Fim de ano e, como de costume, me pego em muitos momentos pensando no que o ano que agora está em contagem regressiva trouxe de bom.
Invariavelmente, até pouco tempo atrás meu balanço se resumia em analisar os planos que fiz em dezembro do ano anterior e confrontá-los com os objetivos efetivamente realizados durante o ano corrente.
Desde 2013 essa estratégia mudou. Me sentia muito frustrado por verificar que menos de 30% dos objetivos que eu mesmo idealizava era de fato alcançados.
Digo desde 2013 porque foi o ano que o Vicente nasceu e como já mencionei várias vezes nessas postagens, ele foi um divisor de águas na minha vida.
Nada de planos ousados e nem de idealizações. Apenas viver todos os dias tentando buscar o melhor para todos.
Esse ano de 2015 foi realmente um ano de muitas realizações - e muitas batalhas também. Logo na virada do ano a Mara teve de fazer uma cirurgia de emergência e ficamos de "férias forçadas" em Tapejara por uns 20 dias. Na volta para Garibaldi o Vicente ficou uns 40 dias com seu ritmo completamente bagunçado. Dormia às 21hs e acordava à 1hs da manhã e permanecia acordado querendo brincar até às 5hs...foi dose!
Sem contar que o Toy Story passava direto na TV para acalmar o baixinho.
Chegava dar um certo medo quando chegávamos próximo das 21 hs.
Como dizem os mais entendidos...é fase!
A fase demorou, mas passou e logo ele se ajustou a uma nova rotina que estabelecemos aqui em casa e quando tudo parecia organizado, veio a notícia que balançou nossas vidas novamente: a querida - e inesperada - Helena estava a caminho!
Mudanças de planos, mudanças de ritmos. Tudo o que a chegada de um novo integrante pode causar em uma família.
Pensamos em colocar o Vicente em uma escola e foi um desastre!
Falta de sensibilidade, falta de tato, falta de profissionalismo...junte tudo isso, bata num liquidificador e o resultado será a experiência desagradabilíssima que nosso filho passou.
Helena crescendo, o tempo passando, Vicente trocando de escola...mas ainda dormindo no nosso quarto.
A nova escola veio juntamente com quilos de desconfiança por parte do Vi. Foram aproximadamente 3 semanas indo e vindo com ele na escola, na tal fase de adaptação. Parecia que não ia rolar, mas no final, apesar das manhas para não se desgrudar da gente, o baixinho está adaptado e recentemente foi "promovido" a trocar de turma. Junto com a adaptação veio a socialização e também o aumento do vocabulário, todos de forma exponencial. Obrigado às profes que proporcionaram essa evolução ao nosso filhote.
Faltava a mudança para o seu próprio cantinho. E isso veio mais fácil do que imaginávamos.
Hoje nem pensar em dormir na cama dos pais novamente. O que ele quer é ficar no seu quarto Montessori brincando e dormindo agarrado com seus brinquedos na sua caminha nova.
Que ano!
Que mudanças!
Que alegria!
De todas essas situações, provavelmente a mais importante delas eu não pude estar presente: a estreia do Vicente nas artes cênicas!
Comemoração de final de ano na escola e o filhote atua como coadjuvante na peça "Colona é a Nona!"
Muita emoção num ano só...e sem contar que nas próximas 3 semanas novas emoções nos aguardam.
Abraços a todos e votos de Boas Festas e venturoso 2016.
Volto quando a Helena tiver nascido.
Roges, Mara, Vicente e Helena (de dentro da barriga)
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
Quem é do bem faz um bem!!!
Eu recebi um vídeo dos meus alunos de estágio pelo grupo do whatsapp.
Esse vídeo traduz muito o que eu penso e por que não dizer, o que eu gostaria que meus filhos fossem.
Lógico que querer que os filhos sejam algo idealizado por nós acaba sendo uma maneira de coerção da sua própria personalidade. A Mara e eu conversamos frequentemente sobre essas situações em que pais frustrados impõem compromissos e metas nas vidas dos filhos.
Mas esse caso é diferente - pelo menos eu prefiro pensar assim.
Quando o Vicente está dormindo, frequentemente me pego pensando em como será que ele vai ser com as pessoas.
Ser uma pessoa honesta, decente, idônea são coisas que a gente ensina em casa. Mas, para mim, as maiores qualidades que um ser humano pode ter são a generosidade e a humanidade.
Ser generoso com quem não tem as mesmas condições que você é uma demonstração de caráter. Agir em prol de causas realmente importantes para o coletivo é uma prova de que a racionalidade nos fez colocar o ego e a vaidade em segundo plano, pois existe gente que precisa muito de nossa contribuição. de nossa ajuda.
Eu costumo dizer que o grupo é opressor, seja ele o grupo que for. Melhor que a rima é a constatação de uma verdade. Gosto de gente, e nesse caso, de crianças, que destoam do seu grupo. Obviamente, todo diferente acaba pagando um preço por ser do jeito que é. A vida é assim mesmo.
Não espero que o Vicente e a Helena sejam completamente diferentes dos seus semelhantes. Gostaria, do fundo do coração, que eles tivessem demonstrações sinceras de afetividade e compaixão pelas pessoas que nem conheçam.
Lembro uma vez na minha infância que estava andando de bicicleta na praça lá em Tapejara. Lembro de um menino que estava lá sentado em um banco, sozinho. Cheguei perto dele e sem perguntar seu nome, ofereci minha bicicleta para ele dar uma volta. Ele me parecia tão triste, tão sem ninguém que perguntei se queria ser meu amigo. Durante um bom tempo brincávamos todas as tardes e o mais impressionante de tudo isso é que nunca soube seu nome.
Fazer o bem sem olhar a quem. Fazer o bem sem esperar a compreensão de ninguém. Eu espero que essa seja a herança que eu deixe pros meus filhos!
Abraços sinceros e emocionados.
Roges
Esse vídeo traduz muito o que eu penso e por que não dizer, o que eu gostaria que meus filhos fossem.
Lógico que querer que os filhos sejam algo idealizado por nós acaba sendo uma maneira de coerção da sua própria personalidade. A Mara e eu conversamos frequentemente sobre essas situações em que pais frustrados impõem compromissos e metas nas vidas dos filhos.
Mas esse caso é diferente - pelo menos eu prefiro pensar assim.
Quando o Vicente está dormindo, frequentemente me pego pensando em como será que ele vai ser com as pessoas.
Ser uma pessoa honesta, decente, idônea são coisas que a gente ensina em casa. Mas, para mim, as maiores qualidades que um ser humano pode ter são a generosidade e a humanidade.
Ser generoso com quem não tem as mesmas condições que você é uma demonstração de caráter. Agir em prol de causas realmente importantes para o coletivo é uma prova de que a racionalidade nos fez colocar o ego e a vaidade em segundo plano, pois existe gente que precisa muito de nossa contribuição. de nossa ajuda.
Eu costumo dizer que o grupo é opressor, seja ele o grupo que for. Melhor que a rima é a constatação de uma verdade. Gosto de gente, e nesse caso, de crianças, que destoam do seu grupo. Obviamente, todo diferente acaba pagando um preço por ser do jeito que é. A vida é assim mesmo.
Não espero que o Vicente e a Helena sejam completamente diferentes dos seus semelhantes. Gostaria, do fundo do coração, que eles tivessem demonstrações sinceras de afetividade e compaixão pelas pessoas que nem conheçam.
Lembro uma vez na minha infância que estava andando de bicicleta na praça lá em Tapejara. Lembro de um menino que estava lá sentado em um banco, sozinho. Cheguei perto dele e sem perguntar seu nome, ofereci minha bicicleta para ele dar uma volta. Ele me parecia tão triste, tão sem ninguém que perguntei se queria ser meu amigo. Durante um bom tempo brincávamos todas as tardes e o mais impressionante de tudo isso é que nunca soube seu nome.
Fazer o bem sem olhar a quem. Fazer o bem sem esperar a compreensão de ninguém. Eu espero que essa seja a herança que eu deixe pros meus filhos!
Abraços sinceros e emocionados.
Roges
quarta-feira, 11 de novembro de 2015
O cantinho das crianças e outras histórias
Um tempo atrás eu escrevi aqui que nós estávamos planejando montar um quarto para o Vicente.
Tínhamos visto umas camas para comprar - ele até tinha ganhado uma do primo Tiago - e no final das contas nos apaixonamos por um modelo de quarto chamado Montessoriano.
A ideia do quarto Montessoriano é excelente. Essa proposta permite que a criança tenha tudo ao seu alcance: brinquedos, calçados e até mesmo levantar da cama a hora que bem entender.
Pra ter uma ideia, o Vicente esses dias queria amoçar no quarto novo!
Pois bem...dias atrás montamos o quarto do Seu Vicente e já começamos a pensar se ele iria gostar e mais do que isso, se iria querer dormir no seu quarto.
A verdade é que o Vicente poucas vezes dormiu no berço dele. Muitas vezes dormimos todos juntos, outras vezes ele dormia com a Mara e algumas vezes comigo.
Meu deus, mas e a intimidade do casal como fica? A propósito, Helena está a caminho, se é que isso responde a pergunta.
Pois então.
Sofrendo - costumeiramente- por antecedência, imaginamos que a transição seria um caos. Que ele não iria dormir, que iria chorar, espernear, migrar pro nosso quarto, etc...
Mas não!
Logo na primeira noite a Mara convidou ele para dormir. Deu tchau pra Peppa Pig e lá se foi, sozinho, cheio de determinação, dormir no seu quarto novo.
O detalhe da situação é que ainda estamos em fase de transição. Dormimos no quarto dele, com ele. Essa semana a fase 2 entrará em ação quando a Mara deixará de acompanhá-lo nas noites. Próximo passo é deixar que ele durma sozinho, mas para isso é necessário que ele se sinta seguro e sinceramente não temos a menos pressa.
Hoje também foi o dia de iniciar os preparativos para o quarto da Helena. Analisando friamente o berço do Vicente é demasiado grande e pouco versátil. Compramos um mini berço que vai funcionar como uma cama ambulante. Tem rodinhas e vai andar de lá pra cá quando ela for pequena.
O lado bom desses mini berços é que são desmontáveis e assim podemos colocá-los tanto na sala ou quartos como na sacada, caso esteja um dia agradável.
Fico imaginando a disputa de territórios entre eles dentro do quarto com tatames e brinquedos. Vai ser um deus nos acuda, mas tudo bem...faz parte!
Abaixo algumas fotinhos do Vicente no quarto novo.
Outras histórias curtas
Hoje estávamos esperando a Mara sair do mercado.
Eu estava perguntando ao Vicente sobre a escola:
- Como é o nome da tua profe?
- Nessa (Vanessa).
- Como tu chama ela?
- Nessaaaa.
- Fala de novo.
- Novo!
Com essa resposta inocente e direta ele simplesmente acabou comigo.
_________________________________________________________________________________
Sábado à tarde ele estava bem cansado e dormiu. A Mara também aproveitou a ideia e fez seu descanso. Eu fui estudar.
Mais tarde quando ela acordou, ficamos conversando e eu disse:
- Vamos aproveitar que ele está dormindo e namorar um pouco. Se bem que tô com a impressão de que daqui a pouco o Vicente vai chorar e acordar.
Foi o tempo de terminar a frase quando escutei o barulhos daqueles pezinhos adentrando a sala. Sentou no sofá, pegou umas bolinhas de chocolate, comeu, nos olhou com a maior naturalidade e mandou beijo.
Simples assim.
Como se estivesse na sala há horas.
Cada dia uma nova e surpreendente situação.
Forte abraço a todos.
Roges
Tínhamos visto umas camas para comprar - ele até tinha ganhado uma do primo Tiago - e no final das contas nos apaixonamos por um modelo de quarto chamado Montessoriano.
A ideia do quarto Montessoriano é excelente. Essa proposta permite que a criança tenha tudo ao seu alcance: brinquedos, calçados e até mesmo levantar da cama a hora que bem entender.
Pra ter uma ideia, o Vicente esses dias queria amoçar no quarto novo!
Pois bem...dias atrás montamos o quarto do Seu Vicente e já começamos a pensar se ele iria gostar e mais do que isso, se iria querer dormir no seu quarto.
A verdade é que o Vicente poucas vezes dormiu no berço dele. Muitas vezes dormimos todos juntos, outras vezes ele dormia com a Mara e algumas vezes comigo.
Meu deus, mas e a intimidade do casal como fica? A propósito, Helena está a caminho, se é que isso responde a pergunta.
Pois então.
Sofrendo - costumeiramente- por antecedência, imaginamos que a transição seria um caos. Que ele não iria dormir, que iria chorar, espernear, migrar pro nosso quarto, etc...
Mas não!
Logo na primeira noite a Mara convidou ele para dormir. Deu tchau pra Peppa Pig e lá se foi, sozinho, cheio de determinação, dormir no seu quarto novo.
O detalhe da situação é que ainda estamos em fase de transição. Dormimos no quarto dele, com ele. Essa semana a fase 2 entrará em ação quando a Mara deixará de acompanhá-lo nas noites. Próximo passo é deixar que ele durma sozinho, mas para isso é necessário que ele se sinta seguro e sinceramente não temos a menos pressa.
Hoje também foi o dia de iniciar os preparativos para o quarto da Helena. Analisando friamente o berço do Vicente é demasiado grande e pouco versátil. Compramos um mini berço que vai funcionar como uma cama ambulante. Tem rodinhas e vai andar de lá pra cá quando ela for pequena.
O lado bom desses mini berços é que são desmontáveis e assim podemos colocá-los tanto na sala ou quartos como na sacada, caso esteja um dia agradável.
Fico imaginando a disputa de territórios entre eles dentro do quarto com tatames e brinquedos. Vai ser um deus nos acuda, mas tudo bem...faz parte!
Abaixo algumas fotinhos do Vicente no quarto novo.
Outras histórias curtas
Hoje estávamos esperando a Mara sair do mercado.
Eu estava perguntando ao Vicente sobre a escola:
- Como é o nome da tua profe?
- Nessa (Vanessa).
- Como tu chama ela?
- Nessaaaa.
- Fala de novo.
- Novo!
Com essa resposta inocente e direta ele simplesmente acabou comigo.
