Sim, é muito difícil!
Desapegar é um verbo bastante em voga na atualidade, dadas às circunstâncias mais diversas.
Desapegamos de roupas e calçados em prol de pessoas que não tem nem um nem outro.
Desapegamos de certos hábitos que não nos acrescentam absolutamente um centimo de felicidade.
Desapegamos de dar amor aos filhos porque o pensamento corrente é que devemos proporcionar a eles um ambiente que possam crescer e considerar a crueza do mundo cão em que ousamos incluí-los.
Opa, não...pera!
Desapegar de um filho é uma vilania, na minha humilde e honesta opinião.
Podemos pensar como Darwinistas e tentar ainda considerar que o homem, apesar das inúmeras e significativas evoluções das sociedades mundo afora, continua sua saga de caçador/coletor saindo de casa para trabalhar e prover o lar com recursos que propiciem conforto e bem estar às suas famílias.
Sim, podemos.
O que não podemos mais aceitar é que por causa disso seu papel na educação e na doação de amor aos filhos pode ser subestimada. Ah, isso não!
O mais irônico dessa ode ao desapego é que o sucesso costuma brindar com louros de vitórias exatamente àqueles que em sua infância apresentaram maior apego, tanto com os pais como com seus semelhantes.
É fato!
É estatístico!
Estamos com uma nova missão aqui em casa. Com a chegada da Helena, é importante proporcionarmos ao Vicente novas formas de interação com crianças ao mesmo tempo que ele vá se adequando à rotina escolar. Dentro de alguns anos ele terá obrigatoriamente que ir à escola e seria muito bom que quando esse tempo chegar, já esteja familiarizado com essa rotina de ver os profes, coleguinhas, temas de casa, aulas disso, daquilo e aquele outro.
Faz pouco mais de 1 semana que vou diariamente à escola nova. Estamos em processo de adaptação.
Não sei se vocês lembram, mas ele teve uma experiência traumática em outra escola.
Pois bem, os primeiros dias na nova escola foram de muito choro logo na chegada. O tempo passou e de certo modo ele está bem mais tranquilo. Não chora mais, não faz mais beiço. Se solta pelo pátio para brincar e até se enturmou - de leve - com uma turma de colegas maiores e mais velhos.
Houve até um dia essa semana que passávamos em frente à escola e ele fez um escândalo...porque queria entrar!!!
Foram necessários muita paciência e ótimos argumentos da Mara para explicar que o horário de ir para a escola não era exatamente aquele...vai entender!
A questão do desapego que me refiro é o fato de que nos últimos 2 dias ele não tem demonstrado mais aquela "determinação" em se soltar pela escola. O apego com o pai, que fica na sala de espera tem sido maior que a vontade de brincar e conhecer os colegas.
Não que ele não sinta vontade de correr e desbravar os espaços da escola. Isso, o danado tem de sobra. O X da questão é que ele aparentemente não está muito à vontade com a possibilidade de ficar sozinho novamente em um local repleto de pessoas que ainda não conhece bem.
Perfeitamente compreensível!
Acredito que o grande problema sou eu. Tento da melhor maneira possível estimulá-lo a se juntar com os coleguinhas, ir junto com a profe pra lá e pra cá, mas como tenho o hábito de idealizar as coisas acabo me apegando na possibilidade de "dar tudo certo dessa vez".
Quanta ingenuidade!
Parte de mim quer que ele consiga se adaptar e não se sinta inseguro, sozinho naquele ambiente novo.
Outra parte sente um aperto no coração quando ele vai pra porta e diz "Omo" (Vamos) e começa a chorar porque quer ir pra casa brincar com o "Bum Bum" (Carrinho) e o "Gol" (Bola).
Tento ser insensível às suas tentativas, muito bem sucedidas por sinal, de me manipular em inúmeras oportunidades mas também sei que crianças que se frustram serão adultos felizes.
Como dosar isso?
Como me desapegar do sentimento de querer acolhê-lo a todo momento que se sentir inseguro e deixá-lo sentir e se inserir em seu próprio mundo?
Enquanto isso, segunda feira voltaremos à escola para mais uma tentativa de adaptação.
Abraços a todos.
Roges
Verdades! Concordo com minha irmã Marlene! Bjs.
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