chega dar inveja.
Inveja não, vergonha!
Quando o trem passa observo a felicidade do Vicente. Ele lá sorrindo com aquela situação cotidiana, com a simples possibilidade de poder ver uma máquina que solta fumaça e apita. Fico imaginando porque nós adultos vamos perdendo essa ternura, essa fantasia conforme ficamos mais velhos. É uma pena que vamos endurecendo com o tempo, que não consigamos mais sorrir com a simples passagem de um trem. É uma pena que isso aconteça conosco.
Tenho muito a aprender com meu filho!
O auge desse momento ocorre quando o trem passa e solta no ar aquela cortina de fumaça que sai da chaminé.
E logo vem a depressão. Assim que a Maria vai sumindo, a tristeza toma conta. Ele suspira e cheio de sentimento dispara: "Ah, não!"
Fica triste quando ela vai embora.
Quem de nós, adultos, fica triste quando um trem com pessoas que nunca vimos vai embora? Só mesmo uma criança para nos dar esse estalo na consciência. Para nos mostrar que as coisas simples e rotineiras têm sua beleza e que elas valem a pena.
Isso é mágico!
Isso é revigorante!
Pensando bem, o Vi tem razão em se afeiçoar ao Tutu!
Para ser sincero, fico impressionado com a capacidade que ele tem de se apegar a certas coisas. Por outro lado, assim como se fixa em algo logo desapega. Vida que segue, deve pensar.
Quando bem pequeno ele tinha uma fascinação por coisas minúsculas: botões, insetos, enfim, tudo que fosse bem pequenininho chamava sua atenção. Eu achava aquilo bastante intrigante, afinal de contas, com tanta coisa ao redor para ser vista e explorada, era fascinante vê-lo perder longos minutos observando aquelas coisinhas.
Conforme foi crescendo outros objetos foram compondo sua lista de predileções. Épocas passadas ele vivia com uns brinquedinhos que pareciam uma espécie de botões. Sempre aos pares, um para cada mão. Não largava para nada, levava até pro banho.
Uma coisa que nunca estimulei foi que o Vicente brincasse com bolas.
Casa de ferreiro, espeto de pau, dirão alguns.
Bolas são fascinantes para quase todas as crianças. O problema é que não tenho muita afinidade com elas e por isso acabei deixando que o Vi descobrisse por si só a beleza e o prazer de bater uma bolinha. Longos dias e noites correndo pra lá e pra cá e chutando uma bola velha, que minha mãe deu pra ele. Se não me engano era do meu irmão Yan.
Um domingo fomos a Caxias comprar fraldas no hipermercado e o Seu Vicente não parava no carrinho, queria perambular pelo ambiente. Numa das suas incursões por entre os corredores, o danado chegou até o local onde estavam expostos seus sonhos de consumo - as bolas, ou melhor, na linguagem do Vi, o "gol gol"!
Olhos brilhando, boca aberta!
Essa é a melhor definição daquela cena espetacular, do encontro do menino com seu objeto de desejo. Vários objetos, diga-se de passagem!
Foi a primeira vez que vivenciei na prática o que alguns pais sentem quando seus filhos disparam sem freios pela loja de brinquedos adentro. Tive que comprar o bendito "gol gol". E assim, num piscar de olhos, ele contabilizava 2 bolas e às vezes ficava irritado porque não conseguia brincar com ambas ao mesmo tempo. Era de chorar de rir!
Outro dia fomos no aeroclube aqui de Garibaldi observar os aviões que decolavam e aterrizavam. O momento foi de êxtase. Ele chamou a atenção de todos por lá cada vez que um avião subia ou descia. Fomos no hangar e ele dizia repetidamente: "Uaaaau"!
Aos poucos o fascínio com alguns brinquedos vai sendo substituído por outros. Depois das bolas vieram os carrinhos, tratores, motos e a paixão do momento são os trens, ou melhor, "Tutu"!
Seja de brinquedo ou na TV o Tutu é o dono do campinho.
Aqui em Garibaldi a Maria Fumaça costuma passar duas a três vezes por semana e como moramos próximos à estação do trem, dá pra ouvir o apito de longe. Basta a Maria se aproximar da cidade apitando que o Seu Vicente já levanta o dedo indicador e fala: Tutu!
Independente do que esteja fazendo, corre pra área dos fundos ou em qualquer janela que dê para observar a passagem do trem. É uma alegria sem nenhum constrangimento, tão inocente, tão sincera que chega dar inveja.
Inveja não, vergonha!
Quando o trem passa observo a felicidade do Vicente. Ele lá sorrindo com aquela situação cotidiana, com a simples possibilidade de poder ver uma máquina que solta fumaça e apita. Fico imaginando porque nós adultos vamos perdendo essa ternura, essa fantasia conforme ficamos mais velhos. É uma pena que vamos endurecendo com o tempo, que não consigamos mais sorrir com a simples passagem de um trem. É uma pena que isso aconteça conosco.
Tenho muito a aprender com meu filho!
O auge desse momento ocorre quando o trem passa e solta no ar aquela cortina de fumaça que sai da chaminé.
E logo vem a depressão. Assim que a Maria vai sumindo, a tristeza toma conta. Ele suspira e cheio de sentimento dispara: "Ah, não!"
Fica triste quando ela vai embora.
Quem de nós, adultos, fica triste quando um trem com pessoas que nunca vimos vai embora? Só mesmo uma criança para nos dar esse estalo na consciência. Para nos mostrar que as coisas simples e rotineiras têm sua beleza e que elas valem a pena.
Isso é mágico!
Isso é revigorante!
Pensando bem, o Vi tem razão em se afeiçoar ao Tutu!
terça-feira, 25 de agosto de 2015
Novamente a Helena
A Helena dessa vez veio com tudo!
Entramos na 19ª semana de gravidez (eu me enganei quando disse que a Mara estava com 20 semanas há umas 5 semanas atrás...) e ontem pude sentir pela primeira vez a Helena mexer.
Sim, eu, pois a Mara já sente a pequenina mexendo dentro dela faz algum tempo.
Compartilhei bons momentos com a Mara quando estávamos esperando o Vicente. E também momentos que, acredito, não devem fazer nenhuma falta a ela nessa gestação.
Não faço a menor ideia das sensações que uma mulher grávida têm no decorrer da sua gestação, por outro lado posso imaginar, como espectador, é claro, a felicidade que as mulheres devem sentir quando seus bebês mexem no interior de seu ventre.
Analisando friamente é uma coisa de doido saber que as pessoas um dia mexeram dentro das barrigas de outras pessoas, que se reviraram dentro das barrigas de outras pessoas e assim por diante.
Engraçado pensar que um cara que pouco sorria, como meu avô, saracoteou dentro da barriga da mãe dele!
Imaginem só como deviam se sentir as avós das nossas bisavós, em tempos de pouquíssimas informações sobre de seus rebentos, quando começavam a notar seus ventres tremelicarem por causa de um ser que provavelmente não sabiam o sexo, tampouco o que poderia ser no futuro.
Isso é magico...e maluco ao mesmo tempo!
A Helena ontem se movimentou dentro da Mara e com muita calma pude sentir suas vibrações de leve também na minha mão.
Que sensação maravilhosa sentir minha pequena dando sinais de que está crescendo. Mal a conheço e já me derreto todo por essa menina.
Ah, essa Helena vai dar o que falar!
Entramos na 19ª semana de gravidez (eu me enganei quando disse que a Mara estava com 20 semanas há umas 5 semanas atrás...) e ontem pude sentir pela primeira vez a Helena mexer.
Sim, eu, pois a Mara já sente a pequenina mexendo dentro dela faz algum tempo.
Compartilhei bons momentos com a Mara quando estávamos esperando o Vicente. E também momentos que, acredito, não devem fazer nenhuma falta a ela nessa gestação.
Não faço a menor ideia das sensações que uma mulher grávida têm no decorrer da sua gestação, por outro lado posso imaginar, como espectador, é claro, a felicidade que as mulheres devem sentir quando seus bebês mexem no interior de seu ventre.
Analisando friamente é uma coisa de doido saber que as pessoas um dia mexeram dentro das barrigas de outras pessoas, que se reviraram dentro das barrigas de outras pessoas e assim por diante.
Engraçado pensar que um cara que pouco sorria, como meu avô, saracoteou dentro da barriga da mãe dele!