_________________________________________________________________________________
Sábado à tarde ele estava bem cansado e dormiu. A Mara também aproveitou a ideia e fez seu descanso. Eu fui estudar.
Mais tarde quando ela acordou, ficamos conversando e eu disse:
- Vamos aproveitar que ele está dormindo e namorar um pouco. Se bem que tô com a impressão de que daqui a pouco o Vicente vai chorar e acordar.
Foi o tempo de terminar a frase quando escutei o barulhos daqueles pezinhos adentrando a sala. Sentou no sofá, pegou umas bolinhas de chocolate, comeu, nos olhou com a maior naturalidade e mandou beijo.
Simples assim.
Como se estivesse na sala há horas.
Cada dia uma nova e surpreendente situação.
Forte abraço a todos.
Roges
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
Histórias que acontecem todos os dias
Esse vídeo mexeu comigo, assim como o livro que ele escreveu.
Para quem já é pai ou espera um filho as palavras do Piangers, sobre como é gratificante cuidar de alguém, refletem uma verdade pura e ao meu ver muito bem colocada.
Ao contrário do meu pai, sou um agraciado por poder conviver com meu filho - e em breve com minha filha - e acompanhar todas suas histórias e sua evolução desde seus primeiros momentos que era um bebê que mal conseguia respirar (sim, o Vicente nasceu com um probleminha respiratório e tive que esconder de todo mundo que estava tudo na mais perfeita ordem) até os dias de hoje quando prefere trocar um colo para ver o Tutu (trem) ou a Peppa Pig na televisão.
Esse é sem dúvida alguma, meu maior papel.
Minha herança para meus filhos será de certa forma tudo aquilo que vivi e que tirei como aprendizado sobre "o que fazer" e "como não fazer" certas coisas, inclusive como respeitar as pessoas e a não se resignar diante da crueza do mundo.
Meus filhos são a bateria alcalina do meu dia a dia!!!
Um caloroso abraço!
Roges
Para quem já é pai ou espera um filho as palavras do Piangers, sobre como é gratificante cuidar de alguém, refletem uma verdade pura e ao meu ver muito bem colocada.
Ao contrário do meu pai, sou um agraciado por poder conviver com meu filho - e em breve com minha filha - e acompanhar todas suas histórias e sua evolução desde seus primeiros momentos que era um bebê que mal conseguia respirar (sim, o Vicente nasceu com um probleminha respiratório e tive que esconder de todo mundo que estava tudo na mais perfeita ordem) até os dias de hoje quando prefere trocar um colo para ver o Tutu (trem) ou a Peppa Pig na televisão.
Esse é sem dúvida alguma, meu maior papel.
Minha herança para meus filhos será de certa forma tudo aquilo que vivi e que tirei como aprendizado sobre "o que fazer" e "como não fazer" certas coisas, inclusive como respeitar as pessoas e a não se resignar diante da crueza do mundo.
Meus filhos são a bateria alcalina do meu dia a dia!!!
Um caloroso abraço!
Roges
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Felicidade dos amigos é nossa felicidade também!
Sim, quando os amigos ficam felizes nós também ficamos.
Quando eu e a Mara tomamos a decisão de termos o Vicente, não demorou muito para se confirmar a gravidez. Foram 2 meses - se não me engano - para que a coisa se consumasse.
Naturalmente não é assim com todo mundo.
Eu voltei de Florianópolis em 2010 e deixei alguns amigos por lá. Um casal de amigos que mora na ilha tenta ter filhos há mais de 9 anos. Por mais que eu queira, não consigo imaginar como isso deve ser frustrante e triste.
Ontem tivemos uma ótima notícia.
Dois irmãos de fé nossos - a Leodira e o Rafael - estão grávidos.
O Rafa já tem uma menina mas a Leo será mãe de primeira viagem.
E que viagem!
Uma viagem que começou há alguns anos com inúmeras tentativas de engravidar e que por alguma razão, incompreendida por nós todos, se confirmou ontem.
Muitas tentativas, muita esperança, muita vontade, muita fé.
Fé na conquista do objetivo, por que como diz o mestre Gilberto Gil "...a fé não costuma faiá!".
Fé na humanidade, porque colocar um filho no mundo é acreditar num futuro melhor. É acreditar que as coisas não podem e não devem tomar um rumo apocalíptico como alguns pregam por aí.
Fé em si mesmo, pois educar um filho e torná-lo um cidadão ético, uma pessoa idônea, alguém com princípios, requer algo mais do que simplesmente ensinar lições de vida. É preciso crer que as coisas possam, de fato, mudar...mudar para melhor!
Aqui em casa a alegria foi geral, tomou conta. Hoje mesmo tocamos novamente no assunto com os olhos marejados de alegria. Ficamos muito felizes com a felicidade deles. Serão padrinhos da nossa filhota Helena e de certo modo, isso acaba criando uma sensação de que a família também aumenta. Parecia até que éramos nós que esperávamos outra criança.
Arrisco desde já um palpite: uma menina!
Uma menina para brincar com a nossa pequena na casa do Pai André em dia de mesa de Ibeji!
Tenho certeza absoluta que essa criança que está chegando estará repleta de amor e de cuidados.
Seja bem vinda (o)!
Aos novos pais, nosso abraço afetuoso e repleto de felicidade.
Roges, Mara, Vicente e Helena.
Quando eu e a Mara tomamos a decisão de termos o Vicente, não demorou muito para se confirmar a gravidez. Foram 2 meses - se não me engano - para que a coisa se consumasse.
Naturalmente não é assim com todo mundo.
Eu voltei de Florianópolis em 2010 e deixei alguns amigos por lá. Um casal de amigos que mora na ilha tenta ter filhos há mais de 9 anos. Por mais que eu queira, não consigo imaginar como isso deve ser frustrante e triste.
Ontem tivemos uma ótima notícia.
Dois irmãos de fé nossos - a Leodira e o Rafael - estão grávidos.
O Rafa já tem uma menina mas a Leo será mãe de primeira viagem.
E que viagem!
Uma viagem que começou há alguns anos com inúmeras tentativas de engravidar e que por alguma razão, incompreendida por nós todos, se confirmou ontem.
Muitas tentativas, muita esperança, muita vontade, muita fé.
Fé na conquista do objetivo, por que como diz o mestre Gilberto Gil "...a fé não costuma faiá!".
Fé na humanidade, porque colocar um filho no mundo é acreditar num futuro melhor. É acreditar que as coisas não podem e não devem tomar um rumo apocalíptico como alguns pregam por aí.
Fé em si mesmo, pois educar um filho e torná-lo um cidadão ético, uma pessoa idônea, alguém com princípios, requer algo mais do que simplesmente ensinar lições de vida. É preciso crer que as coisas possam, de fato, mudar...mudar para melhor!
Aqui em casa a alegria foi geral, tomou conta. Hoje mesmo tocamos novamente no assunto com os olhos marejados de alegria. Ficamos muito felizes com a felicidade deles. Serão padrinhos da nossa filhota Helena e de certo modo, isso acaba criando uma sensação de que a família também aumenta. Parecia até que éramos nós que esperávamos outra criança.
Arrisco desde já um palpite: uma menina!
Uma menina para brincar com a nossa pequena na casa do Pai André em dia de mesa de Ibeji!
Tenho certeza absoluta que essa criança que está chegando estará repleta de amor e de cuidados.
Seja bem vinda (o)!
Aos novos pais, nosso abraço afetuoso e repleto de felicidade.
Roges, Mara, Vicente e Helena.
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
O presente é meu
Faço aniversário em janeiro, mas hoje quem ganha presente sou eu!
É que hoje é o aniversário da pessoa que me deu muitas coisas boas na vida.Me deu 1 filho lindo e maravilhoso e 1 filha que espero ansioso pela chegada.
Desde 2009 faço 2 aniversários por ano. Um em janeiro como ja falei e outro dia 30 de outubro.
Aniversário da Mara e o presente é meu.
É meu porque quem ganha com isso sou eu.
Quem ganha em poder conviver, poder dividir a rotina, as conquistas - e não foram poucas -, as discussões, os planos, sou eu!
Nesse 30 de outubro quero dizer: Feliz aniversário Mara...e obrigado pelo meu presente.
Por você ser um presente na minha vida!
Te amo.
Nego
É que hoje é o aniversário da pessoa que me deu muitas coisas boas na vida.Me deu 1 filho lindo e maravilhoso e 1 filha que espero ansioso pela chegada.
Desde 2009 faço 2 aniversários por ano. Um em janeiro como ja falei e outro dia 30 de outubro.
Aniversário da Mara e o presente é meu.
É meu porque quem ganha com isso sou eu.
Quem ganha em poder conviver, poder dividir a rotina, as conquistas - e não foram poucas -, as discussões, os planos, sou eu!
Nesse 30 de outubro quero dizer: Feliz aniversário Mara...e obrigado pelo meu presente.
Por você ser um presente na minha vida!
Te amo.
Nego
domingo, 18 de outubro de 2015
Meu filho é uma criança generosa
Meu filho só tem 2 anos e eu já sou fã dele!
Na verdade, os poucos mais de 2 anos de vida do Vicente já sinalizaram muitas mudanças de paradigmas na minha vida.
Mas hoje foi diferente. Hoje foi convincente!
Seguidamente eu escrevo que as atitudes dele me fazem refletir sobre as minhas ações. Hoje tive a demonstração mais clara de todas de que ele é muito melhor que eu.
Fomos fazer um passeio em família com alguns amigos pelos interiores de Bento Gonçalves. Um programa pra lá de agradável.
Paramos em um local onde tinha algumas carpas em uma espécie de tanque e o baixinho ficou admirado. Nunca tinha visto peixes daquele tamanho e assim, de perto.
Em outro local se deliciou correndo na grama e saltando do último degrau de uma escada: uma conquista!
Em determinado momento resolvemos parar e comer alguma coisa em um estabelecimento. Como de costume, Vicente foi explorar o ambiente e eu ficava só de olho, monitorando as andanças dele. Foi aí que surgiu um "problema", que ele tirou de letra e me fez amá-lo e admirá-lo ainda mais.
Para ele, todas as crianças pequenas são "nenê". A rusga aconteceu quando ele viu 2 crianças, pouco maiores e mais velhas, e as chamou de nenê. Surpreendentemente elas vieram tirar satisfação com ele sobre essa história de chama-los de nenês. Parece brincadeira, mas não é.
Uma menina e um menino estufaram seus peitos, enrijeceram seus dedos indicadores e apontavam para o Vicente dizendo:
"A gente é pequeno mas é grande!"
Impassível com a situação ele não se amedrontou e devolveu a audácia apontando seu dedinho indicador e vocalizando algo que não imagino o que seja. Nesse exato momento, o menino que foi tirar satisfação com o Vi deu um tapa na mão dele!
Seguindo a filosofia do Seu Madruga - A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena! - Vicente sequer se moveu.
Cinco segundos!
Cinco segundos foi o tempo para que a mãe e o pai dele estivessem ali para tentar, cheios de vergonha, amenizar a situação. A Mara chegou a virar de costas, pois segundo ela, a vontade era de afofar a criança. Eu só abracei meu filho e disse: "Não é assim que isso se resolve hein".
Mas a real da situação é que isso acaba sendo muito mais embaraçoso para os pais, que precisam se desculpar e tentar mostrar para os outros que esse comportamento NÃO é algo rotineiro na vida de seus filhos, do que propriamente um conflito para as crianças.
Crianças passam por situações como essas e em pouco tempo estão de bem umas com as outras novamente.
E foi o que o meu negrinho fez!
Sem mover uma lágrima, esboçou um sorriso e foi até o menino que o agrediu, oferecendo um carrinho para brincarem juntos!
Meu filho vale ouro! A generosidade do Vicente me fez pensar por horas se eu teria a capacidade de agir dessa maneira.
Provavelmente não!
Adultos são movidos por orgulho e não raro brigam porque suas crianças se desentenderam.
Eu confesso que não gostei nada da situação, mas não tinha porque me exaltar, afinal, o mundo é cão. As pessoas são assim e é nele que meu filho vai viver e aprender a se virar, como aconteceu comigo, com a mãe dele e com todas as pessoas que um dia foram crianças e que depois viraram adultos.
O ponto crucial, foi o fato de que ele não se intimidou e resolver dar um passo adiante na tratativa de paz com o menino. De forma pacífica, diplomática, generosa.
Meu filho me ganhou definitivamente!
Morro de amores e de admiração por esse menino.
Na verdade, os poucos mais de 2 anos de vida do Vicente já sinalizaram muitas mudanças de paradigmas na minha vida.
Mas hoje foi diferente. Hoje foi convincente!
Seguidamente eu escrevo que as atitudes dele me fazem refletir sobre as minhas ações. Hoje tive a demonstração mais clara de todas de que ele é muito melhor que eu.
Fomos fazer um passeio em família com alguns amigos pelos interiores de Bento Gonçalves. Um programa pra lá de agradável.
Paramos em um local onde tinha algumas carpas em uma espécie de tanque e o baixinho ficou admirado. Nunca tinha visto peixes daquele tamanho e assim, de perto.
Em outro local se deliciou correndo na grama e saltando do último degrau de uma escada: uma conquista!
Em determinado momento resolvemos parar e comer alguma coisa em um estabelecimento. Como de costume, Vicente foi explorar o ambiente e eu ficava só de olho, monitorando as andanças dele. Foi aí que surgiu um "problema", que ele tirou de letra e me fez amá-lo e admirá-lo ainda mais.
Para ele, todas as crianças pequenas são "nenê". A rusga aconteceu quando ele viu 2 crianças, pouco maiores e mais velhas, e as chamou de nenê. Surpreendentemente elas vieram tirar satisfação com ele sobre essa história de chama-los de nenês. Parece brincadeira, mas não é.
Uma menina e um menino estufaram seus peitos, enrijeceram seus dedos indicadores e apontavam para o Vicente dizendo:
"A gente é pequeno mas é grande!"
Impassível com a situação ele não se amedrontou e devolveu a audácia apontando seu dedinho indicador e vocalizando algo que não imagino o que seja. Nesse exato momento, o menino que foi tirar satisfação com o Vi deu um tapa na mão dele!
Seguindo a filosofia do Seu Madruga - A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena! - Vicente sequer se moveu.
Cinco segundos!
