Acho lindo quando uma mulher desfila sua barriga de grávida por aí!
Particularmente acho muito bonito uma mulher grávida. Acredito que seja pelo fato de que não consigo ver apenas o que está ao alcance dos olhos. Vejo uma gestante, independente de sua situação familiar, financeira, de saúde, como uma provável matriarca.
Não há nenhuma possibilidade de que nossos filhos venham ao mundo, pelo menos até agora, sem que uma mulher se responsabilize por carregar nossos herdeiros, parte de nossos genes por uma quantidade considerável de meses, semanas, dias, horas até o tão aguardado momento em que somos diretamente responsáveis por dar ao mundo mais uma geração de seres humanos!
Lembro todos os dias dos momentos que antecederam o nascimento do Vicente e acredito que com a Helena será do mesmo modo.
Espero nunca ter Alzheimer porque essas lembranças são confortantes e motivadoras.
Às vezes a natureza é exigente em demasia com as mulheres e, na minha opinião, especialmente com as mães. Mulheres tem um dispositivo especialmente desenvolvido para garantir a perpetuação da espécie humana, o qual é liberado em média a cada 4 semanas.
Passada a oportunidade, só no próximo ciclo e aí, oportunamente, surgem os incômodos mensais tão bem conhecidos e estudados pela comunidade científica e por que não dizer, também pelos homens.
As mães não passam pelos incômodos mensais enquanto gestam suas crias. Por outro lado são vítimas de um carrossel de sentimentos e sintomas que vão desde a angústia por não conseguir se adaptar às mudanças de seu próprio corpo, passando pelos famosos enjoos e vômitos no início da gravidez e em alguns casos culminando com um árduo trabalho de parto. Tudo em prol dos filhotes que estão se desenvolvendo em seus ventres.
Quando a Mara estava grávida do Vicente eu tentei ser muito solidário com ela. Era sua primeira gestação - minha também - e todas as sensações, boas e más que uma gestação típica poderia ter provocado, a Mara sentiu. Por tempo determinado, ainda bem!
Por situações como essas é que dizem por aí, com certa dose de certeza que uma das grandes incoerências da vida é que a mãe carrega o filho 9 meses e depois sai a cara do pai!
Sair a cara do pai, se fosse filho do Brad Pitt ou do Andy Garcia não seria propriamente um problema. Pior seria se fosse filho do Reginaldo Rossi!
Tenho observado o Vicente com mais calma e isso me permite prestar maior atenção em alguns traços da sua personalidade, especialmente em suas manifestações comportamentais.
Já disse e repito: ele tem muito mais de mim do que eu poderia imaginar!
O guri é irritado quando as coisas não saem como ele imagina, briga quando é contrariado, tenta marcar território falando grosso e na primeira demonstração que ninguém vai cair na lábia dele - que é poderosa, diga-se de passagem - ele tenta o socorro usando sua voz melosa e seu carinho .
Hoje presenciamos uma situação que exemplifica o que acabei de escrever. Vicente vinha correndo até a cozinha para chamar atenção enquanto Mara e eu conversávamos. No princípio demos um pouco de atenção às suas traquinagens, mas depois, como o assunto era sério, ele ia e voltava e nós nem tchum!
Para dar um up na busca por atenção, jogou um de seus brinquedos pela janela que dá para área de serviço. Jogou um, dois, três e antes de jogar o quarto, apontou para fora como se quisesse dizer: "E agora? Alguém tem que pegar pra mim!".
Mas para sua surpresa, ambos dissemos que não haveria possibilidade de pegar os brinquedos, pois eles estavam lá fora. Mais rápido que Usain Bolt, ele olhou para a porta e chamou aquela que na sua opinião seria sua salvação, sua defensora com uma voz tão doce, que se um diabético estivesse por perto poderia passar mal.
"Tataaaaa" - disse ele!
Sobrevivência em primeiro lugar. Meu pai não caiu, minha mãe também não, vou ter que achar alguém que ainda me dê ibope nessa casa.
Por um momento me vi naquele menino querendo chamar atenção e fazendo de tudo para conseguir realizar suas peraltices.
Fui criado pelos meus avós maternos até os 10 anos e não foram poucas às vezes que a Dona Célia passou a mão na minha cabeça quando o Seu Tranquilo dizia não! Várias vezes eu tentei de todas as maneiras persuadir meus tios para que me dessem algo ou me deixassem mexer em alguma coisa e diante das frequentes negativas, recorria à minha super protetora de cabelos brancos e andar arqueado, com cara de coitado e voz de injustiçado a fim de que me ajudasse a fazer o que tanto pretendia. Por muito tempo eu achei que ela acreditava nas minhas encenações, mas acho que ela fazia isso para eu parar de incomodar.
O Vicente também tem esse hábito. Tenta de todas a formas nos persuadir a fazer o que ele quer, por mais que esse querer dure apenas 30 segundos. Usa de todos os métodos para se impôr e lograr êxito naquilo que deseja.
Puxando da memória, trinta e poucos anos atrás, ainda consigo lembrar de um menino lá em Tapejara que era idêntico a ele!
Veremos como a pequena Helena será!
As mães carregam seus bebês em seus ventres, sofrem, dão à luz e os filhos saem idênticos aos pais!
A natureza é demasiada exigente com as mães!
Nenhum comentário:
Postar um comentário