Imaginem só como deviam se sentir as avós das nossas bisavós, em tempos de pouquíssimas informações sobre de seus rebentos, quando começavam a notar seus ventres tremelicarem por causa de um ser que provavelmente não sabiam o sexo, tampouco o que poderia ser no futuro.
Isso é magico...e maluco ao mesmo tempo!
A Helena ontem se movimentou dentro da Mara e com muita calma pude sentir suas vibrações de leve também na minha mão.
Que sensação maravilhosa sentir minha pequena dando sinais de que está crescendo. Mal a conheço e já me derreto todo por essa menina.
Ah, essa Helena vai dar o que falar!
sexta-feira, 21 de agosto de 2015
Viagens...doce estresse!
Quando eu e a Mara viemos morar em Garibaldi e tínhamos o Marezinho (nosso Celta), ir para Tapejara ou outro lugar qualquer era muito fácil.
Bastava um olhar para o outro e dizer: "Vamos!"
Mas como muita gente sabe, hoje temos o Vicente e em breve virá a Helena. E uma das coisas que muito nos causou estresse - e provavelmente nos causará por um bom tempo - é viajar.
Logo que o Vicente nasceu, ele ia no bebê conforto, super tranquilo dormindo durante boa parte do trajeto.
Bons tempos aqueles!
O tempo passou, o Vicente cresceu e começou a não querer mais ficar no bebê conforto. Passávamos um sufoco, um verdadeiro martírio tentando convencê-lo de que "logo" chegaríamos e que era necessário ficar no seu lugarzinho.
Não adiantava!
Ele gritava, chorava, esperneava e no final da contas era mais fácil pegá-lo no colo (não façam isso em casa!) do que viajar algumas horas com choros e gritos.
Eis que, em uma determinada noite, estávamos em um restaurante aqui em Garibaldi e vimos um casal com seu filho e aquilo que seria a nossa salvação: um DVD portátil!
O pai fazia uma espécie de chantagem com seu filho para que ele comesse. Quando achava que o menino tinha comido relativamente bem, liberava o DVD para a criança. E ela se acalmava de uma maneira, que parecia não estar mais naquela ambiente.
Conosco aconteceu algo parecido. Uma tardinha chuvosa saímos de Garibaldi em direção à Tapejara e o Vicente logo na saída acabou dormindo...por 20 minutos! Quando acordou queria de todo modo sair da cadeirinha e deu início à via crucis que tanto estávamos acostumados, Quando chegamos em Passo Fundo tínhamos que trocar a fralda dele e paramos em um hipermercado para fazer a operação limpeza. Fralda nova, ânimos mais tranquilos, tudo certo até que passamos em frente a uma loja e lá estava nosso objeto dos desejos mais profundo: um DVD portátil!
Compramos o bendito aparelho acreditando que seria nossa "melhor compra" até então. Baita engano!
O Vicente não dava atenção para o aparelho e continuava querendo sair da cadeirinha a todo custo. Uma vez eu disse pra Mara: "Mais uma vez compramos uma coisa por impulso!", mas a verdade é que o Vicente não era, por assim dizer, maduro o suficiente para ficar preso àquelas imagens cheias de cores, movimentos e músicas durante uma viagem inteira. Nós é que idealizamos uma situação sem considerar o fato de que ele era muito novo para aquilo.
Ele cresceu e hoje o DVD é seu (nosso) amigo do peito. Tanto é verdade que algumas vezes saímos de um lado pro outro e não ligamos o aparelho e ele pede para assistir o Patati Patatá ou a trilogia do Toy Story. No momento ele está curtindo o filme Rio.
De fato, as viagens acabaram se tornando menos estressantes com o auxílio desse artefato, porém, acredito que em breve, assim que o Vi começar a falar mais fluentemente, o estresse volte com a famosa frase: "A gente tá chegando?" ou aquela outra: "Falta muito?"
Sem contar que a chegada da Helena nos obrigará pensar em outras alternativas para podermos conhecer novos lugares com um mínimo de dor de cabeça.
Por via das dúvidas, já estou providenciando outro DVD portátil!
Bastava um olhar para o outro e dizer: "Vamos!"
Mas como muita gente sabe, hoje temos o Vicente e em breve virá a Helena. E uma das coisas que muito nos causou estresse - e provavelmente nos causará por um bom tempo - é viajar.
Logo que o Vicente nasceu, ele ia no bebê conforto, super tranquilo dormindo durante boa parte do trajeto.
Bons tempos aqueles!
O tempo passou, o Vicente cresceu e começou a não querer mais ficar no bebê conforto. Passávamos um sufoco, um verdadeiro martírio tentando convencê-lo de que "logo" chegaríamos e que era necessário ficar no seu lugarzinho.
Não adiantava!
Ele gritava, chorava, esperneava e no final da contas era mais fácil pegá-lo no colo (não façam isso em casa!) do que viajar algumas horas com choros e gritos.
Eis que, em uma determinada noite, estávamos em um restaurante aqui em Garibaldi e vimos um casal com seu filho e aquilo que seria a nossa salvação: um DVD portátil!
O pai fazia uma espécie de chantagem com seu filho para que ele comesse. Quando achava que o menino tinha comido relativamente bem, liberava o DVD para a criança. E ela se acalmava de uma maneira, que parecia não estar mais naquela ambiente.
Conosco aconteceu algo parecido. Uma tardinha chuvosa saímos de Garibaldi em direção à Tapejara e o Vicente logo na saída acabou dormindo...por 20 minutos! Quando acordou queria de todo modo sair da cadeirinha e deu início à via crucis que tanto estávamos acostumados, Quando chegamos em Passo Fundo tínhamos que trocar a fralda dele e paramos em um hipermercado para fazer a operação limpeza. Fralda nova, ânimos mais tranquilos, tudo certo até que passamos em frente a uma loja e lá estava nosso objeto dos desejos mais profundo: um DVD portátil!
Compramos o bendito aparelho acreditando que seria nossa "melhor compra" até então. Baita engano!
O Vicente não dava atenção para o aparelho e continuava querendo sair da cadeirinha a todo custo. Uma vez eu disse pra Mara: "Mais uma vez compramos uma coisa por impulso!", mas a verdade é que o Vicente não era, por assim dizer, maduro o suficiente para ficar preso àquelas imagens cheias de cores, movimentos e músicas durante uma viagem inteira. Nós é que idealizamos uma situação sem considerar o fato de que ele era muito novo para aquilo.
Ele cresceu e hoje o DVD é seu (nosso) amigo do peito. Tanto é verdade que algumas vezes saímos de um lado pro outro e não ligamos o aparelho e ele pede para assistir o Patati Patatá ou a trilogia do Toy Story. No momento ele está curtindo o filme Rio.
De fato, as viagens acabaram se tornando menos estressantes com o auxílio desse artefato, porém, acredito que em breve, assim que o Vi começar a falar mais fluentemente, o estresse volte com a famosa frase: "A gente tá chegando?" ou aquela outra: "Falta muito?"
Sem contar que a chegada da Helena nos obrigará pensar em outras alternativas para podermos conhecer novos lugares com um mínimo de dor de cabeça.
Por via das dúvidas, já estou providenciando outro DVD portátil!
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
Pais e filhos Ipsis Litteris
Acho lindo quando uma mulher desfila sua barriga de grávida por aí!
Particularmente acho muito bonito uma mulher grávida. Acredito que seja pelo fato de que não consigo ver apenas o que está ao alcance dos olhos. Vejo uma gestante, independente de sua situação familiar, financeira, de saúde, como uma provável matriarca.
Não há nenhuma possibilidade de que nossos filhos venham ao mundo, pelo menos até agora, sem que uma mulher se responsabilize por carregar nossos herdeiros, parte de nossos genes por uma quantidade considerável de meses, semanas, dias, horas até o tão aguardado momento em que somos diretamente responsáveis por dar ao mundo mais uma geração de seres humanos!
Lembro todos os dias dos momentos que antecederam o nascimento do Vicente e acredito que com a Helena será do mesmo modo.
Espero nunca ter Alzheimer porque essas lembranças são confortantes e motivadoras.
Às vezes a natureza é exigente em demasia com as mulheres e, na minha opinião, especialmente com as mães. Mulheres tem um dispositivo especialmente desenvolvido para garantir a perpetuação da espécie humana, o qual é liberado em média a cada 4 semanas.