Cinco segundos foi o tempo para que a mãe e o pai dele estivessem ali para tentar, cheios de vergonha, amenizar a situação. A Mara chegou a virar de costas, pois segundo ela, a vontade era de afofar a criança. Eu só abracei meu filho e disse: "Não é assim que isso se resolve hein".
Mas a real da situação é que isso acaba sendo muito mais embaraçoso para os pais, que precisam se desculpar e tentar mostrar para os outros que esse comportamento NÃO é algo rotineiro na vida de seus filhos, do que propriamente um conflito para as crianças.
Crianças passam por situações como essas e em pouco tempo estão de bem umas com as outras novamente.
E foi o que o meu negrinho fez!
Sem mover uma lágrima, esboçou um sorriso e foi até o menino que o agrediu, oferecendo um carrinho para brincarem juntos!
Meu filho vale ouro! A generosidade do Vicente me fez pensar por horas se eu teria a capacidade de agir dessa maneira.
Provavelmente não!
Adultos são movidos por orgulho e não raro brigam porque suas crianças se desentenderam.
Eu confesso que não gostei nada da situação, mas não tinha porque me exaltar, afinal, o mundo é cão. As pessoas são assim e é nele que meu filho vai viver e aprender a se virar, como aconteceu comigo, com a mãe dele e com todas as pessoas que um dia foram crianças e que depois viraram adultos.
O ponto crucial, foi o fato de que ele não se intimidou e resolver dar um passo adiante na tratativa de paz com o menino. De forma pacífica, diplomática, generosa.
Meu filho me ganhou definitivamente!
Morro de amores e de admiração por esse menino.
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
Comemorar é bom, relembrar é ótimo
Prezados!
Resolvi nesta postagem fazer uma espécie de sessão nostalgia.
Ontem recebemos o álbum de fotografias do aniver do Vi. Dois anos já se passaram e sou obrigado a dar o braço a torcer quando as pessoas dizem: "Filhos crescem logo e a gente nem vê!".
Pura verdade.
Ainda ontem lembro do momento exato e das palavras que disse assim que o vi pela primeira vez.
Lembro de quando fomos pra casa com o "pacotinho" no colo.
Nunca me esquecerei do susto que tivemos quando ele tinha 15 dias e se engasgou com o mamá. Corremos para a emergência e a Vó Teresinha até colocou os chinelos trocados nos pés.
Lembro vivamente quando ele foi para a escolinha aos 4 meses de vida e também quando soubemos que ele precisava da uma cirurgia logo após ter feito 1 aninho.
Lembro, lembro, lembro.
Lembro de muitas coisas, pois minha memória é excelente. Ainda mais quando se trata de pessoas que me fazem bem.
Peço todos os dias ao meu Pai Xangô que não me permita esquecer desses momentos que vivi com as pessoas que amo, minha mulher e meus filhos. E que só tendem a aumentar, pois a família será maior daqui algumas semanas e não quero perder nada, nenhum detalhe da nossa baixinha Helena.
E enquanto ela não chega, recordar é viver. Faço questão de viver todos os dias com a lembrança forte, presente, vívida, dos bons momentos que tenho a satisfação de poder fazer parte.
Elaborei uma montagem com algumas fotinhos desses bons momentos com a Mara e o Vicente. Um pouco da nossa vida em uma colagem...pouco espaço para tanta emoção!
Nunca imaginei ter tanta sorte na vida!
Amo demais meus momentos com esses três!
Resolvi nesta postagem fazer uma espécie de sessão nostalgia.
Ontem recebemos o álbum de fotografias do aniver do Vi. Dois anos já se passaram e sou obrigado a dar o braço a torcer quando as pessoas dizem: "Filhos crescem logo e a gente nem vê!".
Pura verdade.
Ainda ontem lembro do momento exato e das palavras que disse assim que o vi pela primeira vez.
Lembro de quando fomos pra casa com o "pacotinho" no colo.
Nunca me esquecerei do susto que tivemos quando ele tinha 15 dias e se engasgou com o mamá. Corremos para a emergência e a Vó Teresinha até colocou os chinelos trocados nos pés.
Lembro vivamente quando ele foi para a escolinha aos 4 meses de vida e também quando soubemos que ele precisava da uma cirurgia logo após ter feito 1 aninho.
Lembro, lembro, lembro.
Lembro de muitas coisas, pois minha memória é excelente. Ainda mais quando se trata de pessoas que me fazem bem.
Peço todos os dias ao meu Pai Xangô que não me permita esquecer desses momentos que vivi com as pessoas que amo, minha mulher e meus filhos. E que só tendem a aumentar, pois a família será maior daqui algumas semanas e não quero perder nada, nenhum detalhe da nossa baixinha Helena.
E enquanto ela não chega, recordar é viver. Faço questão de viver todos os dias com a lembrança forte, presente, vívida, dos bons momentos que tenho a satisfação de poder fazer parte.
Elaborei uma montagem com algumas fotinhos desses bons momentos com a Mara e o Vicente. Um pouco da nossa vida em uma colagem...pouco espaço para tanta emoção!
Nunca imaginei ter tanta sorte na vida!
Amo demais meus momentos com esses três!
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
Como chegamos até aqui
Essa é a história da Chapeuzinho Vermelho e o Lobo. Não aquela Chapeuzinho que a gente já conhece e nem aquele Lobo tão falado por nossos pais nos contos de fadas, que de mau, na verdade, não tem nada. É a história do verdadeiro encontro de Chapeuzinho com o Lobo, o seu Lobo.
A Chapeuzinho era uma menina muito bonita. Cresceu em uma família com muitos irmãos em uma propriedade do interior, quando ainda criança veio para a cidade. O Lobo em questão nunca morou no interior, sempre na cidade. Crianças comuns como a maioria das crianças de sua época, Chapeuzinho e Lobo se conheciam desde pequenos, embora pouquíssimas vezes tivessem conversado. Foram colegas na mesma escola, faziam praticamente as mesmas atividades, inclusive os esportes, que tanto chamavam a atenção do Lobo e nem tanto assim da Chapeuzinho.
O tempo, que não falha jamais, coube a ele aproximar e também distanciar nossos personagens deste conto de fadas nada convencional. A adolescência chegou, o Lobo, motivado pelo trabalho interno de seus hormônios, iniciou suas lides de aproximação com às da sua espécie. Chapeuzinho, por sua vez, era muito bem vigiada por seus irmãos, os quais não se descuidavam da jóia preciosa que nascera entre eles. Nas idas e vindas dessa época tão conturbada para ambos – para ele pela necessidade de provação e aprovação entre seus semelhantes, para ela o contrário, a discrição era praticamente uma necessidade – o Lobo, audaz e metido, resolve firmar compromisso com uma semelhante de Chapeuzinho. Até aí nada de mais, pois a própria Chapeuzinho nesta época da vida também encontrava-se na mesma situação.
Foram raras, porém não pouco satisfatórias para o Lobo, as vezes que encontraram-se,conversaram, praticaram seus esportes conjuntamente e até viajaram com esse objetivo. Tomado de admiração pela beleza inebriante da Chapeuzinho, o Lobo, coitado, nunca se atreveu a apresentar-se para ela com aquelas intenções tão bem conhecidas que garantem o futuro de nossas espécie.
Veio a idade adulta. Tanto Chapeuzinho quanto o Lobo foram em busca de seus objetivos de vida. Estudaram, amadureceram, quase casaram e um dia, um dia para jamais esquecer, se reencontraram. A Chapeuzinho tinha terminado seu relacionamento há pouco tempo – nem tão pouco quanto o Lobo - e de volta ao seu cotidiano de mulher bonita, encantadora, inteligente e especialmente solteira, um dia foi convidada para um programa entre amigos numa noite de sábado. Nosso herói, por sua vez, nem morava mais naquela freguesia, resolvera fazer dos estudos seu meio de vida e na maior das coincidências - se é que podemos falar em coincidências - ele resolveu fazer uma visita à sua mãe e também aos seus poucos e bons amigos, obviamente da mesma espécie que ele.
Naquela noite, o Lobo chegou para a tal reunião entre amigos e parecia um simples poodle perdido, nem parecia o Lobo que sempre foi e que cresceu no meio das pessoas mais estranhas possíveis de serem encontradas na face dessa terra. Ia de um lado a outro, sem saber o que fazer, com quem se enturmar, até que de longe observou que a Chapeuzinho estava por lá. Tanto tempo, tantos anos e por mais incrível que parecesse, ela era exatamente a mesma. Como iria falar com ela? Como se aproximar? Afinal de contas, apesar de serem de espécies diferentes, o Lobo sempre olhou para elas com outros olhos...olhos de Lobo Mau! Ela por sua vez, mestre na arte da discrição, pouco fez da presença do Lobo...ou pelo menos pareceu assim!
Ao meio da reunião, veio enfim, o jantar quando o Lobo respondeu que não comia carne. Todos ao redor, olharam para ele como que perguntassem desde quando lobo não come carne, quando sem pestanejar a Chapeuzinho naturalmente respondeu:
- Eu como!!!
O jantar terminou. As pessoas começaram a se reunir em pequenos grupos para continuar seus assuntos interrompidos pela chegada da comida à mesa, outras preferiram ouvir música. Quando tudo levava a crer que mais uma vez o Lobo e Chapeuzinho apenas se encontrariam casualmente em uma conversa paralela ele menciona que Che Guevara, o mártir da Revolução Cubana e inspiração para milhões de jovens no mundo inteiro, era também uma pessoa a quem ele próprio admirava. Ouvindo de canto e observando o discurso do Lobo, Chapeuzinho não perde tempo em afirmar que também admira aquela famosa figura de cabelos despenteados imortalizada na imagem clássica da boina com a estrela comunista. Estava enganado...enfim alguém que tenha uma cabeça boa e um papo interessante nesse jantar! Se não houvesse possibilidade de um encontro mais apimentado com a Chapeuzinho, pelo menos tinha a certeza de que a conversa enfim iria melhorar.
A noite, como se diz, é uma criança e assim foi que nossos personagens seguiram para uma festa. Cheio de pretensões, o Lobo, fazendo jus ao uma de suas maiores qualidades, o faro, discretamente deu uma cheirada na Chapeuzinho ao entrar no carro dela. Foi para saber se o cheiro o atiçava tanto quanto sua presença, confessou ele certa vez. Mais tarde ficou sabendo que sua tentativa de sentir o aroma de chapeuzinho nem fora tão discreta como até então imaginara. Estava perdendo o jeito!
Na festa, Chapeuzinho se esquivava, enquanto o Lobo pensava em armar sua tocaia. Acabaram voltando juntos para casa – ela ofereceu carona e ele, que de bobo não tem nada, aceitou – quando enfim puderam conversar sobre as diferenças entre suas espécies e mais ainda sobre a semelhanças que nem imaginavam ter.
Pouco tempo demorou para saber que seriam apenas um no futuro. O Lobo voltou para a cidade onde vivia e terminar seu trabalho que estava pendente. E assim foi durante sete meses. Nesse período, o Lobo frequentemente enfrentava horas a fio de estrada para encontrar sua Chapeuzinho, que também não ficava para trás no sofrimento, na ausência e na vontade de estar sempre junto. No embalo da paixão avassaladora, não tardou a decidir que ficar sem sua Chapeuzinho era algo impensado, impossível e por isso voltaria ao lugar onde nasceram e enfim se encontraram, para planejar suas vidas dali para frente.
Sabe aquelas histórias ao estilo Eduardo e Mônica? Aquelas pessoas que nem no mais fértil imaginário ficariam juntos? Pois é, essa é a história do Lobo e da Chapeuzinho, que desde pequenos se conheceram, conviveram e se encontraram muitos anos depois. O primeiro resultado desse encontro nasceu dia 12 de julho de 2013 às 11:47hs de uma manhã ensolarada e atende pelo nome de Vicente. Ainda há de se esperar a chegada de pequena Helena, prevista para o início do próximo ano.
O sol nasce e se põe a cada dia e quando menos esperamos, eis que surge na nossa frente aquele alguém que nos conduzirá rumo à felicidade e a realização.
terça-feira, 22 de setembro de 2015
Choros
Este é um texto triste.
Choros e risos em crianças são duas das coisas que me fazem chorar.
Parece redundante, porém, considerando meu momento Zeca Baleiro da vida (ando tão a flor da pele que um beijo de novela me faz chorar)sou obrigado a confessar que ambas manifestações me comovem.
De vez em quando o Vicente apronta uma das dele e sai chorando. De dor, de vergonha, de raiva ou até mesmo pelo sentimento ferido. Nesses momento me bate uma tristeza tão grande e me sinto impelido a confortá-lo.
Talvez eu possa estar supervalorizando aquele momento, deixando subentendido nas entrelinhas que todas as situações que o coloquem em uma posição de frustração, eu estarei lá.
E estarei mesmo.
De um modo ou de outro não quero deixar meu filho passar por situações indesejáveis, daquelas que não agregam nada no seu crescimento como sujeito, aquelas possíveis de serem evitadas.
O choro dele é tão sentido, tão comovente que por mais que às vezes seja necessário não dar tanta importância para as poucas lágrimas que caem daqueles olhinhos, sou obrigado a me segurar para não dar mais dengo ainda.
Dias atrás eu estava tentando vesti-lo após o banho e numa brincadeira rolou um choro. No início não dei muita importância. Porém, aquilo foi tomando uma dimensão maior que eu poderia supôr. Tão sentido, tão cheio de dor - apesar de não haver nenhuma manifestação de dor física - que fui obrigado a me segurar.
Por pouco não chorei junto. Pensando bem, acho que deveria ter feito. Talvez ficasse mais vivo para ele que o pai também se compadece de seus sentimentos mais profundos e não vive apenas para mandá-lo trocar as fraldas e tomar banho. Talvez ficasse mais evidente que o pai também tem sentimentos e isso nos colocaria em uma situação, no mínimo, singular em nossa relação.
Por outro lado, se hoje o pai é uma figura que ele confia e se sente amparado, o que será que passará naquela cabecinha o dia em que me vir chorando de verdade?
Essa pergunta vem à minha cabeça com uma frequência absurda.
Qual será a reação do Vi quando ele presenciar um momento de demonstração de tristeza meu? Qual será sua reação ao ver que o pai não é toda aquela "fortaleza" que aparenta ser?
