O final de semana aqui em casa foi de bons momentos. Na verdade, não foi aqui em casa, e sim, na casa de nossos pais - avós do Vicente...e da nossa mais nova paixão, Helena.
Como viajo muito a trabalho durante o semestre letivo da universidade, decidimos ir a Tapejara ver nossos pais e concomitantemente, aproximar o Vicente dos tios e primos!
É muito engraçado ir a Tapejara porque o Vicente literalmente se transforma!
Corre sem parar, pula, grita, agita e agora que aprendeu a abrir o portão da casa dos meus sogros, nos dá tchau (Thau) e sai caminhando tranquilamente em direção ao pasto para brincar e correr atrás das ovelhas e cachorros do meu sogro. Chega o final do dia está acabado. Mas não se entrega e se alguém convida para mais uma bagunça: negócio fechado!
No final das contas não se sabe quem corre mais, se ele atrás dos primos e da bicharada, ou nós, tentando garantir que ele consiga aproveitar todo o gás sem se machucar.
Na casa da outra vó também não tem moleza não! Chegando lá, vira os brinquedos no chão, espalha tudo o que vê pela frente e sai pela casa mexendo em tudo, absolutamente tudo o que está ao alcance da mão. E lá vou eu, inutilmente, ajeitar as coisas no seu devido lugar...quanta ingenuidade!
Fico muito feliz vendo ele agitar dessa maneira.
Das lembranças da minha infância, ás vezes chego a ter pena da minha avó que esperava eu chegar ao final da tarde, após horas a fio andando de bicicleta, jogando bolita e bafo na rua sem nenhuma notícia. Simplesmente levantava da mesa após o almoço e avisava "Vou andar de bicicleta"... e sumia!
Às vezes rolava umas briguinhas de moleque quando perdia as bolitas ou as figurinhas.
Às vezes chegava em casa com algumas "recordações" da rua.
Às vezes levava umas chineladas do meu avô.
Hoje começo a ver que o Vicente é definitivamente muito mais parecido comigo do que poderia imaginar. Quando é contestado, joga o que tiver nas mãos no chão e sai resmungando alto para que todos vejam o quanto está frustrado e bravo!
No fundo isso é altamente educativo. Saber reagir às frustrações e ver que nem tudo acontece ao seu bel prazer, faz do Vicente um sujeito que dia após dia constrói sua resiliência e começa a ver que seu lugar entre nós vai além das brincadeiras e risadas. Como pai, tenho uma vontade imensa de fazer com que tudo dê certo para ele, mas agindo dessa forma eu estaria sabotando seu crescimento e a evolução da sua personalidade.
Mas o final de semana não foi apenas o Vicente e suas peripécias. Com aproximadamente 18 semanas, Helena deu o primeiro sinal perceptível de sua existência no ventre da Mara. Estávamos sentados na área da casa dos meus sogros quando de repente ela comentou:
-Acho que a pequena começou a se mexer!
Hoje à tarde estava tentando me recordar quando foi a primeira vez que o Vicente se mexeu e encontrei no diário que escrevemos da gestação dele a seguinte informação escrita pela Mara.
Garibaldi, 08 de março de 2013.
Vicente, hoje pela primeira vez senti você mexer dentro da minha barriga. Estava sentada em frente ao computador quando senti você, meu amor!
A emoção que senti foi indescritível e será a primeira coisa que contarei ao teu pai quando ele chegar em casa.
Te amo muito me guri! Beijos da mamãe!
Se coubesse a mim, escrever uma nota sobre os primeiros movimentos da Helena, acredito que seria mais ou menos dessa forma:
Tapejara, 01 de agosto de 2015.
Helena, minha filha!
Como você cresceu! Estás tão grande que a mamãe pôde sentir teu corpinho se mexer dentro dela e isso foi emocionante demais, especialmente para mim.
Estamos ansiosos para que mexas cada vez mais, minha pequena, e eu especialmente não vejo a hora de te pegar no colo e te encher de beijos.
Te amo!
Beijos do papai.
Vida de pai tem desses momentos únicos.
Como não se emocionar vendo nossas crias, nossos filhotes crescendo, tendo vontades próprias e reagindo das formas mais diversas às solicitações que a vida lhes impõe?
Forte abraço.
Roges
Enchi os olhos de lágrimas. Muito emocionante! Amo vcs todos!
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