Passada a oportunidade, só no próximo ciclo e aí, oportunamente, surgem os incômodos mensais tão bem conhecidos e estudados pela comunidade científica e por que não dizer, também pelos homens.
As mães não passam pelos incômodos mensais enquanto gestam suas crias. Por outro lado são vítimas de um carrossel de sentimentos e sintomas que vão desde a angústia por não conseguir se adaptar às mudanças de seu próprio corpo, passando pelos famosos enjoos e vômitos no início da gravidez e em alguns casos culminando com um árduo trabalho de parto. Tudo em prol dos filhotes que estão se desenvolvendo em seus ventres.
Quando a Mara estava grávida do Vicente eu tentei ser muito solidário com ela. Era sua primeira gestação - minha também - e todas as sensações, boas e más que uma gestação típica poderia ter provocado, a Mara sentiu. Por tempo determinado, ainda bem!
Por situações como essas é que dizem por aí, com certa dose de certeza que uma das grandes incoerências da vida é que a mãe carrega o filho 9 meses e depois sai a cara do pai!
Sair a cara do pai, se fosse filho do Brad Pitt ou do Andy Garcia não seria propriamente um problema. Pior seria se fosse filho do Reginaldo Rossi!
Tenho observado o Vicente com mais calma e isso me permite prestar maior atenção em alguns traços da sua personalidade, especialmente em suas manifestações comportamentais.
Já disse e repito: ele tem muito mais de mim do que eu poderia imaginar!
O guri é irritado quando as coisas não saem como ele imagina, briga quando é contrariado, tenta marcar território falando grosso e na primeira demonstração que ninguém vai cair na lábia dele - que é poderosa, diga-se de passagem - ele tenta o socorro usando sua voz melosa e seu carinho .
Hoje presenciamos uma situação que exemplifica o que acabei de escrever. Vicente vinha correndo até a cozinha para chamar atenção enquanto Mara e eu conversávamos. No princípio demos um pouco de atenção às suas traquinagens, mas depois, como o assunto era sério, ele ia e voltava e nós nem tchum!
Para dar um up na busca por atenção, jogou um de seus brinquedos pela janela que dá para área de serviço. Jogou um, dois, três e antes de jogar o quarto, apontou para fora como se quisesse dizer: "E agora? Alguém tem que pegar pra mim!".
Mas para sua surpresa, ambos dissemos que não haveria possibilidade de pegar os brinquedos, pois eles estavam lá fora. Mais rápido que Usain Bolt, ele olhou para a porta e chamou aquela que na sua opinião seria sua salvação, sua defensora com uma voz tão doce, que se um diabético estivesse por perto poderia passar mal.
"Tataaaaa" - disse ele!
Sobrevivência em primeiro lugar. Meu pai não caiu, minha mãe também não, vou ter que achar alguém que ainda me dê ibope nessa casa.
Por um momento me vi naquele menino querendo chamar atenção e fazendo de tudo para conseguir realizar suas peraltices.
Fui criado pelos meus avós maternos até os 10 anos e não foram poucas às vezes que a Dona Célia passou a mão na minha cabeça quando o Seu Tranquilo dizia não! Várias vezes eu tentei de todas as maneiras persuadir meus tios para que me dessem algo ou me deixassem mexer em alguma coisa e diante das frequentes negativas, recorria à minha super protetora de cabelos brancos e andar arqueado, com cara de coitado e voz de injustiçado a fim de que me ajudasse a fazer o que tanto pretendia. Por muito tempo eu achei que ela acreditava nas minhas encenações, mas acho que ela fazia isso para eu parar de incomodar.
O Vicente também tem esse hábito. Tenta de todas a formas nos persuadir a fazer o que ele quer, por mais que esse querer dure apenas 30 segundos. Usa de todos os métodos para se impôr e lograr êxito naquilo que deseja.
Puxando da memória, trinta e poucos anos atrás, ainda consigo lembrar de um menino lá em Tapejara que era idêntico a ele!
Veremos como a pequena Helena será!
As mães carregam seus bebês em seus ventres, sofrem, dão à luz e os filhos saem idênticos aos pais!
A natureza é demasiada exigente com as mães!
Particularmente acho muito bonito uma mulher grávida. Acredito que seja pelo fato de que não consigo ver apenas o que está ao alcance dos olhos. Vejo uma gestante, independente de sua situação familiar, financeira, de saúde, como uma provável matriarca.
Não há nenhuma possibilidade de que nossos filhos venham ao mundo, pelo menos até agora, sem que uma mulher se responsabilize por carregar nossos herdeiros, parte de nossos genes por uma quantidade considerável de meses, semanas, dias, horas até o tão aguardado momento em que somos diretamente responsáveis por dar ao mundo mais uma geração de seres humanos!
Lembro todos os dias dos momentos que antecederam o nascimento do Vicente e acredito que com a Helena será do mesmo modo.
Espero nunca ter Alzheimer porque essas lembranças são confortantes e motivadoras.
Às vezes a natureza é exigente em demasia com as mulheres e, na minha opinião, especialmente com as mães. Mulheres tem um dispositivo especialmente desenvolvido para garantir a perpetuação da espécie humana, o qual é liberado em média a cada 4 semanas.
Passada a oportunidade, só no próximo ciclo e aí, oportunamente, surgem os incômodos mensais tão bem conhecidos e estudados pela comunidade científica e por que não dizer, também pelos homens.
As mães não passam pelos incômodos mensais enquanto gestam suas crias. Por outro lado são vítimas de um carrossel de sentimentos e sintomas que vão desde a angústia por não conseguir se adaptar às mudanças de seu próprio corpo, passando pelos famosos enjoos e vômitos no início da gravidez e em alguns casos culminando com um árduo trabalho de parto. Tudo em prol dos filhotes que estão se desenvolvendo em seus ventres.
Quando a Mara estava grávida do Vicente eu tentei ser muito solidário com ela. Era sua primeira gestação - minha também - e todas as sensações, boas e más que uma gestação típica poderia ter provocado, a Mara sentiu. Por tempo determinado, ainda bem!
Por situações como essas é que dizem por aí, com certa dose de certeza que uma das grandes incoerências da vida é que a mãe carrega o filho 9 meses e depois sai a cara do pai!
Sair a cara do pai, se fosse filho do Brad Pitt ou do Andy Garcia não seria propriamente um problema. Pior seria se fosse filho do Reginaldo Rossi!
Tenho observado o Vicente com mais calma e isso me permite prestar maior atenção em alguns traços da sua personalidade, especialmente em suas manifestações comportamentais.
Já disse e repito: ele tem muito mais de mim do que eu poderia imaginar!
O guri é irritado quando as coisas não saem como ele imagina, briga quando é contrariado, tenta marcar território falando grosso e na primeira demonstração que ninguém vai cair na lábia dele - que é poderosa, diga-se de passagem - ele tenta o socorro usando sua voz melosa e seu carinho .
Hoje presenciamos uma situação que exemplifica o que acabei de escrever. Vicente vinha correndo até a cozinha para chamar atenção enquanto Mara e eu conversávamos. No princípio demos um pouco de atenção às suas traquinagens, mas depois, como o assunto era sério, ele ia e voltava e nós nem tchum!
Para dar um up na busca por atenção, jogou um de seus brinquedos pela janela que dá para área de serviço. Jogou um, dois, três e antes de jogar o quarto, apontou para fora como se quisesse dizer: "E agora? Alguém tem que pegar pra mim!".
Mas para sua surpresa, ambos dissemos que não haveria possibilidade de pegar os brinquedos, pois eles estavam lá fora. Mais rápido que Usain Bolt, ele olhou para a porta e chamou aquela que na sua opinião seria sua salvação, sua defensora com uma voz tão doce, que se um diabético estivesse por perto poderia passar mal.
"Tataaaaa" - disse ele!
Sobrevivência em primeiro lugar. Meu pai não caiu, minha mãe também não, vou ter que achar alguém que ainda me dê ibope nessa casa.
Por um momento me vi naquele menino querendo chamar atenção e fazendo de tudo para conseguir realizar suas peraltices.
Fui criado pelos meus avós maternos até os 10 anos e não foram poucas às vezes que a Dona Célia passou a mão na minha cabeça quando o Seu Tranquilo dizia não! Várias vezes eu tentei de todas as maneiras persuadir meus tios para que me dessem algo ou me deixassem mexer em alguma coisa e diante das frequentes negativas, recorria à minha super protetora de cabelos brancos e andar arqueado, com cara de coitado e voz de injustiçado a fim de que me ajudasse a fazer o que tanto pretendia. Por muito tempo eu achei que ela acreditava nas minhas encenações, mas acho que ela fazia isso para eu parar de incomodar.