Não consigo imaginar o que ele deve pensar e sentir toda vez que põe pra fora seu choro. Ao mesmo tempo fico imaginando milhares de outras crianças que sem chance de defesa manifestam pelo choro sua mais pura vontade de se opôr a alguma coisa que não lhes agrada.
Nos últimos tempos fico pensando todas as noites enquanto vigio meu pequeno, nas inúmeras crianças que não tem um ombro de pai ou de mãe para poderem chorar e ganhar amparo. E no número de pais e mães que sem poder consolar seus filhos choram em silêncio.
Ver uma criança chorar me faz chorar. Talvez seja para não esquecer que muitas atitudes adultas pareçam rudes para uma criança ou então, porque até onde eu me lembre quando criança eu chorei muito...especialmente, de saudades.
Toda vez que olho pro Vi em lágrimas peço a meu Pai Xangô que não permita que nada de ruim aconteça com ele.
Porque quem ama cuida, quem ama protege.
Quem ama chora de amor!
Choros e risos em crianças são duas das coisas que me fazem chorar.
Parece redundante, porém, considerando meu momento Zeca Baleiro da vida (ando tão a flor da pele que um beijo de novela me faz chorar)sou obrigado a confessar que ambas manifestações me comovem.
De vez em quando o Vicente apronta uma das dele e sai chorando. De dor, de vergonha, de raiva ou até mesmo pelo sentimento ferido. Nesses momento me bate uma tristeza tão grande e me sinto impelido a confortá-lo.
Talvez eu possa estar supervalorizando aquele momento, deixando subentendido nas entrelinhas que todas as situações que o coloquem em uma posição de frustração, eu estarei lá.
E estarei mesmo.
De um modo ou de outro não quero deixar meu filho passar por situações indesejáveis, daquelas que não agregam nada no seu crescimento como sujeito, aquelas possíveis de serem evitadas.
O choro dele é tão sentido, tão comovente que por mais que às vezes seja necessário não dar tanta importância para as poucas lágrimas que caem daqueles olhinhos, sou obrigado a me segurar para não dar mais dengo ainda.
Dias atrás eu estava tentando vesti-lo após o banho e numa brincadeira rolou um choro. No início não dei muita importância. Porém, aquilo foi tomando uma dimensão maior que eu poderia supôr. Tão sentido, tão cheio de dor - apesar de não haver nenhuma manifestação de dor física - que fui obrigado a me segurar.
Por pouco não chorei junto. Pensando bem, acho que deveria ter feito. Talvez ficasse mais vivo para ele que o pai também se compadece de seus sentimentos mais profundos e não vive apenas para mandá-lo trocar as fraldas e tomar banho. Talvez ficasse mais evidente que o pai também tem sentimentos e isso nos colocaria em uma situação, no mínimo, singular em nossa relação.
Por outro lado, se hoje o pai é uma figura que ele confia e se sente amparado, o que será que passará naquela cabecinha o dia em que me vir chorando de verdade?
Essa pergunta vem à minha cabeça com uma frequência absurda.
Qual será a reação do Vi quando ele presenciar um momento de demonstração de tristeza meu? Qual será sua reação ao ver que o pai não é toda aquela "fortaleza" que aparenta ser?
Não consigo imaginar o que ele deve pensar e sentir toda vez que põe pra fora seu choro. Ao mesmo tempo fico imaginando milhares de outras crianças que sem chance de defesa manifestam pelo choro sua mais pura vontade de se opôr a alguma coisa que não lhes agrada.
Nos últimos tempos fico pensando todas as noites enquanto vigio meu pequeno, nas inúmeras crianças que não tem um ombro de pai ou de mãe para poderem chorar e ganhar amparo. E no número de pais e mães que sem poder consolar seus filhos choram em silêncio.
Ver uma criança chorar me faz chorar. Talvez seja para não esquecer que muitas atitudes adultas pareçam rudes para uma criança ou então, porque até onde eu me lembre quando criança eu chorei muito...especialmente, de saudades.
Toda vez que olho pro Vi em lágrimas peço a meu Pai Xangô que não permita que nada de ruim aconteça com ele.
Porque quem ama cuida, quem ama protege.
Quem ama chora de amor!
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
Crescer e evoluir
Faz um bom tempo que eu não escrevo no blog.
A correria da universidade e também uma viagem me deixaram longe deste canal, impossibilitado de escrever.
Há alguns dias fomos para Tapejara ver nossos parentes. Mara, Helena (na barriga e já na estrada), Vicente e eu.
Ao contrário das viagens de outros tempos, hoje em dia ficou muito fácil viajar com o Vi. Ele dorme boa parte do trajeto, assiste alguns filmes no DVD portátil e assim a Mara e eu podemos conversar...até ela também pegar no sono!
Mãe e filho foram forçados a tirar férias semana passada. Mara teve um problema de saúde em Tapejara e acabou de atestado. A última vez que isso aconteceu - 01 de janeiro - resultou em uma apendicite. Dessa vez foi mais suave.
Nessa semana que ela o Vi passaram de "férias", deu gosto vê-lo correr por lá.
Fascinação pura!
Olhar para o céu e vibrar com os passarinhos, correr ao redor da casa, brincar e abraçar os cachorros - especialmente o seu melhor amigo, Pitú -, gritar de felicidades ao ver os cordeirinhos mamando nas mamães ovelhas e, é claro, fazer muita bagunça com os primos ao ponto de chorar de rir. Enfim, não há uma só vez que ele não aproveite bem a ida para Tapejara.
O mais legal dessa fase que estamos vivendo com ele é poder presenciar a evolução da sua linguagem. Se antes ele era bem econômico nas palavras, agora podemos notar o pontapé inicial na falação sem parar.
Se antes NÃO era a única palavra que saía, agora além desta, tem a Mama (Mãe), Gege (Pai), É (Sim), Vô (Vovô), De (Vó Tere), Ena (Vó Nena), Tá (Sim), Nano (Primo Leonardo), Tú (Pitú, seu amigo canino). Sem contar que aprendeu as sílabas finais de inúmeras palavras e nomes, além de aprender a fazer o sinal de "positivo" com os polegares.
Situação engraçada acontece quando ele é repreendido. Dá uma olhadinha de soslaio para a gente e sem perder a oportunidade, solta um "positivo" seguido de um sorriso. Esperteza na décima potência!
Naturalmente foi necessário um grande estímulo externo para essa evolução. Esse estímulo tem nome e sobrenome: Escola e convívio com outras crianças!
Faz pouco mais de 1 mês que colocamos o Vi em uma escola. Muita paciência no processo de adaptação resultaram em uma boa evolução do nosso pequeno, que agora se mostra um grande rapazinho de 2 anos. Na escola ele segue a rotina do grupo e isso é bastante proveitoso e positivo.
Numa conversa com a coordenadora pedagógica da escola fiquei sabendo que ele faz o soninho da tarde junto com os demais colegas, sem se opôr nem resistir. Quando a profe diz que é hora de descansar, junto com os coleguinhas ele vai para a caminha, tenta tirar os calcados e se deita para relaxar. É ou não é uma cena linda?
O detalhe é que, ao contrário do que muita gente falava, ele chega da escola com as pilhas novas. Dá uma canseira na gente.
Dias atrás quando estava no banho com a mãe, antes de sair, por conta própria, ele começou a juntar os shampoos no chão e organizá-los dentro do cestinho de plástico onde ficam guardados.
Quanta mudança!
Ficou mais esperto, mais falante, mais disposto...e também mais danado!
Muitas mudanças proporcionadas e vividas em menos de 2 meses. Uma enxurrada de transformações ocorrendo. Muita calma e paciência para entender que para uma criança de 2 anos, alguns sentimentos ainda são novos e portanto não há a necessidade de saber como lidar com eles.
Um dia de cada vez vamos aprendendo - nós e ele - a lidar com as emoções e novos aprendizados.
Um abraço a todos.
A correria da universidade e também uma viagem me deixaram longe deste canal, impossibilitado de escrever.
Há alguns dias fomos para Tapejara ver nossos parentes. Mara, Helena (na barriga e já na estrada), Vicente e eu.
Ao contrário das viagens de outros tempos, hoje em dia ficou muito fácil viajar com o Vi. Ele dorme boa parte do trajeto, assiste alguns filmes no DVD portátil e assim a Mara e eu podemos conversar...até ela também pegar no sono!
Mãe e filho foram forçados a tirar férias semana passada. Mara teve um problema de saúde em Tapejara e acabou de atestado. A última vez que isso aconteceu - 01 de janeiro - resultou em uma apendicite. Dessa vez foi mais suave.
Nessa semana que ela o Vi passaram de "férias", deu gosto vê-lo correr por lá.
Fascinação pura!
Olhar para o céu e vibrar com os passarinhos, correr ao redor da casa, brincar e abraçar os cachorros - especialmente o seu melhor amigo, Pitú -, gritar de felicidades ao ver os cordeirinhos mamando nas mamães ovelhas e, é claro, fazer muita bagunça com os primos ao ponto de chorar de rir. Enfim, não há uma só vez que ele não aproveite bem a ida para Tapejara.
O mais legal dessa fase que estamos vivendo com ele é poder presenciar a evolução da sua linguagem. Se antes ele era bem econômico nas palavras, agora podemos notar o pontapé inicial na falação sem parar.
Se antes NÃO era a única palavra que saía, agora além desta, tem a Mama (Mãe), Gege (Pai), É (Sim), Vô (Vovô), De (Vó Tere), Ena (Vó Nena), Tá (Sim), Nano (Primo Leonardo), Tú (Pitú, seu amigo canino). Sem contar que aprendeu as sílabas finais de inúmeras palavras e nomes, além de aprender a fazer o sinal de "positivo" com os polegares.
Situação engraçada acontece quando ele é repreendido. Dá uma olhadinha de soslaio para a gente e sem perder a oportunidade, solta um "positivo" seguido de um sorriso. Esperteza na décima potência!
Naturalmente foi necessário um grande estímulo externo para essa evolução. Esse estímulo tem nome e sobrenome: Escola e convívio com outras crianças!
Faz pouco mais de 1 mês que colocamos o Vi em uma escola. Muita paciência no processo de adaptação resultaram em uma boa evolução do nosso pequeno, que agora se mostra um grande rapazinho de 2 anos. Na escola ele segue a rotina do grupo e isso é bastante proveitoso e positivo.
Numa conversa com a coordenadora pedagógica da escola fiquei sabendo que ele faz o soninho da tarde junto com os demais colegas, sem se opôr nem resistir. Quando a profe diz que é hora de descansar, junto com os coleguinhas ele vai para a caminha, tenta tirar os calcados e se deita para relaxar. É ou não é uma cena linda?
O detalhe é que, ao contrário do que muita gente falava, ele chega da escola com as pilhas novas. Dá uma canseira na gente.
Dias atrás quando estava no banho com a mãe, antes de sair, por conta própria, ele começou a juntar os shampoos no chão e organizá-los dentro do cestinho de plástico onde ficam guardados.
Quanta mudança!
Ficou mais esperto, mais falante, mais disposto...e também mais danado!
Muitas mudanças proporcionadas e vividas em menos de 2 meses. Uma enxurrada de transformações ocorrendo. Muita calma e paciência para entender que para uma criança de 2 anos, alguns sentimentos ainda são novos e portanto não há a necessidade de saber como lidar com eles.
Um dia de cada vez vamos aprendendo - nós e ele - a lidar com as emoções e novos aprendizados.
Um abraço a todos.
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
Mais um pouco de história(s)
Ao contrário do que normalmente escrevo neste blog - peripécias do Vicente e da Helena - hoje pretendo comentar algumas coisas sobre os efeitos da paternidade em mim.
Não consigo acreditar naquelas pessoas que dizem que levam absolutamente a mesma vida depois de se tornarem pais e/ou mães.
Muita coisa muda.
Algumas para melhor, outras...
Uma das grandes frases que ouvi quando esperávamos o Vicente - e olha que todo mundo acha que pode emitir opiniões na gravidez alheia - foi de um de meus ex-alunos de hidroginástica que já faleceu. Uma tarde, no meio da aula ele me disse que uma pessoa que não percebe a dimensão das mudanças que um filho causa, é incapaz de perceber que o mundo não gira mais ao redor do próprio umbigo. Achei aquele comentário tão verdadeiro e impactante que decidi tentar observar quais seriam as mudanças que a chegada de um filho provocaria em mim.
Antes de me tornar pai, eu acreditava que as coisas eram muito simples. Acostumado a lidar com adultos, imaginava que tudo que se relacionasse a uma criança era questão de estímulo e resposta. Ao melhor estilo Pavloviano.
Se ela chorasse ou algo do tipo, bastava verificar o que estava acontecendo.
Era grave? Sim? Dava atenção!
Não era grave? Deixaria chorar...uma hora ela iria parar!
Esse pragmatismo sempre foi um traço da minha personalidade e sou obrigado a confessar que em muitas situações não obtive o sucesso que desejava, exatamente por não ter uma diplomacia, um jogo de cintura necessário para alcançar o êxito.
Essa suposta falta de diplomacia, especialmente com o Vicente me colocou em situações delicadas, as quais tive que pedir ajuda externa.
Minha educação, pelo menos nos primeiros anos, foi bastante rígida. Fui educado pelos meus avós maternos, sem a presença do pai. Junto com eles moravam também alguns tios que de certo modo assumiram a tarefa de me "educar". Educar entre aspas mesmo!
Muitas vezes tomei puxões de orelha e cascudos - de alguns deles.
Até hoje não sei bem o motivo, mas acredito que era porque eu queria fazer alguma coisa...que eles não queriam.
Realmente eu era uma peste, uma criança perigosa. Tão perigosa que quando inventava de querer saber alguma coisa (curioso) ou ir junto com alguém para qualquer lugar (metido), ganhava uns cascudos ou se a coisa fosse séria mesmo, era colocado na "cadeia". Leia-se trancar em um quarto e deixar chorar até se acalmar.
Tudo em nome da "obediência".
Em outras situações, simplesmente me mandavam pra casa. Meu avô tinha um supermercado e eu adorava ir lá. Bastava eu pedir uma coisa ou aprontar uma das minhas e pronto! Lá vinha um dos meus tios me mandar pra casa e avisar que à noite íamos conversar sério. Normalmente, ganhava um presente: castigo!
Que saco ser criança assim!
