terça-feira, 11 de agosto de 2015

O dia dos pais

Até o nascimento do Vicente, o dia dos pais para mim era um dia cinza.
Bom, o fato de dizer isso é que eu nunca passei o dia dos pais com o meu pai!
Nunca tive a presença dele nesse dia e foram poucas as vezes que estive com ele em outros dias também.
Quando criança não compreendia porque tinha que desenhar e pintar gravatas no colégio e entregar para meu avô, meus tios ou para meu padrasto - fui criado e educado por eles.
Era muito estranho!
Sem contar nos dias de natal e aniversário que me perguntavam:
O que teu pai de teu de presente?
Meio sem saber como responder eu dizia:
Meu avô me deu um carrinho e meu tio me deu uma bola!
Era o que tinha para o momento.
Na real, quando criança meu pai, teoricamente, não fazia falta...teoricamente!
Meus modelos de pai acabaram sendo pessoas muito boas e ajudaram a formar minha personalidade no que sou hoje.
O preço da ausência começou a ser cobrado mais adiante quando entrei na adolescência e se estendeu até a fase adulta.
Já mencionei em outras postagens que o nascimento do Vi foi um divisor de águas na minha vida. É claro que a gente sempre aprende com esses pequenos. Quem disser o contrário ou não está aproveitando o momento ou não entende a lógica da vida que nos coloca na parede para um exercício de auto-crítica e reavaliação de decisões e atos.
Hoje me vejo ainda uma pessoa sem parâmetros para avaliar minhas atitudes como pai, o que me coloca em uma situação constante de dúvidas sobre estar sendo justo ou coerente nas minhas decisões que envolvam o Vicente e a partir de janeiro, a Helena.
Domingo foi meu terceiro dia dos pais com meu filho.
O primeiro ele era recém-nascido e o nosso momento juntos foi uma mamada em meu colo...jamais esquecerei!
O segundo dia dos pais ele tava meio doentinho e comungamos nosso dia dos pais um cuidando do outro. Sim, porque o Vicente cuida e me policia para que eu continue me moldando como pai. Ele é extremamente eficaz nessa tarefa.
Nesse último dia dos pais fomos na pracinha, apenas ele e eu.
Quisera eu ter tido um momento desses com meu pai na infância!
Não sou hipócrita em afirmar a todo momento que criar e educar um filho é uma facilidade igual aos contos de fadas e livros de receitas educacionais! Quem tem um ou mais sabe que não é assim. Temos nossos momentos de atritos e, confesso, algumas vezes chego a me exceder na falta da paciência.
Logo depois vem a auto-crítica e a reflexão que me leva a olhar para dentro e pensar um zilhão de vezes que ele está crescendo, passando pelo que os especialistas - ao menos dizem que são especialistas - chamam de Terrible Twos e que provavelmente eu fui igual...ou pior!
O dia dos pais, para mim é todos os dias. Sim, é um chavão, eu sei, mas o dia de ser pai não é num domingo de sol, de programas felizes e de gravatinhas pintadas com lápis de cor que não conseguem ficar dentro das linhas.
O dia de ser pai normalmente é à noite, às vezes de madrugada, na corrida ao pronto atendimento quando o filho arde em febre, no choro contido no dia das vacinas, na vontade de dizer Sim ao invés do tão famoso e necessário Não, na vontade de atirar tudo pra cima e dizer para os entendidos de plantão que eu educo meu filho como eu quiser e não como uma meia dúzia de revistas especializadas no assunto querem que eu molde ele!
O dia de ser pai é todo dia, pois todo dia nossos pequenos carecem da nossa presença.
Se realmente estou certo quanto à isso, então posso afirmar: Tenho sido um bom pai!
Um forte - emocionado - abraço.
Roges

Um comentário:

  1. Roges, você é um pai maravilhoso, amoroso e PRESENTE!!! Não é à toa que você e Vi sejam tão cúmplices e parceiros e que ele seja tão agarrado á ti. Te amamos.

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