O Vicente também tem esse hábito. Tenta de todas a formas nos persuadir a fazer o que ele quer, por mais que esse querer dure apenas 30 segundos. Usa de todos os métodos para se impôr e lograr êxito naquilo que deseja.
Puxando da memória, trinta e poucos anos atrás, ainda consigo lembrar de um menino lá em Tapejara que era idêntico a ele!
Veremos como a pequena Helena será!
As mães carregam seus bebês em seus ventres, sofrem, dão à luz e os filhos saem idênticos aos pais!
A natureza é demasiada exigente com as mães!
terça-feira, 18 de agosto de 2015
Filhos são uma fábrica de surpresas
Surpresas o tempo todo!
Essa é a rotina aqui em casa.
Desde que nasceu, o Vicente nos surpreende. Aliás, até para nascer o Vi nos surpreendeu. Veio um pouco antes do previsto o danado.
Esse final de semana estava pensando sobre o que escrever aqui e como não tenho nenhuma preocupação com uma "produção literária" significativa, deixei as coisas acontecerem para ver o que dava. Conversando com a Mara sobre o modo como ele se relaciona e resolve seus problemas, pude perfeitamente observar que ele tem meu gênio - irritado e explosivo - quando as coisas não acontecem como planejadas. Em outros momentos contemporiza pequenos objetos com a serenidade de uma bebê recém nascido e ainda em outras situações demonstra um afeto para conosco de uma maneira que eu nunca consegui observar em outra criança.
Como já comentei em outras postagens o Vi está adaptando em uma nova escola e as coisas estão fluindo bem. Bem demais!
Naturalmente como todo pai de primeira viagem, acredito que a preocupação com o desenrolar das situações que envolvem nossos filhos muitas das vezes tendem a rumar para o pior desfecho possível.
Ora, mas qual o problema das coisas darem certo assim, na primeira vez?
Simples. Na tentativa de não sofrer com o resultado, sofremos por antecedência fazendo com que nossos filhos não aprendam com suas próprias experiências. Regra básica da incoerência paterna!
E isso é algo que se aprende diariamente, no amor ou na dor. A escolha é nossa.
Ficamos, Vicente e eu, aproximadamente 10 dias na romaria diária de ir para a escola no intuito de que ele se adaptasse. Chegávamos, eu o estimulava a se deslocar pela escola, interagir com os colegas, brincar, etc... Ele fazia isso e muito mais com extrema maestria, porém, quando a situação exigia que ele se enturmasse e interagisse com quem quer que fosse, voltava correndo para o colo do "Gege".
A questão é óbvia.
Por que me expôr, se tenho meu protetor por perto, que além de me dar abrigo ainda sorri como um bocó com minhas peraltices?
O Vi é louco de esperto. Percebeu na primeira semana que eu não o deixaria passar por outra situação como aquela que aconteceu na outra escola. E, mais uma vez, com seus olhinhos castanhos, sua fala mansinha e seu sorriso meigo, me manipulou.
Ele adora o pátio da escola, mas para ter certeza de que não precisará correr nenhum risco para aproveitar aquele espaço que é seu sonho de consumo, usa uma estratégia digna de James Bond. Chega na porta que dá acesso ao pátio e joga um dos seus carrinhos no gramado. Aguarda um tempo para ter certeza de que ninguém se atreverá a pegar e depois, com uma dissimulação invejável, faz cara de quem, sem opção, precisa buscar seu brinquedo, cara de quem "precisa ir até o pátio buscar seu brum brum".
À primeira vista parece uma atitude manhosa, birrenta, de criança que faz isso de propósito para que alguém lhe sirva. Mas conhecendo bem a figura é possível reconhecer que essa é apenas uma de suas estratégias para poder explorar o ambiente sem correr nenhum risco, pois se alguém resolver juntar o carrinho e lhe devolver, ele fica extremamente irritado. Resumindo: sua tática foi por água abaixo!
Assim ele fez no primeiro, segundo, terceiro, todos os dias em que fomos lá.
A engenhosidade com que ele elabora sua estratégia de defesa e resiliência é uma questão básica e simples que todo ser humano tem: a sobrevivência.
Não lembro dessa minha fase, mas acredito que com 2 anos eu ainda comia areia!
Outra situação que me deixou de queixo caído foi uma tarde na pracinha. Ele foi com a babá até uma pracinha perto de casa. Chegando lá, encontrou um semelhante - outro menino com aproximadamente a mesma idade. Ambos se olharam e como não poderia acontecer de outro modo, quiseram o brinquedo do outro. Numa atitude de cordialidade e diplomacia, trocaram seus respectivos carrinhos, brincaram cada um à sua maneira e ao final, o amigo devolveu o brinquedo do Vi e pegou o seu, pois estava na hora de ir pra casa.
Não sei se isso acontece a todo momento, mas para mim, é possível que muitos adultos racionais e esclarecidos não ajam dessa maneira. O que dirá crianças com menos de 2 anos!
Vicente está, do seu jeito e com algumas limitações é claro, elaborando suas estratégias de sobrevivência. Essa é para mim uma conquista sem igual para sua formação como sujeito.
O danado está crescendo e se virando.
E nós, percebendo que ele logo vai sair dos nossos colos e ganhar o mundo.
Filhos são surpreendentes não é mesmo?
Essa é a rotina aqui em casa.
Desde que nasceu, o Vicente nos surpreende. Aliás, até para nascer o Vi nos surpreendeu. Veio um pouco antes do previsto o danado.
Esse final de semana estava pensando sobre o que escrever aqui e como não tenho nenhuma preocupação com uma "produção literária" significativa, deixei as coisas acontecerem para ver o que dava. Conversando com a Mara sobre o modo como ele se relaciona e resolve seus problemas, pude perfeitamente observar que ele tem meu gênio - irritado e explosivo - quando as coisas não acontecem como planejadas. Em outros momentos contemporiza pequenos objetos com a serenidade de uma bebê recém nascido e ainda em outras situações demonstra um afeto para conosco de uma maneira que eu nunca consegui observar em outra criança.
Como já comentei em outras postagens o Vi está adaptando em uma nova escola e as coisas estão fluindo bem. Bem demais!
Naturalmente como todo pai de primeira viagem, acredito que a preocupação com o desenrolar das situações que envolvem nossos filhos muitas das vezes tendem a rumar para o pior desfecho possível.
Ora, mas qual o problema das coisas darem certo assim, na primeira vez?
Simples. Na tentativa de não sofrer com o resultado, sofremos por antecedência fazendo com que nossos filhos não aprendam com suas próprias experiências. Regra básica da incoerência paterna!
E isso é algo que se aprende diariamente, no amor ou na dor. A escolha é nossa.
Ficamos, Vicente e eu, aproximadamente 10 dias na romaria diária de ir para a escola no intuito de que ele se adaptasse. Chegávamos, eu o estimulava a se deslocar pela escola, interagir com os colegas, brincar, etc... Ele fazia isso e muito mais com extrema maestria, porém, quando a situação exigia que ele se enturmasse e interagisse com quem quer que fosse, voltava correndo para o colo do "Gege".
A questão é óbvia.
Por que me expôr, se tenho meu protetor por perto, que além de me dar abrigo ainda sorri como um bocó com minhas peraltices?
O Vi é louco de esperto. Percebeu na primeira semana que eu não o deixaria passar por outra situação como aquela que aconteceu na outra escola. E, mais uma vez, com seus olhinhos castanhos, sua fala mansinha e seu sorriso meigo, me manipulou.
Ele adora o pátio da escola, mas para ter certeza de que não precisará correr nenhum risco para aproveitar aquele espaço que é seu sonho de consumo, usa uma estratégia digna de James Bond. Chega na porta que dá acesso ao pátio e joga um dos seus carrinhos no gramado. Aguarda um tempo para ter certeza de que ninguém se atreverá a pegar e depois, com uma dissimulação invejável, faz cara de quem, sem opção, precisa buscar seu brinquedo, cara de quem "precisa ir até o pátio buscar seu brum brum".