Os mais antigos dirão que também apanhavam e tomavam cascudos e nem por isso tem traumas.
Que bom pra eles!
Sem dúvida é um ótimo argumento para continuar descendo a mão nas crianças ou colocá-las de castigo só porque tem curiosidades e comportamentos, quem diria, de crianças!
O fato é que essas e outras experiências estavam bastante presentes em mim e em momentos de insegurança, de não saber o que fazer, comecei a agir de modo bastante ríspido e por vezes intransigente com o Vi.
Não, eu nunca bati nele, tampouco coloquei o baixinho de castigo.
Trancá-lo num quarto como aconteceu algumas vezes comigo, nem pensar. Não suporto gente que faz isso com seus próprios filhos.
O Piangers me disse uma vez que a beleza de ser pai está na possibilidade de ser amigo e que a austeridade só nos afasta dos pequenos.
Tem toda a razão!
Em uma determinado momento, há aproximadamente 1 ano atrás a Mara me chamou para conversar e disse muitas verdades que eu insistia em acobertar. Que eu insistia em arrumar argumentos para não ver.
Da minha parte, muito choro e muita culpa!
No outro dia, decidido, procurei ajuda. Fui até uma psicóloga.
Ontem à noite perguntei para a Mara se ela notava alguma diferença em mim, neste ano que se passou. Fiquei feliz com o que ela disse e mais feliz estou hoje
porque as palavras da psico me maltrataram e me fizeram perceber que ela não poderia me ajudar, apenas me mostrar algumas possibilidades para que eu pudesse ser aquilo que desejava: pai e amigo do meu filho!
Me olho no espelho hoje e sinto vergonha das vezes que alterei minha voz para querer que uma criança se curvasse diante de mim. Não quero carregar isso, não preciso disso na minha vida. O que eu preciso é de tranquilidade e isso não se ensina aos pais de primeira viagem. É necessário passar pelas situações para aprender. E o aprendizado ocorre pelo amor ou pela dor. A escolha é nossa.
Os erros são comuns e frequentes, mas quando se tem bons modelos, tudo fica mais fácil.
Um abraço emocionado e sem culpa.
Roges
Não consigo acreditar naquelas pessoas que dizem que levam absolutamente a mesma vida depois de se tornarem pais e/ou mães.
Muita coisa muda.
Algumas para melhor, outras...
Uma das grandes frases que ouvi quando esperávamos o Vicente - e olha que todo mundo acha que pode emitir opiniões na gravidez alheia - foi de um de meus ex-alunos de hidroginástica que já faleceu. Uma tarde, no meio da aula ele me disse que uma pessoa que não percebe a dimensão das mudanças que um filho causa, é incapaz de perceber que o mundo não gira mais ao redor do próprio umbigo. Achei aquele comentário tão verdadeiro e impactante que decidi tentar observar quais seriam as mudanças que a chegada de um filho provocaria em mim.
Antes de me tornar pai, eu acreditava que as coisas eram muito simples. Acostumado a lidar com adultos, imaginava que tudo que se relacionasse a uma criança era questão de estímulo e resposta. Ao melhor estilo Pavloviano.
Se ela chorasse ou algo do tipo, bastava verificar o que estava acontecendo.
Era grave? Sim? Dava atenção!
Não era grave? Deixaria chorar...uma hora ela iria parar!
Esse pragmatismo sempre foi um traço da minha personalidade e sou obrigado a confessar que em muitas situações não obtive o sucesso que desejava, exatamente por não ter uma diplomacia, um jogo de cintura necessário para alcançar o êxito.
Essa suposta falta de diplomacia, especialmente com o Vicente me colocou em situações delicadas, as quais tive que pedir ajuda externa.
Minha educação, pelo menos nos primeiros anos, foi bastante rígida. Fui educado pelos meus avós maternos, sem a presença do pai. Junto com eles moravam também alguns tios que de certo modo assumiram a tarefa de me "educar". Educar entre aspas mesmo!
Muitas vezes tomei puxões de orelha e cascudos - de alguns deles.
Até hoje não sei bem o motivo, mas acredito que era porque eu queria fazer alguma coisa...que eles não queriam.
Realmente eu era uma peste, uma criança perigosa. Tão perigosa que quando inventava de querer saber alguma coisa (curioso) ou ir junto com alguém para qualquer lugar (metido), ganhava uns cascudos ou se a coisa fosse séria mesmo, era colocado na "cadeia". Leia-se trancar em um quarto e deixar chorar até se acalmar.
Tudo em nome da "obediência".
Em outras situações, simplesmente me mandavam pra casa. Meu avô tinha um supermercado e eu adorava ir lá. Bastava eu pedir uma coisa ou aprontar uma das minhas e pronto! Lá vinha um dos meus tios me mandar pra casa e avisar que à noite íamos conversar sério. Normalmente, ganhava um presente: castigo!
Que saco ser criança assim!
Os mais antigos dirão que também apanhavam e tomavam cascudos e nem por isso tem traumas.
Que bom pra eles!
Sem dúvida é um ótimo argumento para continuar descendo a mão nas crianças ou colocá-las de castigo só porque tem curiosidades e comportamentos, quem diria, de crianças!
O fato é que essas e outras experiências estavam bastante presentes em mim e em momentos de insegurança, de não saber o que fazer, comecei a agir de modo bastante ríspido e por vezes intransigente com o Vi.
Não, eu nunca bati nele, tampouco coloquei o baixinho de castigo.
Trancá-lo num quarto como aconteceu algumas vezes comigo, nem pensar. Não suporto gente que faz isso com seus próprios filhos.
O Piangers me disse uma vez que a beleza de ser pai está na possibilidade de ser amigo e que a austeridade só nos afasta dos pequenos.
Tem toda a razão!
Em uma determinado momento, há aproximadamente 1 ano atrás a Mara me chamou para conversar e disse muitas verdades que eu insistia em acobertar. Que eu insistia em arrumar argumentos para não ver.
Da minha parte, muito choro e muita culpa!
No outro dia, decidido, procurei ajuda. Fui até uma psicóloga.
Ontem à noite perguntei para a Mara se ela notava alguma diferença em mim, neste ano que se passou. Fiquei feliz com o que ela disse e mais feliz estou hoje
porque as palavras da psico me maltrataram e me fizeram perceber que ela não poderia me ajudar, apenas me mostrar algumas possibilidades para que eu pudesse ser aquilo que desejava: pai e amigo do meu filho!
Me olho no espelho hoje e sinto vergonha das vezes que alterei minha voz para querer que uma criança se curvasse diante de mim. Não quero carregar isso, não preciso disso na minha vida. O que eu preciso é de tranquilidade e isso não se ensina aos pais de primeira viagem. É necessário passar pelas situações para aprender. E o aprendizado ocorre pelo amor ou pela dor. A escolha é nossa.
Os erros são comuns e frequentes, mas quando se tem bons modelos, tudo fica mais fácil.
Um abraço emocionado e sem culpa.
Roges
quinta-feira, 27 de agosto de 2015
A hora de dormir sozinho
Existem várias questões sobre a educação dos filhos que normalmente geram uma gama inimaginável de comentários e opiniões das mais diversas.
A hora de colocar os filhos na sua cama, sem dúvida é um dos assuntos que divide opiniões.
Analisando de modo bem crítico, os pais dormem em suas camas, os filhos nas deles.
Mais ou menos, eu diria!
O Vicente tem dois anos e apesar de ocupar aproximadamente 97,3% da cama enquanto dorme, é uma ótima companhia para passar a noite.
Tudo bem, entendo que ele deve ter seu espaço e que nós também devemos ter o nosso. Ele tem seu berço. E mais do que isso, tem muito bom gosto pelas pessoas com quem deseja passar a noite.
Tanto é verdade que ele abre mão de dormir em seu próprio berço e prefere dormir com pessoas boas, bonitas e legais, como a Mara e eu!
Meu filho tem ou não tem afinidade por pessoas legais?
Agora que a Helena está caminho muitas são as possibilidades de como agir para recuperarmos nossa cama.
A primeira opção, descartada de cara, foi comprar uma cama maior para dormirmos todos juntos. Seria uma delícia, mas pouco indicado. Vai que eu me vire durante a noite e esmague alguém?
A real é que dormir com o filhos é uma doce sensação de estar protegendo alguém de verdade. Quando durmo com o Vicente - seja de dia ou à noite - gosto que ele fique bem pertinho de mim. Para sentir seu cheiro (às vezes de suor por correr tanto), fazer carícias e é claro, protegê-lo de qualquer perturbação que o incomode. É uma sensação extremamente prazerosa!
Também dizem alguns entendidos, que deixar os filhos dormirem na nossa cama faz com que eles fiquem "bardosos" - como dizem lá em Tapejara.
Pode ser, mas não me importo!
Não me importo porque poder acompanhar e velar o sono de um pequenino é uma situação única e só quem tem um sabe o quanto é bom.
O Vicente tem o sono igual ao meu. A Mara pode confirmar.
Gosta de ficar até tarde perambulando pela casa, resiste em dormir cedo e só vai relaxar de verdade lá pelas 4 hs da manhã...igual ao pai dele!
Mas também sabemos que ele precisa de um canto para chamar de seu.
Isso vem ao encontro de ele estar frequentando uma escola de educação infantil e de ter sua própria rotina, bem como sua privacidade. Por isso estávamos quebrando a cabeça esses dias imaginando como será o quarto do Vi. Ele ganhou uma cama do primo Tiago e estamos com certas dificuldades logísticas para trazer para Garibaldi (está em Tapejara).
Desse modo, fizemos uma pesquisa e optamos em montar um quarto Montessoriano pro Seu Vicente. A proposta de Montessori é de que a criança tenha tudo ao seu alcance para explorar o ambiente e brincar à vontade. Por isso a decoração do quarto deve ser bastante simples. A cama é baixinha (ou às vezes no chão mesmo) para evitar que as possíveis quedas sejam traumáticas e muitos dos apetrechos tradicionalmente presentes nos quartos são substituídos por móveis utilitários (poucos) e bastante espaço.
Se ele curtir esse formato de quarto, provavelmente vamos incluir a Helena nessa vibe também.
Em breve postarei umas fotos do novo quarto do Vi. Por enquanto aí vão algumas imagens de quartos Montessori.
Um abraço.
A hora de colocar os filhos na sua cama, sem dúvida é um dos assuntos que divide opiniões.
Analisando de modo bem crítico, os pais dormem em suas camas, os filhos nas deles.
Mais ou menos, eu diria!
O Vicente tem dois anos e apesar de ocupar aproximadamente 97,3% da cama enquanto dorme, é uma ótima companhia para passar a noite.
Tudo bem, entendo que ele deve ter seu espaço e que nós também devemos ter o nosso. Ele tem seu berço. E mais do que isso, tem muito bom gosto pelas pessoas com quem deseja passar a noite.
Tanto é verdade que ele abre mão de dormir em seu próprio berço e prefere dormir com pessoas boas, bonitas e legais, como a Mara e eu!
Meu filho tem ou não tem afinidade por pessoas legais?
Agora que a Helena está caminho muitas são as possibilidades de como agir para recuperarmos nossa cama.
A primeira opção, descartada de cara, foi comprar uma cama maior para dormirmos todos juntos. Seria uma delícia, mas pouco indicado. Vai que eu me vire durante a noite e esmague alguém?
A real é que dormir com o filhos é uma doce sensação de estar protegendo alguém de verdade. Quando durmo com o Vicente - seja de dia ou à noite - gosto que ele fique bem pertinho de mim. Para sentir seu cheiro (às vezes de suor por correr tanto), fazer carícias e é claro, protegê-lo de qualquer perturbação que o incomode. É uma sensação extremamente prazerosa!
Também dizem alguns entendidos, que deixar os filhos dormirem na nossa cama faz com que eles fiquem "bardosos" - como dizem lá em Tapejara.
Pode ser, mas não me importo!
Não me importo porque poder acompanhar e velar o sono de um pequenino é uma situação única e só quem tem um sabe o quanto é bom.
O Vicente tem o sono igual ao meu. A Mara pode confirmar.
Gosta de ficar até tarde perambulando pela casa, resiste em dormir cedo e só vai relaxar de verdade lá pelas 4 hs da manhã...igual ao pai dele!
Mas também sabemos que ele precisa de um canto para chamar de seu.
Isso vem ao encontro de ele estar frequentando uma escola de educação infantil e de ter sua própria rotina, bem como sua privacidade. Por isso estávamos quebrando a cabeça esses dias imaginando como será o quarto do Vi. Ele ganhou uma cama do primo Tiago e estamos com certas dificuldades logísticas para trazer para Garibaldi (está em Tapejara).
Desse modo, fizemos uma pesquisa e optamos em montar um quarto Montessoriano pro Seu Vicente. A proposta de Montessori é de que a criança tenha tudo ao seu alcance para explorar o ambiente e brincar à vontade. Por isso a decoração do quarto deve ser bastante simples. A cama é baixinha (ou às vezes no chão mesmo) para evitar que as possíveis quedas sejam traumáticas e muitos dos apetrechos tradicionalmente presentes nos quartos são substituídos por móveis utilitários (poucos) e bastante espaço.
Se ele curtir esse formato de quarto, provavelmente vamos incluir a Helena nessa vibe também.
Em breve postarei umas fotos do novo quarto do Vi. Por enquanto aí vão algumas imagens de quartos Montessori.
Um abraço.
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
Vicente, suas paixões e suas lições
O Vicente é um menino de paixões. Muitas. E de lições também!
Para ser sincero, fico impressionado com a capacidade que ele tem de se apegar a certas coisas. Por outro lado, assim como se fixa em algo logo desapega. Vida que segue, deve pensar.
Quando bem pequeno ele tinha uma fascinação por coisas minúsculas: botões, insetos, enfim, tudo que fosse bem pequenininho chamava sua atenção. Eu achava aquilo bastante intrigante, afinal de contas, com tanta coisa ao redor para ser vista e explorada, era fascinante vê-lo perder longos minutos observando aquelas coisinhas.
Conforme foi crescendo outros objetos foram compondo sua lista de predileções. Épocas passadas ele vivia com uns brinquedinhos que pareciam uma espécie de botões. Sempre aos pares, um para cada mão. Não largava para nada, levava até pro banho.