À primeira vista parece uma atitude manhosa, birrenta, de criança que faz isso de propósito para que alguém lhe sirva. Mas conhecendo bem a figura é possível reconhecer que essa é apenas uma de suas estratégias para poder explorar o ambiente sem correr nenhum risco, pois se alguém resolver juntar o carrinho e lhe devolver, ele fica extremamente irritado. Resumindo: sua tática foi por água abaixo!
Assim ele fez no primeiro, segundo, terceiro, todos os dias em que fomos lá.
A engenhosidade com que ele elabora sua estratégia de defesa e resiliência é uma questão básica e simples que todo ser humano tem: a sobrevivência.
Não lembro dessa minha fase, mas acredito que com 2 anos eu ainda comia areia!
Outra situação que me deixou de queixo caído foi uma tarde na pracinha. Ele foi com a babá até uma pracinha perto de casa. Chegando lá, encontrou um semelhante - outro menino com aproximadamente a mesma idade. Ambos se olharam e como não poderia acontecer de outro modo, quiseram o brinquedo do outro. Numa atitude de cordialidade e diplomacia, trocaram seus respectivos carrinhos, brincaram cada um à sua maneira e ao final, o amigo devolveu o brinquedo do Vi e pegou o seu, pois estava na hora de ir pra casa.
Não sei se isso acontece a todo momento, mas para mim, é possível que muitos adultos racionais e esclarecidos não ajam dessa maneira. O que dirá crianças com menos de 2 anos!
Vicente está, do seu jeito e com algumas limitações é claro, elaborando suas estratégias de sobrevivência. Essa é para mim uma conquista sem igual para sua formação como sujeito.
O danado está crescendo e se virando.
E nós, percebendo que ele logo vai sair dos nossos colos e ganhar o mundo.
Filhos são surpreendentes não é mesmo?
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
Um pouco da nossa pequena (e aguardada) Helena
Eu escrevo tanto sobre o Vicente que até parece que esse é apenas sobre ele.
Mas não é!
Como todo pai que se preze, sei que devo aprender a dividir tudo entre os filhos para que cada um tenha sua devida participação.
Embora - até agora - a Helena pouco tenha participado ativamente da movimentação deste canal de comunicação, ela é assunto de todas as horas aqui em casa.
Em um texto anterior disse que o Vicente foi a grande surpresa da minha vida. Na verdade não foi!
A grande surpresa da minha vida é, sem dúvida nenhuma, a Helena.
Se dependesse da minha intuição paterna, quem deveria ter 2 anos agora era ela.
Quando estávamos esperando o Vicente uma noite sonhei que teria uma menina e na manhã seguinte eu disse pra Mara:
Vamos ter uma menina! Eu sonhei que estava com uma menina recém nascida no colo e quando dei um beijo nela, senti o gosto. Olha o nível da auto-sugestão!
Tinha tanta certeza que teríamos uma menina que quando a médica confirmou que intuição paterna não funcionava, tive que juntar meu queixo no chão.
O Vicente está crescendo e de certo modo a rotina aqui em casa estava se ajustando quando de repente, num relance eis que surge a confirmação. Outro bebê à caminho!
Desta vez a surpresa foi para a Mara que "tinha certeza" de que seria mais um menino.
Toda vez que lembro desse momento penso no Alcemar dizendo: "Errrrrooouuuu!"
Logo que a gravidez se confirmou, tivemos nosso momento de paranoia. Eu fiquei completamente sem imaginar o que fazer (como se pudesse fazer algo diferente além de aceitar) e fiquei o dia inteiro completamente fora do ar. A Mara em alguns momentos olhava para o Vi e pensava que estávamos sendo desonestos com ele, afinal de contas tão pequeno e já iria perder algo conosco, algo que era apenas dele, a partir de agora teria de compartilhar. Sentimentos confusos. O bárbaro dessa história toda é que tínhamos gerado um novo ser, uma nova pessoa, um outro alguém que viria ao mundo para iluminar a vida de outras pessoas além de nós mesmos. A lógica da vida estava se materializando novamente aqui em casa. Isso é lindo pra caramba e não tem preço!
A Helena está aproximadamente com 20 semanas e mede em torno de 15 cm. Resumindo, crescendo normalmente.
Sou obrigado a confessar que ter uma filha é uma coisa que me agrada muito. Tenho uma certa predileção por meninas e até o momento não parei para pensar que algum dia um cara usando uma calça saruel de boné virado pro lado com um carro rebaixado ouvindo músicas indecifráveis vai parar na frente da minha casa e me chamar para conversar sobre a relação que ele quer ter com a Helena.
Se é que esse tipo de conversa ainda existirá daqui uns 37 anos!
Não, nunca pensei nisso!!!
Torço com veemência para que meus filhos tenham uma boa relação entre si e que sejam de fato amigos, companheiros e que possam sonhar juntos com uma vida proveitosa. Para que possam colaborar um com o outro em seus projetos, por mais malucos que eles sejam e por mais que seus pais digam que não. Desejo que eles deem suportem um ao outro e aprendam, apesar da dureza do mundo, que a vida existe para ser vivida e não sobrevivida!
terça-feira, 11 de agosto de 2015
O dia dos pais
Até o nascimento do Vicente, o dia dos pais para mim era um dia cinza.
Bom, o fato de dizer isso é que eu nunca passei o dia dos pais com o meu pai!
Nunca tive a presença dele nesse dia e foram poucas as vezes que estive com ele em outros dias também.
Quando criança não compreendia porque tinha que desenhar e pintar gravatas no colégio e entregar para meu avô, meus tios ou para meu padrasto - fui criado e educado por eles.
Era muito estranho!
Sem contar nos dias de natal e aniversário que me perguntavam:
O que teu pai de teu de presente?
Meio sem saber como responder eu dizia:
Meu avô me deu um carrinho e meu tio me deu uma bola!
Era o que tinha para o momento.
Na real, quando criança meu pai, teoricamente, não fazia falta...teoricamente!
Meus modelos de pai acabaram sendo pessoas muito boas e ajudaram a formar minha personalidade no que sou hoje.
O preço da ausência começou a ser cobrado mais adiante quando entrei na adolescência e se estendeu até a fase adulta.
Já mencionei em outras postagens que o nascimento do Vi foi um divisor de águas na minha vida. É claro que a gente sempre aprende com esses pequenos. Quem disser o contrário ou não está aproveitando o momento ou não entende a lógica da vida que nos coloca na parede para um exercício de auto-crítica e reavaliação de decisões e atos.
Hoje me vejo ainda uma pessoa sem parâmetros para avaliar minhas atitudes como pai, o que me coloca em uma situação constante de dúvidas sobre estar sendo justo ou coerente nas minhas decisões que envolvam o Vicente e a partir de janeiro, a Helena.
Domingo foi meu terceiro dia dos pais com meu filho.
O primeiro ele era recém-nascido e o nosso momento juntos foi uma mamada em meu colo...jamais esquecerei!
O segundo dia dos pais ele tava meio doentinho e comungamos nosso dia dos pais um cuidando do outro. Sim, porque o Vicente cuida e me policia para que eu continue me moldando como pai. Ele é extremamente eficaz nessa tarefa.
Nesse último dia dos pais fomos na pracinha, apenas ele e eu.
Quisera eu ter tido um momento desses com meu pai na infância!
Não sou hipócrita em afirmar a todo momento que criar e educar um filho é uma facilidade igual aos contos de fadas e livros de receitas educacionais! Quem tem um ou mais sabe que não é assim. Temos nossos momentos de atritos e, confesso, algumas vezes chego a me exceder na falta da paciência.
Logo depois vem a auto-crítica e a reflexão que me leva a olhar para dentro e pensar um zilhão de vezes que ele está crescendo, passando pelo que os especialistas - ao menos dizem que são especialistas - chamam de Terrible Twos e que provavelmente eu fui igual...ou pior!
O dia dos pais, para mim é todos os dias. Sim, é um chavão, eu sei, mas o dia de ser pai não é num domingo de sol, de programas felizes e de gravatinhas pintadas com lápis de cor que não conseguem ficar dentro das linhas.
O dia de ser pai normalmente é à noite, às vezes de madrugada, na corrida ao pronto atendimento quando o filho arde em febre, no choro contido no dia das vacinas, na vontade de dizer Sim ao invés do tão famoso e necessário Não, na vontade de atirar tudo pra cima e dizer para os entendidos de plantão que eu educo meu filho como eu quiser e não como uma meia dúzia de revistas especializadas no assunto querem que eu molde ele!
O dia de ser pai é todo dia, pois todo dia nossos pequenos carecem da nossa presença.
Se realmente estou certo quanto à isso, então posso afirmar: Tenho sido um bom pai!
Um forte - emocionado - abraço.
Roges
Bom, o fato de dizer isso é que eu nunca passei o dia dos pais com o meu pai!
Nunca tive a presença dele nesse dia e foram poucas as vezes que estive com ele em outros dias também.
Quando criança não compreendia porque tinha que desenhar e pintar gravatas no colégio e entregar para meu avô, meus tios ou para meu padrasto - fui criado e educado por eles.
Era muito estranho!
Sem contar nos dias de natal e aniversário que me perguntavam:
O que teu pai de teu de presente?
Meio sem saber como responder eu dizia:
Meu avô me deu um carrinho e meu tio me deu uma bola!
Era o que tinha para o momento.
Na real, quando criança meu pai, teoricamente, não fazia falta...teoricamente!
Meus modelos de pai acabaram sendo pessoas muito boas e ajudaram a formar minha personalidade no que sou hoje.
O preço da ausência começou a ser cobrado mais adiante quando entrei na adolescência e se estendeu até a fase adulta.
Já mencionei em outras postagens que o nascimento do Vi foi um divisor de águas na minha vida. É claro que a gente sempre aprende com esses pequenos. Quem disser o contrário ou não está aproveitando o momento ou não entende a lógica da vida que nos coloca na parede para um exercício de auto-crítica e reavaliação de decisões e atos.
Hoje me vejo ainda uma pessoa sem parâmetros para avaliar minhas atitudes como pai, o que me coloca em uma situação constante de dúvidas sobre estar sendo justo ou coerente nas minhas decisões que envolvam o Vicente e a partir de janeiro, a Helena.
Domingo foi meu terceiro dia dos pais com meu filho.
O primeiro ele era recém-nascido e o nosso momento juntos foi uma mamada em meu colo...jamais esquecerei!
O segundo dia dos pais ele tava meio doentinho e comungamos nosso dia dos pais um cuidando do outro. Sim, porque o Vicente cuida e me policia para que eu continue me moldando como pai. Ele é extremamente eficaz nessa tarefa.
Nesse último dia dos pais fomos na pracinha, apenas ele e eu.
Quisera eu ter tido um momento desses com meu pai na infância!
Não sou hipócrita em afirmar a todo momento que criar e educar um filho é uma facilidade igual aos contos de fadas e livros de receitas educacionais! Quem tem um ou mais sabe que não é assim. Temos nossos momentos de atritos e, confesso, algumas vezes chego a me exceder na falta da paciência.
Logo depois vem a auto-crítica e a reflexão que me leva a olhar para dentro e pensar um zilhão de vezes que ele está crescendo, passando pelo que os especialistas - ao menos dizem que são especialistas - chamam de Terrible Twos e que provavelmente eu fui igual...ou pior!
O dia dos pais, para mim é todos os dias. Sim, é um chavão, eu sei, mas o dia de ser pai não é num domingo de sol, de programas felizes e de gravatinhas pintadas com lápis de cor que não conseguem ficar dentro das linhas.
O dia de ser pai normalmente é à noite, às vezes de madrugada, na corrida ao pronto atendimento quando o filho arde em febre, no choro contido no dia das vacinas, na vontade de dizer Sim ao invés do tão famoso e necessário Não, na vontade de atirar tudo pra cima e dizer para os entendidos de plantão que eu educo meu filho como eu quiser e não como uma meia dúzia de revistas especializadas no assunto querem que eu molde ele!
O dia de ser pai é todo dia, pois todo dia nossos pequenos carecem da nossa presença.
Se realmente estou certo quanto à isso, então posso afirmar: Tenho sido um bom pai!
Um forte - emocionado - abraço.
Roges
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
A dificuldade do desapego
Sim, é muito difícil!
Desapegar é um verbo bastante em voga na atualidade, dadas às circunstâncias mais diversas.
Desapegamos de roupas e calçados em prol de pessoas que não tem nem um nem outro.
Desapegamos de certos hábitos que não nos acrescentam absolutamente um centimo de felicidade.
Desapegamos de dar amor aos filhos porque o pensamento corrente é que devemos proporcionar a eles um ambiente que possam crescer e considerar a crueza do mundo cão em que ousamos incluí-los.
Opa, não...pera!
Desapegar de um filho é uma vilania, na minha humilde e honesta opinião.
Podemos pensar como Darwinistas e tentar ainda considerar que o homem, apesar das inúmeras e significativas evoluções das sociedades mundo afora, continua sua saga de caçador/coletor saindo de casa para trabalhar e prover o lar com recursos que propiciem conforto e bem estar às suas famílias.
Sim, podemos.
O que não podemos mais aceitar é que por causa disso seu papel na educação e na doação de amor aos filhos pode ser subestimada. Ah, isso não!
O mais irônico dessa ode ao desapego é que o sucesso costuma brindar com louros de vitórias exatamente àqueles que em sua infância apresentaram maior apego, tanto com os pais como com seus semelhantes.
É fato!
É estatístico!
Estamos com uma nova missão aqui em casa. Com a chegada da Helena, é importante proporcionarmos ao Vicente novas formas de interação com crianças ao mesmo tempo que ele vá se adequando à rotina escolar. Dentro de alguns anos ele terá obrigatoriamente que ir à escola e seria muito bom que quando esse tempo chegar, já esteja familiarizado com essa rotina de ver os profes, coleguinhas, temas de casa, aulas disso, daquilo e aquele outro.
Faz pouco mais de 1 semana que vou diariamente à escola nova. Estamos em processo de adaptação.
Não sei se vocês lembram, mas ele teve uma experiência traumática em outra escola.
Pois bem, os primeiros dias na nova escola foram de muito choro logo na chegada. O tempo passou e de certo modo ele está bem mais tranquilo. Não chora mais, não faz mais beiço. Se solta pelo pátio para brincar e até se enturmou - de leve - com uma turma de colegas maiores e mais velhos.
Houve até um dia essa semana que passávamos em frente à escola e ele fez um escândalo...porque queria entrar!!!
Foram necessários muita paciência e ótimos argumentos da Mara para explicar que o horário de ir para a escola não era exatamente aquele...vai entender!
A questão do desapego que me refiro é o fato de que nos últimos 2 dias ele não tem demonstrado mais aquela "determinação" em se soltar pela escola. O apego com o pai, que fica na sala de espera tem sido maior que a vontade de brincar e conhecer os colegas.
Não que ele não sinta vontade de correr e desbravar os espaços da escola. Isso, o danado tem de sobra. O X da questão é que ele aparentemente não está muito à vontade com a possibilidade de ficar sozinho novamente em um local repleto de pessoas que ainda não conhece bem.
Perfeitamente compreensível!
Acredito que o grande problema sou eu. Tento da melhor maneira possível estimulá-lo a se juntar com os coleguinhas, ir junto com a profe pra lá e pra cá, mas como tenho o hábito de idealizar as coisas acabo me apegando na possibilidade de "dar tudo certo dessa vez".
Quanta ingenuidade!
Parte de mim quer que ele consiga se adaptar e não se sinta inseguro, sozinho naquele ambiente novo.
Outra parte sente um aperto no coração quando ele vai pra porta e diz "Omo" (Vamos) e começa a chorar porque quer ir pra casa brincar com o "Bum Bum" (Carrinho) e o "Gol" (Bola).
Tento ser insensível às suas tentativas, muito bem sucedidas por sinal, de me manipular em inúmeras oportunidades mas também sei que crianças que se frustram serão adultos felizes.
Como dosar isso?
Como me desapegar do sentimento de querer acolhê-lo a todo momento que se sentir inseguro e deixá-lo sentir e se inserir em seu próprio mundo?
Enquanto isso, segunda feira voltaremos à escola para mais uma tentativa de adaptação.
Abraços a todos.
Roges
Desapegar é um verbo bastante em voga na atualidade, dadas às circunstâncias mais diversas.
Desapegamos de roupas e calçados em prol de pessoas que não tem nem um nem outro.
Desapegamos de certos hábitos que não nos acrescentam absolutamente um centimo de felicidade.
Desapegamos de dar amor aos filhos porque o pensamento corrente é que devemos proporcionar a eles um ambiente que possam crescer e considerar a crueza do mundo cão em que ousamos incluí-los.