Uma coisa que nunca estimulei foi que o Vicente brincasse com bolas.
Casa de ferreiro, espeto de pau, dirão alguns.
Bolas são fascinantes para quase todas as crianças. O problema é que não tenho muita afinidade com elas e por isso acabei deixando que o Vi descobrisse por si só a beleza e o prazer de bater uma bolinha. Longos dias e noites correndo pra lá e pra cá e chutando uma bola velha, que minha mãe deu pra ele. Se não me engano era do meu irmão Yan.
Um domingo fomos a Caxias comprar fraldas no hipermercado e o Seu Vicente não parava no carrinho, queria perambular pelo ambiente. Numa das suas incursões por entre os corredores, o danado chegou até o local onde estavam expostos seus sonhos de consumo - as bolas, ou melhor, na linguagem do Vi, o "gol gol"!
Olhos brilhando, boca aberta!
Essa é a melhor definição daquela cena espetacular, do encontro do menino com seu objeto de desejo. Vários objetos, diga-se de passagem!
Foi a primeira vez que vivenciei na prática o que alguns pais sentem quando seus filhos disparam sem freios pela loja de brinquedos adentro. Tive que comprar o bendito "gol gol". E assim, num piscar de olhos, ele contabilizava 2 bolas e às vezes ficava irritado porque não conseguia brincar com ambas ao mesmo tempo. Era de chorar de rir!
Outro dia fomos no aeroclube aqui de Garibaldi observar os aviões que decolavam e aterrizavam. O momento foi de êxtase. Ele chamou a atenção de todos por lá cada vez que um avião subia ou descia. Fomos no hangar e ele dizia repetidamente: "Uaaaau"!
Aos poucos o fascínio com alguns brinquedos vai sendo substituído por outros. Depois das bolas vieram os carrinhos, tratores, motos e a paixão do momento são os trens, ou melhor, "Tutu"!
Seja de brinquedo ou na TV o Tutu é o dono do campinho.
Aqui em Garibaldi a Maria Fumaça costuma passar duas a três vezes por semana e como moramos próximos à estação do trem, dá pra ouvir o apito de longe. Basta a Maria se aproximar da cidade apitando que o Seu Vicente já levanta o dedo indicador e fala: Tutu!
Independente do que esteja fazendo, corre pra área dos fundos ou em qualquer janela que dê para observar a passagem do trem. É uma alegria sem nenhum constrangimento, tão inocente, tão sincera que chega dar inveja.
Inveja não, vergonha!
Quando o trem passa observo a felicidade do Vicente. Ele lá sorrindo com aquela situação cotidiana, com a simples possibilidade de poder ver uma máquina que solta fumaça e apita. Fico imaginando porque nós adultos vamos perdendo essa ternura, essa fantasia conforme ficamos mais velhos. É uma pena que vamos endurecendo com o tempo, que não consigamos mais sorrir com a simples passagem de um trem. É uma pena que isso aconteça conosco.
Tenho muito a aprender com meu filho!
O auge desse momento ocorre quando o trem passa e solta no ar aquela cortina de fumaça que sai da chaminé.
E logo vem a depressão. Assim que a Maria vai sumindo, a tristeza toma conta. Ele suspira e cheio de sentimento dispara: "Ah, não!"
Fica triste quando ela vai embora.
Quem de nós, adultos, fica triste quando um trem com pessoas que nunca vimos vai embora? Só mesmo uma criança para nos dar esse estalo na consciência. Para nos mostrar que as coisas simples e rotineiras têm sua beleza e que elas valem a pena.
Isso é mágico!
Isso é revigorante!
Pensando bem, o Vi tem razão em se afeiçoar ao Tutu!
Para ser sincero, fico impressionado com a capacidade que ele tem de se apegar a certas coisas. Por outro lado, assim como se fixa em algo logo desapega. Vida que segue, deve pensar.
Quando bem pequeno ele tinha uma fascinação por coisas minúsculas: botões, insetos, enfim, tudo que fosse bem pequenininho chamava sua atenção. Eu achava aquilo bastante intrigante, afinal de contas, com tanta coisa ao redor para ser vista e explorada, era fascinante vê-lo perder longos minutos observando aquelas coisinhas.
Conforme foi crescendo outros objetos foram compondo sua lista de predileções. Épocas passadas ele vivia com uns brinquedinhos que pareciam uma espécie de botões. Sempre aos pares, um para cada mão. Não largava para nada, levava até pro banho.
Uma coisa que nunca estimulei foi que o Vicente brincasse com bolas.
Casa de ferreiro, espeto de pau, dirão alguns.
Bolas são fascinantes para quase todas as crianças. O problema é que não tenho muita afinidade com elas e por isso acabei deixando que o Vi descobrisse por si só a beleza e o prazer de bater uma bolinha. Longos dias e noites correndo pra lá e pra cá e chutando uma bola velha, que minha mãe deu pra ele. Se não me engano era do meu irmão Yan.
Um domingo fomos a Caxias comprar fraldas no hipermercado e o Seu Vicente não parava no carrinho, queria perambular pelo ambiente. Numa das suas incursões por entre os corredores, o danado chegou até o local onde estavam expostos seus sonhos de consumo - as bolas, ou melhor, na linguagem do Vi, o "gol gol"!
Olhos brilhando, boca aberta!
Essa é a melhor definição daquela cena espetacular, do encontro do menino com seu objeto de desejo. Vários objetos, diga-se de passagem!
Foi a primeira vez que vivenciei na prática o que alguns pais sentem quando seus filhos disparam sem freios pela loja de brinquedos adentro. Tive que comprar o bendito "gol gol". E assim, num piscar de olhos, ele contabilizava 2 bolas e às vezes ficava irritado porque não conseguia brincar com ambas ao mesmo tempo. Era de chorar de rir!
Outro dia fomos no aeroclube aqui de Garibaldi observar os aviões que decolavam e aterrizavam. O momento foi de êxtase. Ele chamou a atenção de todos por lá cada vez que um avião subia ou descia. Fomos no hangar e ele dizia repetidamente: "Uaaaau"!
Aos poucos o fascínio com alguns brinquedos vai sendo substituído por outros. Depois das bolas vieram os carrinhos, tratores, motos e a paixão do momento são os trens, ou melhor, "Tutu"!
Seja de brinquedo ou na TV o Tutu é o dono do campinho.
Aqui em Garibaldi a Maria Fumaça costuma passar duas a três vezes por semana e como moramos próximos à estação do trem, dá pra ouvir o apito de longe. Basta a Maria se aproximar da cidade apitando que o Seu Vicente já levanta o dedo indicador e fala: Tutu!
Independente do que esteja fazendo, corre pra área dos fundos ou em qualquer janela que dê para observar a passagem do trem. É uma alegria sem nenhum constrangimento, tão inocente, tão sincera que chega dar inveja.
Inveja não, vergonha!
Quando o trem passa observo a felicidade do Vicente. Ele lá sorrindo com aquela situação cotidiana, com a simples possibilidade de poder ver uma máquina que solta fumaça e apita. Fico imaginando porque nós adultos vamos perdendo essa ternura, essa fantasia conforme ficamos mais velhos. É uma pena que vamos endurecendo com o tempo, que não consigamos mais sorrir com a simples passagem de um trem. É uma pena que isso aconteça conosco.
Tenho muito a aprender com meu filho!
O auge desse momento ocorre quando o trem passa e solta no ar aquela cortina de fumaça que sai da chaminé.
E logo vem a depressão. Assim que a Maria vai sumindo, a tristeza toma conta. Ele suspira e cheio de sentimento dispara: "Ah, não!"
Fica triste quando ela vai embora.
Quem de nós, adultos, fica triste quando um trem com pessoas que nunca vimos vai embora? Só mesmo uma criança para nos dar esse estalo na consciência. Para nos mostrar que as coisas simples e rotineiras têm sua beleza e que elas valem a pena.
Isso é mágico!
Isso é revigorante!
Pensando bem, o Vi tem razão em se afeiçoar ao Tutu!
terça-feira, 25 de agosto de 2015
Novamente a Helena
A Helena dessa vez veio com tudo!
Entramos na 19ª semana de gravidez (eu me enganei quando disse que a Mara estava com 20 semanas há umas 5 semanas atrás...) e ontem pude sentir pela primeira vez a Helena mexer.
Sim, eu, pois a Mara já sente a pequenina mexendo dentro dela faz algum tempo.
Compartilhei bons momentos com a Mara quando estávamos esperando o Vicente. E também momentos que, acredito, não devem fazer nenhuma falta a ela nessa gestação.
Não faço a menor ideia das sensações que uma mulher grávida têm no decorrer da sua gestação, por outro lado posso imaginar, como espectador, é claro, a felicidade que as mulheres devem sentir quando seus bebês mexem no interior de seu ventre.
Analisando friamente é uma coisa de doido saber que as pessoas um dia mexeram dentro das barrigas de outras pessoas, que se reviraram dentro das barrigas de outras pessoas e assim por diante.
Engraçado pensar que um cara que pouco sorria, como meu avô, saracoteou dentro da barriga da mãe dele!
Imaginem só como deviam se sentir as avós das nossas bisavós, em tempos de pouquíssimas informações sobre de seus rebentos, quando começavam a notar seus ventres tremelicarem por causa de um ser que provavelmente não sabiam o sexo, tampouco o que poderia ser no futuro.
Isso é magico...e maluco ao mesmo tempo!
A Helena ontem se movimentou dentro da Mara e com muita calma pude sentir suas vibrações de leve também na minha mão.
Que sensação maravilhosa sentir minha pequena dando sinais de que está crescendo. Mal a conheço e já me derreto todo por essa menina.
Ah, essa Helena vai dar o que falar!
Entramos na 19ª semana de gravidez (eu me enganei quando disse que a Mara estava com 20 semanas há umas 5 semanas atrás...) e ontem pude sentir pela primeira vez a Helena mexer.
Sim, eu, pois a Mara já sente a pequenina mexendo dentro dela faz algum tempo.
Compartilhei bons momentos com a Mara quando estávamos esperando o Vicente. E também momentos que, acredito, não devem fazer nenhuma falta a ela nessa gestação.
Não faço a menor ideia das sensações que uma mulher grávida têm no decorrer da sua gestação, por outro lado posso imaginar, como espectador, é claro, a felicidade que as mulheres devem sentir quando seus bebês mexem no interior de seu ventre.
Analisando friamente é uma coisa de doido saber que as pessoas um dia mexeram dentro das barrigas de outras pessoas, que se reviraram dentro das barrigas de outras pessoas e assim por diante.
Engraçado pensar que um cara que pouco sorria, como meu avô, saracoteou dentro da barriga da mãe dele!
Imaginem só como deviam se sentir as avós das nossas bisavós, em tempos de pouquíssimas informações sobre de seus rebentos, quando começavam a notar seus ventres tremelicarem por causa de um ser que provavelmente não sabiam o sexo, tampouco o que poderia ser no futuro.
Isso é magico...e maluco ao mesmo tempo!
A Helena ontem se movimentou dentro da Mara e com muita calma pude sentir suas vibrações de leve também na minha mão.
Que sensação maravilhosa sentir minha pequena dando sinais de que está crescendo. Mal a conheço e já me derreto todo por essa menina.
Ah, essa Helena vai dar o que falar!
sexta-feira, 21 de agosto de 2015
Viagens...doce estresse!
Quando eu e a Mara viemos morar em Garibaldi e tínhamos o Marezinho (nosso Celta), ir para Tapejara ou outro lugar qualquer era muito fácil.
Bastava um olhar para o outro e dizer: "Vamos!"
Mas como muita gente sabe, hoje temos o Vicente e em breve virá a Helena. E uma das coisas que muito nos causou estresse - e provavelmente nos causará por um bom tempo - é viajar.
Logo que o Vicente nasceu, ele ia no bebê conforto, super tranquilo dormindo durante boa parte do trajeto.
Bons tempos aqueles!
O tempo passou, o Vicente cresceu e começou a não querer mais ficar no bebê conforto. Passávamos um sufoco, um verdadeiro martírio tentando convencê-lo de que "logo" chegaríamos e que era necessário ficar no seu lugarzinho.
Não adiantava!
Ele gritava, chorava, esperneava e no final da contas era mais fácil pegá-lo no colo (não façam isso em casa!) do que viajar algumas horas com choros e gritos.
Eis que, em uma determinada noite, estávamos em um restaurante aqui em Garibaldi e vimos um casal com seu filho e aquilo que seria a nossa salvação: um DVD portátil!
O pai fazia uma espécie de chantagem com seu filho para que ele comesse. Quando achava que o menino tinha comido relativamente bem, liberava o DVD para a criança. E ela se acalmava de uma maneira, que parecia não estar mais naquela ambiente.
Conosco aconteceu algo parecido. Uma tardinha chuvosa saímos de Garibaldi em direção à Tapejara e o Vicente logo na saída acabou dormindo...por 20 minutos! Quando acordou queria de todo modo sair da cadeirinha e deu início à via crucis que tanto estávamos acostumados, Quando chegamos em Passo Fundo tínhamos que trocar a fralda dele e paramos em um hipermercado para fazer a operação limpeza. Fralda nova, ânimos mais tranquilos, tudo certo até que passamos em frente a uma loja e lá estava nosso objeto dos desejos mais profundo: um DVD portátil!
Compramos o bendito aparelho acreditando que seria nossa "melhor compra" até então. Baita engano!
O Vicente não dava atenção para o aparelho e continuava querendo sair da cadeirinha a todo custo. Uma vez eu disse pra Mara: "Mais uma vez compramos uma coisa por impulso!", mas a verdade é que o Vicente não era, por assim dizer, maduro o suficiente para ficar preso àquelas imagens cheias de cores, movimentos e músicas durante uma viagem inteira. Nós é que idealizamos uma situação sem considerar o fato de que ele era muito novo para aquilo.
Ele cresceu e hoje o DVD é seu (nosso) amigo do peito. Tanto é verdade que algumas vezes saímos de um lado pro outro e não ligamos o aparelho e ele pede para assistir o Patati Patatá ou a trilogia do Toy Story. No momento ele está curtindo o filme Rio.
De fato, as viagens acabaram se tornando menos estressantes com o auxílio desse artefato, porém, acredito que em breve, assim que o Vi começar a falar mais fluentemente, o estresse volte com a famosa frase: "A gente tá chegando?" ou aquela outra: "Falta muito?"