Opa, não...pera!
Desapegar de um filho é uma vilania, na minha humilde e honesta opinião.
Podemos pensar como Darwinistas e tentar ainda considerar que o homem, apesar das inúmeras e significativas evoluções das sociedades mundo afora, continua sua saga de caçador/coletor saindo de casa para trabalhar e prover o lar com recursos que propiciem conforto e bem estar às suas famílias.
Sim, podemos.
O que não podemos mais aceitar é que por causa disso seu papel na educação e na doação de amor aos filhos pode ser subestimada. Ah, isso não!
O mais irônico dessa ode ao desapego é que o sucesso costuma brindar com louros de vitórias exatamente àqueles que em sua infância apresentaram maior apego, tanto com os pais como com seus semelhantes.
É fato!
É estatístico!
Estamos com uma nova missão aqui em casa. Com a chegada da Helena, é importante proporcionarmos ao Vicente novas formas de interação com crianças ao mesmo tempo que ele vá se adequando à rotina escolar. Dentro de alguns anos ele terá obrigatoriamente que ir à escola e seria muito bom que quando esse tempo chegar, já esteja familiarizado com essa rotina de ver os profes, coleguinhas, temas de casa, aulas disso, daquilo e aquele outro.
Faz pouco mais de 1 semana que vou diariamente à escola nova. Estamos em processo de adaptação.
Não sei se vocês lembram, mas ele teve uma experiência traumática em outra escola.
Pois bem, os primeiros dias na nova escola foram de muito choro logo na chegada. O tempo passou e de certo modo ele está bem mais tranquilo. Não chora mais, não faz mais beiço. Se solta pelo pátio para brincar e até se enturmou - de leve - com uma turma de colegas maiores e mais velhos.
Houve até um dia essa semana que passávamos em frente à escola e ele fez um escândalo...porque queria entrar!!!
Foram necessários muita paciência e ótimos argumentos da Mara para explicar que o horário de ir para a escola não era exatamente aquele...vai entender!
A questão do desapego que me refiro é o fato de que nos últimos 2 dias ele não tem demonstrado mais aquela "determinação" em se soltar pela escola. O apego com o pai, que fica na sala de espera tem sido maior que a vontade de brincar e conhecer os colegas.
Não que ele não sinta vontade de correr e desbravar os espaços da escola. Isso, o danado tem de sobra. O X da questão é que ele aparentemente não está muito à vontade com a possibilidade de ficar sozinho novamente em um local repleto de pessoas que ainda não conhece bem.
Perfeitamente compreensível!
Acredito que o grande problema sou eu. Tento da melhor maneira possível estimulá-lo a se juntar com os coleguinhas, ir junto com a profe pra lá e pra cá, mas como tenho o hábito de idealizar as coisas acabo me apegando na possibilidade de "dar tudo certo dessa vez".
Quanta ingenuidade!
Parte de mim quer que ele consiga se adaptar e não se sinta inseguro, sozinho naquele ambiente novo.
Outra parte sente um aperto no coração quando ele vai pra porta e diz "Omo" (Vamos) e começa a chorar porque quer ir pra casa brincar com o "Bum Bum" (Carrinho) e o "Gol" (Bola).
Tento ser insensível às suas tentativas, muito bem sucedidas por sinal, de me manipular em inúmeras oportunidades mas também sei que crianças que se frustram serão adultos felizes.
Como dosar isso?
Como me desapegar do sentimento de querer acolhê-lo a todo momento que se sentir inseguro e deixá-lo sentir e se inserir em seu próprio mundo?
Enquanto isso, segunda feira voltaremos à escola para mais uma tentativa de adaptação.
Abraços a todos.
Roges
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
Vicente, o ser humano!
Gosto de escrever sobre meus filhos.
Gosto de escrever também sobre minha relação com eles - embora um ainda esteja esperando a chegada da Helena.
Fico me deleitando com as peripécias do Vicente e como me surpreendo com algumas iniciativas dele. Tempos atrás ele queria pegar um objeto, não lembro qual, em cima da lareira e para minha surpresa, supostamente pareceu esquecer daquilo.
Normalmente o Vicente é bastante empenhado em conseguir o que deseja.
Eu que o diga com relação ao colo! Ele dá uns tapinha no sofá, insinuando para eu me sentar pois quer colo.
Mas nesse dia ele saiu em busca de um outro objeto e parecia não encontrá-lo em lugar algum. De repente retornou com uma espécie de banco, o qual utilizou para lograr êxito em sua obstinada tarefa.
E me deu uma lição de moral ainda por cima!
"Às vezes é vantagem dar um tempo antes de prosseguir em busca do sucesso".
Esse Vicente é mais sabido que o Augusto Cury e Roberto Shiniashiki juntos!
Muitas das artes que ele apronta fico sabendo a posteriori pelos relatos da Mara ou da babá dele.
Hoje foi, talvez, o dia da arte mais safada de todas. Aquela que fez daquele ingênuo menino de 2 anos um ser humano ardiloso, capaz de tudo para conseguir seus objetivos. Sejam eles quais forem.
Hoje ele mentiu pela primeira vez!
E pior...ao final da história teve a audácia de dar uma gargalhada ao melhor estilo "Enganei você!"
Pela manhã eu fui ao mercado e enquanto estava fora ele foi chamar a babá e dizia "Gege", ao mesmo tempo que apontava para a porta (para quem não se lembra ele me chama de Gege).
A babá perguntou se alguém tinha batido na porta e descaradamente ele confirmou com um "É" bem convincente.
Ao abrir a porta -naturalmente não havia ninguém - ele se largou a dar gargalhadas para a babá.
Se isso acontecesse em outras épocas, bem provável que eu ficasse com uma pulga atrás da orelha com essa mentirinha.
Por outro lado, a articulação dessas circunstâncias me faz ver que o Vicente é pra lá de danado ao mesmo tempo que consegue conjecturar situações que deixariam até mesmo Piaget de boca aberta, quando considera a chegada de alguém sem ao menos ter ouvido algum som.
É ou não é uma demonstração considerável da complexidade humana?
Abraços a todos!
Roges
Gosto de escrever também sobre minha relação com eles - embora um ainda esteja esperando a chegada da Helena.
Fico me deleitando com as peripécias do Vicente e como me surpreendo com algumas iniciativas dele. Tempos atrás ele queria pegar um objeto, não lembro qual, em cima da lareira e para minha surpresa, supostamente pareceu esquecer daquilo.
Normalmente o Vicente é bastante empenhado em conseguir o que deseja.
Eu que o diga com relação ao colo! Ele dá uns tapinha no sofá, insinuando para eu me sentar pois quer colo.
Mas nesse dia ele saiu em busca de um outro objeto e parecia não encontrá-lo em lugar algum. De repente retornou com uma espécie de banco, o qual utilizou para lograr êxito em sua obstinada tarefa.
E me deu uma lição de moral ainda por cima!
"Às vezes é vantagem dar um tempo antes de prosseguir em busca do sucesso".
Esse Vicente é mais sabido que o Augusto Cury e Roberto Shiniashiki juntos!
Muitas das artes que ele apronta fico sabendo a posteriori pelos relatos da Mara ou da babá dele.
Hoje foi, talvez, o dia da arte mais safada de todas. Aquela que fez daquele ingênuo menino de 2 anos um ser humano ardiloso, capaz de tudo para conseguir seus objetivos. Sejam eles quais forem.
Hoje ele mentiu pela primeira vez!
E pior...ao final da história teve a audácia de dar uma gargalhada ao melhor estilo "Enganei você!"
Pela manhã eu fui ao mercado e enquanto estava fora ele foi chamar a babá e dizia "Gege", ao mesmo tempo que apontava para a porta (para quem não se lembra ele me chama de Gege).
A babá perguntou se alguém tinha batido na porta e descaradamente ele confirmou com um "É" bem convincente.
Ao abrir a porta -naturalmente não havia ninguém - ele se largou a dar gargalhadas para a babá.
Se isso acontecesse em outras épocas, bem provável que eu ficasse com uma pulga atrás da orelha com essa mentirinha.
Por outro lado, a articulação dessas circunstâncias me faz ver que o Vicente é pra lá de danado ao mesmo tempo que consegue conjecturar situações que deixariam até mesmo Piaget de boca aberta, quando considera a chegada de alguém sem ao menos ter ouvido algum som.