Sem contar que a chegada da Helena nos obrigará pensar em outras alternativas para podermos conhecer novos lugares com um mínimo de dor de cabeça.
Por via das dúvidas, já estou providenciando outro DVD portátil!
Bastava um olhar para o outro e dizer: "Vamos!"
Mas como muita gente sabe, hoje temos o Vicente e em breve virá a Helena. E uma das coisas que muito nos causou estresse - e provavelmente nos causará por um bom tempo - é viajar.
Logo que o Vicente nasceu, ele ia no bebê conforto, super tranquilo dormindo durante boa parte do trajeto.
Bons tempos aqueles!
O tempo passou, o Vicente cresceu e começou a não querer mais ficar no bebê conforto. Passávamos um sufoco, um verdadeiro martírio tentando convencê-lo de que "logo" chegaríamos e que era necessário ficar no seu lugarzinho.
Não adiantava!
Ele gritava, chorava, esperneava e no final da contas era mais fácil pegá-lo no colo (não façam isso em casa!) do que viajar algumas horas com choros e gritos.
Eis que, em uma determinada noite, estávamos em um restaurante aqui em Garibaldi e vimos um casal com seu filho e aquilo que seria a nossa salvação: um DVD portátil!
O pai fazia uma espécie de chantagem com seu filho para que ele comesse. Quando achava que o menino tinha comido relativamente bem, liberava o DVD para a criança. E ela se acalmava de uma maneira, que parecia não estar mais naquela ambiente.
Conosco aconteceu algo parecido. Uma tardinha chuvosa saímos de Garibaldi em direção à Tapejara e o Vicente logo na saída acabou dormindo...por 20 minutos! Quando acordou queria de todo modo sair da cadeirinha e deu início à via crucis que tanto estávamos acostumados, Quando chegamos em Passo Fundo tínhamos que trocar a fralda dele e paramos em um hipermercado para fazer a operação limpeza. Fralda nova, ânimos mais tranquilos, tudo certo até que passamos em frente a uma loja e lá estava nosso objeto dos desejos mais profundo: um DVD portátil!
Compramos o bendito aparelho acreditando que seria nossa "melhor compra" até então. Baita engano!
O Vicente não dava atenção para o aparelho e continuava querendo sair da cadeirinha a todo custo. Uma vez eu disse pra Mara: "Mais uma vez compramos uma coisa por impulso!", mas a verdade é que o Vicente não era, por assim dizer, maduro o suficiente para ficar preso àquelas imagens cheias de cores, movimentos e músicas durante uma viagem inteira. Nós é que idealizamos uma situação sem considerar o fato de que ele era muito novo para aquilo.
Ele cresceu e hoje o DVD é seu (nosso) amigo do peito. Tanto é verdade que algumas vezes saímos de um lado pro outro e não ligamos o aparelho e ele pede para assistir o Patati Patatá ou a trilogia do Toy Story. No momento ele está curtindo o filme Rio.
De fato, as viagens acabaram se tornando menos estressantes com o auxílio desse artefato, porém, acredito que em breve, assim que o Vi começar a falar mais fluentemente, o estresse volte com a famosa frase: "A gente tá chegando?" ou aquela outra: "Falta muito?"
Sem contar que a chegada da Helena nos obrigará pensar em outras alternativas para podermos conhecer novos lugares com um mínimo de dor de cabeça.
Por via das dúvidas, já estou providenciando outro DVD portátil!
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
Pais e filhos Ipsis Litteris
Acho lindo quando uma mulher desfila sua barriga de grávida por aí!
Particularmente acho muito bonito uma mulher grávida. Acredito que seja pelo fato de que não consigo ver apenas o que está ao alcance dos olhos. Vejo uma gestante, independente de sua situação familiar, financeira, de saúde, como uma provável matriarca.
Não há nenhuma possibilidade de que nossos filhos venham ao mundo, pelo menos até agora, sem que uma mulher se responsabilize por carregar nossos herdeiros, parte de nossos genes por uma quantidade considerável de meses, semanas, dias, horas até o tão aguardado momento em que somos diretamente responsáveis por dar ao mundo mais uma geração de seres humanos!
Lembro todos os dias dos momentos que antecederam o nascimento do Vicente e acredito que com a Helena será do mesmo modo.
Espero nunca ter Alzheimer porque essas lembranças são confortantes e motivadoras.
Às vezes a natureza é exigente em demasia com as mulheres e, na minha opinião, especialmente com as mães. Mulheres tem um dispositivo especialmente desenvolvido para garantir a perpetuação da espécie humana, o qual é liberado em média a cada 4 semanas.
Passada a oportunidade, só no próximo ciclo e aí, oportunamente, surgem os incômodos mensais tão bem conhecidos e estudados pela comunidade científica e por que não dizer, também pelos homens.
As mães não passam pelos incômodos mensais enquanto gestam suas crias. Por outro lado são vítimas de um carrossel de sentimentos e sintomas que vão desde a angústia por não conseguir se adaptar às mudanças de seu próprio corpo, passando pelos famosos enjoos e vômitos no início da gravidez e em alguns casos culminando com um árduo trabalho de parto. Tudo em prol dos filhotes que estão se desenvolvendo em seus ventres.
Quando a Mara estava grávida do Vicente eu tentei ser muito solidário com ela. Era sua primeira gestação - minha também - e todas as sensações, boas e más que uma gestação típica poderia ter provocado, a Mara sentiu. Por tempo determinado, ainda bem!
Por situações como essas é que dizem por aí, com certa dose de certeza que uma das grandes incoerências da vida é que a mãe carrega o filho 9 meses e depois sai a cara do pai!
Sair a cara do pai, se fosse filho do Brad Pitt ou do Andy Garcia não seria propriamente um problema. Pior seria se fosse filho do Reginaldo Rossi!
Tenho observado o Vicente com mais calma e isso me permite prestar maior atenção em alguns traços da sua personalidade, especialmente em suas manifestações comportamentais.
Já disse e repito: ele tem muito mais de mim do que eu poderia imaginar!
O guri é irritado quando as coisas não saem como ele imagina, briga quando é contrariado, tenta marcar território falando grosso e na primeira demonstração que ninguém vai cair na lábia dele - que é poderosa, diga-se de passagem - ele tenta o socorro usando sua voz melosa e seu carinho .
Hoje presenciamos uma situação que exemplifica o que acabei de escrever. Vicente vinha correndo até a cozinha para chamar atenção enquanto Mara e eu conversávamos. No princípio demos um pouco de atenção às suas traquinagens, mas depois, como o assunto era sério, ele ia e voltava e nós nem tchum!
Para dar um up na busca por atenção, jogou um de seus brinquedos pela janela que dá para área de serviço. Jogou um, dois, três e antes de jogar o quarto, apontou para fora como se quisesse dizer: "E agora? Alguém tem que pegar pra mim!".
Mas para sua surpresa, ambos dissemos que não haveria possibilidade de pegar os brinquedos, pois eles estavam lá fora. Mais rápido que Usain Bolt, ele olhou para a porta e chamou aquela que na sua opinião seria sua salvação, sua defensora com uma voz tão doce, que se um diabético estivesse por perto poderia passar mal.
"Tataaaaa" - disse ele!
Sobrevivência em primeiro lugar. Meu pai não caiu, minha mãe também não, vou ter que achar alguém que ainda me dê ibope nessa casa.
Por um momento me vi naquele menino querendo chamar atenção e fazendo de tudo para conseguir realizar suas peraltices.
Fui criado pelos meus avós maternos até os 10 anos e não foram poucas às vezes que a Dona Célia passou a mão na minha cabeça quando o Seu Tranquilo dizia não! Várias vezes eu tentei de todas as maneiras persuadir meus tios para que me dessem algo ou me deixassem mexer em alguma coisa e diante das frequentes negativas, recorria à minha super protetora de cabelos brancos e andar arqueado, com cara de coitado e voz de injustiçado a fim de que me ajudasse a fazer o que tanto pretendia. Por muito tempo eu achei que ela acreditava nas minhas encenações, mas acho que ela fazia isso para eu parar de incomodar.
O Vicente também tem esse hábito. Tenta de todas a formas nos persuadir a fazer o que ele quer, por mais que esse querer dure apenas 30 segundos. Usa de todos os métodos para se impôr e lograr êxito naquilo que deseja.
Puxando da memória, trinta e poucos anos atrás, ainda consigo lembrar de um menino lá em Tapejara que era idêntico a ele!
Veremos como a pequena Helena será!
As mães carregam seus bebês em seus ventres, sofrem, dão à luz e os filhos saem idênticos aos pais!
A natureza é demasiada exigente com as mães!
Particularmente acho muito bonito uma mulher grávida. Acredito que seja pelo fato de que não consigo ver apenas o que está ao alcance dos olhos. Vejo uma gestante, independente de sua situação familiar, financeira, de saúde, como uma provável matriarca.
Não há nenhuma possibilidade de que nossos filhos venham ao mundo, pelo menos até agora, sem que uma mulher se responsabilize por carregar nossos herdeiros, parte de nossos genes por uma quantidade considerável de meses, semanas, dias, horas até o tão aguardado momento em que somos diretamente responsáveis por dar ao mundo mais uma geração de seres humanos!
Lembro todos os dias dos momentos que antecederam o nascimento do Vicente e acredito que com a Helena será do mesmo modo.
Espero nunca ter Alzheimer porque essas lembranças são confortantes e motivadoras.
Às vezes a natureza é exigente em demasia com as mulheres e, na minha opinião, especialmente com as mães. Mulheres tem um dispositivo especialmente desenvolvido para garantir a perpetuação da espécie humana, o qual é liberado em média a cada 4 semanas.
Passada a oportunidade, só no próximo ciclo e aí, oportunamente, surgem os incômodos mensais tão bem conhecidos e estudados pela comunidade científica e por que não dizer, também pelos homens.
As mães não passam pelos incômodos mensais enquanto gestam suas crias. Por outro lado são vítimas de um carrossel de sentimentos e sintomas que vão desde a angústia por não conseguir se adaptar às mudanças de seu próprio corpo, passando pelos famosos enjoos e vômitos no início da gravidez e em alguns casos culminando com um árduo trabalho de parto. Tudo em prol dos filhotes que estão se desenvolvendo em seus ventres.
Quando a Mara estava grávida do Vicente eu tentei ser muito solidário com ela. Era sua primeira gestação - minha também - e todas as sensações, boas e más que uma gestação típica poderia ter provocado, a Mara sentiu. Por tempo determinado, ainda bem!
Por situações como essas é que dizem por aí, com certa dose de certeza que uma das grandes incoerências da vida é que a mãe carrega o filho 9 meses e depois sai a cara do pai!
Sair a cara do pai, se fosse filho do Brad Pitt ou do Andy Garcia não seria propriamente um problema. Pior seria se fosse filho do Reginaldo Rossi!
Tenho observado o Vicente com mais calma e isso me permite prestar maior atenção em alguns traços da sua personalidade, especialmente em suas manifestações comportamentais.
Já disse e repito: ele tem muito mais de mim do que eu poderia imaginar!
O guri é irritado quando as coisas não saem como ele imagina, briga quando é contrariado, tenta marcar território falando grosso e na primeira demonstração que ninguém vai cair na lábia dele - que é poderosa, diga-se de passagem - ele tenta o socorro usando sua voz melosa e seu carinho .
Hoje presenciamos uma situação que exemplifica o que acabei de escrever. Vicente vinha correndo até a cozinha para chamar atenção enquanto Mara e eu conversávamos. No princípio demos um pouco de atenção às suas traquinagens, mas depois, como o assunto era sério, ele ia e voltava e nós nem tchum!
Para dar um up na busca por atenção, jogou um de seus brinquedos pela janela que dá para área de serviço. Jogou um, dois, três e antes de jogar o quarto, apontou para fora como se quisesse dizer: "E agora? Alguém tem que pegar pra mim!".
Mas para sua surpresa, ambos dissemos que não haveria possibilidade de pegar os brinquedos, pois eles estavam lá fora. Mais rápido que Usain Bolt, ele olhou para a porta e chamou aquela que na sua opinião seria sua salvação, sua defensora com uma voz tão doce, que se um diabético estivesse por perto poderia passar mal.
"Tataaaaa" - disse ele!
Sobrevivência em primeiro lugar. Meu pai não caiu, minha mãe também não, vou ter que achar alguém que ainda me dê ibope nessa casa.
Por um momento me vi naquele menino querendo chamar atenção e fazendo de tudo para conseguir realizar suas peraltices.
Fui criado pelos meus avós maternos até os 10 anos e não foram poucas às vezes que a Dona Célia passou a mão na minha cabeça quando o Seu Tranquilo dizia não! Várias vezes eu tentei de todas as maneiras persuadir meus tios para que me dessem algo ou me deixassem mexer em alguma coisa e diante das frequentes negativas, recorria à minha super protetora de cabelos brancos e andar arqueado, com cara de coitado e voz de injustiçado a fim de que me ajudasse a fazer o que tanto pretendia. Por muito tempo eu achei que ela acreditava nas minhas encenações, mas acho que ela fazia isso para eu parar de incomodar.
O Vicente também tem esse hábito. Tenta de todas a formas nos persuadir a fazer o que ele quer, por mais que esse querer dure apenas 30 segundos. Usa de todos os métodos para se impôr e lograr êxito naquilo que deseja.
Puxando da memória, trinta e poucos anos atrás, ainda consigo lembrar de um menino lá em Tapejara que era idêntico a ele!
Veremos como a pequena Helena será!
As mães carregam seus bebês em seus ventres, sofrem, dão à luz e os filhos saem idênticos aos pais!
A natureza é demasiada exigente com as mães!
terça-feira, 18 de agosto de 2015
Filhos são uma fábrica de surpresas
Surpresas o tempo todo!
Essa é a rotina aqui em casa.
Desde que nasceu, o Vicente nos surpreende. Aliás, até para nascer o Vi nos surpreendeu. Veio um pouco antes do previsto o danado.