É ou não é uma demonstração considerável da complexidade humana?
Abraços a todos!
Roges
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Filhos crescendo
O final de semana aqui em casa foi de bons momentos. Na verdade, não foi aqui em casa, e sim, na casa de nossos pais - avós do Vicente...e da nossa mais nova paixão, Helena.
Como viajo muito a trabalho durante o semestre letivo da universidade, decidimos ir a Tapejara ver nossos pais e concomitantemente, aproximar o Vicente dos tios e primos!
É muito engraçado ir a Tapejara porque o Vicente literalmente se transforma!
Corre sem parar, pula, grita, agita e agora que aprendeu a abrir o portão da casa dos meus sogros, nos dá tchau (Thau) e sai caminhando tranquilamente em direção ao pasto para brincar e correr atrás das ovelhas e cachorros do meu sogro. Chega o final do dia está acabado. Mas não se entrega e se alguém convida para mais uma bagunça: negócio fechado!
No final das contas não se sabe quem corre mais, se ele atrás dos primos e da bicharada, ou nós, tentando garantir que ele consiga aproveitar todo o gás sem se machucar.
Na casa da outra vó também não tem moleza não! Chegando lá, vira os brinquedos no chão, espalha tudo o que vê pela frente e sai pela casa mexendo em tudo, absolutamente tudo o que está ao alcance da mão. E lá vou eu, inutilmente, ajeitar as coisas no seu devido lugar...quanta ingenuidade!
Fico muito feliz vendo ele agitar dessa maneira.
Das lembranças da minha infância, ás vezes chego a ter pena da minha avó que esperava eu chegar ao final da tarde, após horas a fio andando de bicicleta, jogando bolita e bafo na rua sem nenhuma notícia. Simplesmente levantava da mesa após o almoço e avisava "Vou andar de bicicleta"... e sumia!
Às vezes rolava umas briguinhas de moleque quando perdia as bolitas ou as figurinhas.
Às vezes chegava em casa com algumas "recordações" da rua.
Às vezes levava umas chineladas do meu avô.
Hoje começo a ver que o Vicente é definitivamente muito mais parecido comigo do que poderia imaginar. Quando é contestado, joga o que tiver nas mãos no chão e sai resmungando alto para que todos vejam o quanto está frustrado e bravo!
No fundo isso é altamente educativo. Saber reagir às frustrações e ver que nem tudo acontece ao seu bel prazer, faz do Vicente um sujeito que dia após dia constrói sua resiliência e começa a ver que seu lugar entre nós vai além das brincadeiras e risadas. Como pai, tenho uma vontade imensa de fazer com que tudo dê certo para ele, mas agindo dessa forma eu estaria sabotando seu crescimento e a evolução da sua personalidade.
Mas o final de semana não foi apenas o Vicente e suas peripécias. Com aproximadamente 18 semanas, Helena deu o primeiro sinal perceptível de sua existência no ventre da Mara. Estávamos sentados na área da casa dos meus sogros quando de repente ela comentou:
-Acho que a pequena começou a se mexer!
Hoje à tarde estava tentando me recordar quando foi a primeira vez que o Vicente se mexeu e encontrei no diário que escrevemos da gestação dele a seguinte informação escrita pela Mara.
Garibaldi, 08 de março de 2013.
Vicente, hoje pela primeira vez senti você mexer dentro da minha barriga. Estava sentada em frente ao computador quando senti você, meu amor!
A emoção que senti foi indescritível e será a primeira coisa que contarei ao teu pai quando ele chegar em casa.
Te amo muito me guri! Beijos da mamãe!
Se coubesse a mim, escrever uma nota sobre os primeiros movimentos da Helena, acredito que seria mais ou menos dessa forma:
Tapejara, 01 de agosto de 2015.
Helena, minha filha!
Como você cresceu! Estás tão grande que a mamãe pôde sentir teu corpinho se mexer dentro dela e isso foi emocionante demais, especialmente para mim.
Estamos ansiosos para que mexas cada vez mais, minha pequena, e eu especialmente não vejo a hora de te pegar no colo e te encher de beijos.
Te amo!
Beijos do papai.
Vida de pai tem desses momentos únicos.
Como não se emocionar vendo nossas crias, nossos filhotes crescendo, tendo vontades próprias e reagindo das formas mais diversas às solicitações que a vida lhes impõe?
Forte abraço.
Roges
Como viajo muito a trabalho durante o semestre letivo da universidade, decidimos ir a Tapejara ver nossos pais e concomitantemente, aproximar o Vicente dos tios e primos!
É muito engraçado ir a Tapejara porque o Vicente literalmente se transforma!
Corre sem parar, pula, grita, agita e agora que aprendeu a abrir o portão da casa dos meus sogros, nos dá tchau (Thau) e sai caminhando tranquilamente em direção ao pasto para brincar e correr atrás das ovelhas e cachorros do meu sogro. Chega o final do dia está acabado. Mas não se entrega e se alguém convida para mais uma bagunça: negócio fechado!
No final das contas não se sabe quem corre mais, se ele atrás dos primos e da bicharada, ou nós, tentando garantir que ele consiga aproveitar todo o gás sem se machucar.
Na casa da outra vó também não tem moleza não! Chegando lá, vira os brinquedos no chão, espalha tudo o que vê pela frente e sai pela casa mexendo em tudo, absolutamente tudo o que está ao alcance da mão. E lá vou eu, inutilmente, ajeitar as coisas no seu devido lugar...quanta ingenuidade!
Fico muito feliz vendo ele agitar dessa maneira.
Das lembranças da minha infância, ás vezes chego a ter pena da minha avó que esperava eu chegar ao final da tarde, após horas a fio andando de bicicleta, jogando bolita e bafo na rua sem nenhuma notícia. Simplesmente levantava da mesa após o almoço e avisava "Vou andar de bicicleta"... e sumia!
Às vezes rolava umas briguinhas de moleque quando perdia as bolitas ou as figurinhas.
Às vezes chegava em casa com algumas "recordações" da rua.
Às vezes levava umas chineladas do meu avô.
Hoje começo a ver que o Vicente é definitivamente muito mais parecido comigo do que poderia imaginar. Quando é contestado, joga o que tiver nas mãos no chão e sai resmungando alto para que todos vejam o quanto está frustrado e bravo!
No fundo isso é altamente educativo. Saber reagir às frustrações e ver que nem tudo acontece ao seu bel prazer, faz do Vicente um sujeito que dia após dia constrói sua resiliência e começa a ver que seu lugar entre nós vai além das brincadeiras e risadas. Como pai, tenho uma vontade imensa de fazer com que tudo dê certo para ele, mas agindo dessa forma eu estaria sabotando seu crescimento e a evolução da sua personalidade.
Mas o final de semana não foi apenas o Vicente e suas peripécias. Com aproximadamente 18 semanas, Helena deu o primeiro sinal perceptível de sua existência no ventre da Mara. Estávamos sentados na área da casa dos meus sogros quando de repente ela comentou:
-Acho que a pequena começou a se mexer!
Hoje à tarde estava tentando me recordar quando foi a primeira vez que o Vicente se mexeu e encontrei no diário que escrevemos da gestação dele a seguinte informação escrita pela Mara.
Garibaldi, 08 de março de 2013.
Vicente, hoje pela primeira vez senti você mexer dentro da minha barriga. Estava sentada em frente ao computador quando senti você, meu amor!
A emoção que senti foi indescritível e será a primeira coisa que contarei ao teu pai quando ele chegar em casa.
Te amo muito me guri! Beijos da mamãe!
Se coubesse a mim, escrever uma nota sobre os primeiros movimentos da Helena, acredito que seria mais ou menos dessa forma:
Tapejara, 01 de agosto de 2015.
Helena, minha filha!
Como você cresceu! Estás tão grande que a mamãe pôde sentir teu corpinho se mexer dentro dela e isso foi emocionante demais, especialmente para mim.
Estamos ansiosos para que mexas cada vez mais, minha pequena, e eu especialmente não vejo a hora de te pegar no colo e te encher de beijos.
Te amo!
Beijos do papai.
Vida de pai tem desses momentos únicos.
Como não se emocionar vendo nossas crias, nossos filhotes crescendo, tendo vontades próprias e reagindo das formas mais diversas às solicitações que a vida lhes impõe?
Forte abraço.
Roges
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