Esse final de semana estava pensando sobre o que escrever aqui e como não tenho nenhuma preocupação com uma "produção literária" significativa, deixei as coisas acontecerem para ver o que dava. Conversando com a Mara sobre o modo como ele se relaciona e resolve seus problemas, pude perfeitamente observar que ele tem meu gênio - irritado e explosivo - quando as coisas não acontecem como planejadas. Em outros momentos contemporiza pequenos objetos com a serenidade de uma bebê recém nascido e ainda em outras situações demonstra um afeto para conosco de uma maneira que eu nunca consegui observar em outra criança.
Como já comentei em outras postagens o Vi está adaptando em uma nova escola e as coisas estão fluindo bem. Bem demais!
Naturalmente como todo pai de primeira viagem, acredito que a preocupação com o desenrolar das situações que envolvem nossos filhos muitas das vezes tendem a rumar para o pior desfecho possível.
Ora, mas qual o problema das coisas darem certo assim, na primeira vez?
Simples. Na tentativa de não sofrer com o resultado, sofremos por antecedência fazendo com que nossos filhos não aprendam com suas próprias experiências. Regra básica da incoerência paterna!
E isso é algo que se aprende diariamente, no amor ou na dor. A escolha é nossa.
Ficamos, Vicente e eu, aproximadamente 10 dias na romaria diária de ir para a escola no intuito de que ele se adaptasse. Chegávamos, eu o estimulava a se deslocar pela escola, interagir com os colegas, brincar, etc... Ele fazia isso e muito mais com extrema maestria, porém, quando a situação exigia que ele se enturmasse e interagisse com quem quer que fosse, voltava correndo para o colo do "Gege".
A questão é óbvia.
Por que me expôr, se tenho meu protetor por perto, que além de me dar abrigo ainda sorri como um bocó com minhas peraltices?
O Vi é louco de esperto. Percebeu na primeira semana que eu não o deixaria passar por outra situação como aquela que aconteceu na outra escola. E, mais uma vez, com seus olhinhos castanhos, sua fala mansinha e seu sorriso meigo, me manipulou.
Ele adora o pátio da escola, mas para ter certeza de que não precisará correr nenhum risco para aproveitar aquele espaço que é seu sonho de consumo, usa uma estratégia digna de James Bond. Chega na porta que dá acesso ao pátio e joga um dos seus carrinhos no gramado. Aguarda um tempo para ter certeza de que ninguém se atreverá a pegar e depois, com uma dissimulação invejável, faz cara de quem, sem opção, precisa buscar seu brinquedo, cara de quem "precisa ir até o pátio buscar seu brum brum".
À primeira vista parece uma atitude manhosa, birrenta, de criança que faz isso de propósito para que alguém lhe sirva. Mas conhecendo bem a figura é possível reconhecer que essa é apenas uma de suas estratégias para poder explorar o ambiente sem correr nenhum risco, pois se alguém resolver juntar o carrinho e lhe devolver, ele fica extremamente irritado. Resumindo: sua tática foi por água abaixo!
Assim ele fez no primeiro, segundo, terceiro, todos os dias em que fomos lá.
A engenhosidade com que ele elabora sua estratégia de defesa e resiliência é uma questão básica e simples que todo ser humano tem: a sobrevivência.
Não lembro dessa minha fase, mas acredito que com 2 anos eu ainda comia areia!
Outra situação que me deixou de queixo caído foi uma tarde na pracinha. Ele foi com a babá até uma pracinha perto de casa. Chegando lá, encontrou um semelhante - outro menino com aproximadamente a mesma idade. Ambos se olharam e como não poderia acontecer de outro modo, quiseram o brinquedo do outro. Numa atitude de cordialidade e diplomacia, trocaram seus respectivos carrinhos, brincaram cada um à sua maneira e ao final, o amigo devolveu o brinquedo do Vi e pegou o seu, pois estava na hora de ir pra casa.
Não sei se isso acontece a todo momento, mas para mim, é possível que muitos adultos racionais e esclarecidos não ajam dessa maneira. O que dirá crianças com menos de 2 anos!
Vicente está, do seu jeito e com algumas limitações é claro, elaborando suas estratégias de sobrevivência. Essa é para mim uma conquista sem igual para sua formação como sujeito.
O danado está crescendo e se virando.
E nós, percebendo que ele logo vai sair dos nossos colos e ganhar o mundo.
Filhos são surpreendentes não é mesmo?
Essa é a rotina aqui em casa.
Desde que nasceu, o Vicente nos surpreende. Aliás, até para nascer o Vi nos surpreendeu. Veio um pouco antes do previsto o danado.
Esse final de semana estava pensando sobre o que escrever aqui e como não tenho nenhuma preocupação com uma "produção literária" significativa, deixei as coisas acontecerem para ver o que dava. Conversando com a Mara sobre o modo como ele se relaciona e resolve seus problemas, pude perfeitamente observar que ele tem meu gênio - irritado e explosivo - quando as coisas não acontecem como planejadas. Em outros momentos contemporiza pequenos objetos com a serenidade de uma bebê recém nascido e ainda em outras situações demonstra um afeto para conosco de uma maneira que eu nunca consegui observar em outra criança.
Como já comentei em outras postagens o Vi está adaptando em uma nova escola e as coisas estão fluindo bem. Bem demais!
Naturalmente como todo pai de primeira viagem, acredito que a preocupação com o desenrolar das situações que envolvem nossos filhos muitas das vezes tendem a rumar para o pior desfecho possível.
Ora, mas qual o problema das coisas darem certo assim, na primeira vez?
Simples. Na tentativa de não sofrer com o resultado, sofremos por antecedência fazendo com que nossos filhos não aprendam com suas próprias experiências. Regra básica da incoerência paterna!
E isso é algo que se aprende diariamente, no amor ou na dor. A escolha é nossa.
Ficamos, Vicente e eu, aproximadamente 10 dias na romaria diária de ir para a escola no intuito de que ele se adaptasse. Chegávamos, eu o estimulava a se deslocar pela escola, interagir com os colegas, brincar, etc... Ele fazia isso e muito mais com extrema maestria, porém, quando a situação exigia que ele se enturmasse e interagisse com quem quer que fosse, voltava correndo para o colo do "Gege".
A questão é óbvia.
Por que me expôr, se tenho meu protetor por perto, que além de me dar abrigo ainda sorri como um bocó com minhas peraltices?
O Vi é louco de esperto. Percebeu na primeira semana que eu não o deixaria passar por outra situação como aquela que aconteceu na outra escola. E, mais uma vez, com seus olhinhos castanhos, sua fala mansinha e seu sorriso meigo, me manipulou.
Ele adora o pátio da escola, mas para ter certeza de que não precisará correr nenhum risco para aproveitar aquele espaço que é seu sonho de consumo, usa uma estratégia digna de James Bond. Chega na porta que dá acesso ao pátio e joga um dos seus carrinhos no gramado. Aguarda um tempo para ter certeza de que ninguém se atreverá a pegar e depois, com uma dissimulação invejável, faz cara de quem, sem opção, precisa buscar seu brinquedo, cara de quem "precisa ir até o pátio buscar seu brum brum".
À primeira vista parece uma atitude manhosa, birrenta, de criança que faz isso de propósito para que alguém lhe sirva. Mas conhecendo bem a figura é possível reconhecer que essa é apenas uma de suas estratégias para poder explorar o ambiente sem correr nenhum risco, pois se alguém resolver juntar o carrinho e lhe devolver, ele fica extremamente irritado. Resumindo: sua tática foi por água abaixo!
Assim ele fez no primeiro, segundo, terceiro, todos os dias em que fomos lá.
A engenhosidade com que ele elabora sua estratégia de defesa e resiliência é uma questão básica e simples que todo ser humano tem: a sobrevivência.
Não lembro dessa minha fase, mas acredito que com 2 anos eu ainda comia areia!
Outra situação que me deixou de queixo caído foi uma tarde na pracinha. Ele foi com a babá até uma pracinha perto de casa. Chegando lá, encontrou um semelhante - outro menino com aproximadamente a mesma idade. Ambos se olharam e como não poderia acontecer de outro modo, quiseram o brinquedo do outro. Numa atitude de cordialidade e diplomacia, trocaram seus respectivos carrinhos, brincaram cada um à sua maneira e ao final, o amigo devolveu o brinquedo do Vi e pegou o seu, pois estava na hora de ir pra casa.
Não sei se isso acontece a todo momento, mas para mim, é possível que muitos adultos racionais e esclarecidos não ajam dessa maneira. O que dirá crianças com menos de 2 anos!
Vicente está, do seu jeito e com algumas limitações é claro, elaborando suas estratégias de sobrevivência. Essa é para mim uma conquista sem igual para sua formação como sujeito.
O danado está crescendo e se virando.
E nós, percebendo que ele logo vai sair dos nossos colos e ganhar o mundo.
Filhos são surpreendentes não é mesmo?
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
Um pouco da nossa pequena (e aguardada) Helena
Eu escrevo tanto sobre o Vicente que até parece que esse é apenas sobre ele.
Mas não é!
Como todo pai que se preze, sei que devo aprender a dividir tudo entre os filhos para que cada um tenha sua devida participação.
Embora - até agora - a Helena pouco tenha participado ativamente da movimentação deste canal de comunicação, ela é assunto de todas as horas aqui em casa.
Em um texto anterior disse que o Vicente foi a grande surpresa da minha vida. Na verdade não foi!
A grande surpresa da minha vida é, sem dúvida nenhuma, a Helena.
Se dependesse da minha intuição paterna, quem deveria ter 2 anos agora era ela.
Quando estávamos esperando o Vicente uma noite sonhei que teria uma menina e na manhã seguinte eu disse pra Mara:
Vamos ter uma menina! Eu sonhei que estava com uma menina recém nascida no colo e quando dei um beijo nela, senti o gosto. Olha o nível da auto-sugestão!
Tinha tanta certeza que teríamos uma menina que quando a médica confirmou que intuição paterna não funcionava, tive que juntar meu queixo no chão.
O Vicente está crescendo e de certo modo a rotina aqui em casa estava se ajustando quando de repente, num relance eis que surge a confirmação. Outro bebê à caminho!
Desta vez a surpresa foi para a Mara que "tinha certeza" de que seria mais um menino.
Toda vez que lembro desse momento penso no Alcemar dizendo: "Errrrrooouuuu!"
Logo que a gravidez se confirmou, tivemos nosso momento de paranoia. Eu fiquei completamente sem imaginar o que fazer (como se pudesse fazer algo diferente além de aceitar) e fiquei o dia inteiro completamente fora do ar. A Mara em alguns momentos olhava para o Vi e pensava que estávamos sendo desonestos com ele, afinal de contas tão pequeno e já iria perder algo conosco, algo que era apenas dele, a partir de agora teria de compartilhar. Sentimentos confusos. O bárbaro dessa história toda é que tínhamos gerado um novo ser, uma nova pessoa, um outro alguém que viria ao mundo para iluminar a vida de outras pessoas além de nós mesmos. A lógica da vida estava se materializando novamente aqui em casa. Isso é lindo pra caramba e não tem preço!
A Helena está aproximadamente com 20 semanas e mede em torno de 15 cm. Resumindo, crescendo normalmente.
Sou obrigado a confessar que ter uma filha é uma coisa que me agrada muito. Tenho uma certa predileção por meninas e até o momento não parei para pensar que algum dia um cara usando uma calça saruel de boné virado pro lado com um carro rebaixado ouvindo músicas indecifráveis vai parar na frente da minha casa e me chamar para conversar sobre a relação que ele quer ter com a Helena.
Se é que esse tipo de conversa ainda existirá daqui uns 37 anos!
Não, nunca pensei nisso!!!
Torço com veemência para que meus filhos tenham uma boa relação entre si e que sejam de fato amigos, companheiros e que possam sonhar juntos com uma vida proveitosa. Para que possam colaborar um com o outro em seus projetos, por mais malucos que eles sejam e por mais que seus pais digam que não. Desejo que eles deem suportem um ao outro e aprendam, apesar da dureza do mundo, que a vida existe para ser vivida e não sobrevivida!
terça-feira, 11 de agosto de 2015
O dia dos pais
Até o nascimento do Vicente, o dia dos pais para mim era um dia cinza.
Bom, o fato de dizer isso é que eu nunca passei o dia dos pais com o meu pai!
Nunca tive a presença dele nesse dia e foram poucas as vezes que estive com ele em outros dias também.
Quando criança não compreendia porque tinha que desenhar e pintar gravatas no colégio e entregar para meu avô, meus tios ou para meu padrasto - fui criado e educado por eles.
Era muito estranho!
Sem contar nos dias de natal e aniversário que me perguntavam:
O que teu pai de teu de presente?
Meio sem saber como responder eu dizia:
Meu avô me deu um carrinho e meu tio me deu uma bola!
Era o que tinha para o momento.
Na real, quando criança meu pai, teoricamente, não fazia falta...teoricamente!
Meus modelos de pai acabaram sendo pessoas muito boas e ajudaram a formar minha personalidade no que sou hoje.
O preço da ausência começou a ser cobrado mais adiante quando entrei na adolescência e se estendeu até a fase adulta.
Já mencionei em outras postagens que o nascimento do Vi foi um divisor de águas na minha vida. É claro que a gente sempre aprende com esses pequenos. Quem disser o contrário ou não está aproveitando o momento ou não entende a lógica da vida que nos coloca na parede para um exercício de auto-crítica e reavaliação de decisões e atos.
Hoje me vejo ainda uma pessoa sem parâmetros para avaliar minhas atitudes como pai, o que me coloca em uma situação constante de dúvidas sobre estar sendo justo ou coerente nas minhas decisões que envolvam o Vicente e a partir de janeiro, a Helena.
Domingo foi meu terceiro dia dos pais com meu filho.
O primeiro ele era recém-nascido e o nosso momento juntos foi uma mamada em meu colo...jamais esquecerei!
O segundo dia dos pais ele tava meio doentinho e comungamos nosso dia dos pais um cuidando do outro. Sim, porque o Vicente cuida e me policia para que eu continue me moldando como pai. Ele é extremamente eficaz nessa tarefa.
Nesse último dia dos pais fomos na pracinha, apenas ele e eu.
Quisera eu ter tido um momento desses com meu pai na infância!
Não sou hipócrita em afirmar a todo momento que criar e educar um filho é uma facilidade igual aos contos de fadas e livros de receitas educacionais! Quem tem um ou mais sabe que não é assim. Temos nossos momentos de atritos e, confesso, algumas vezes chego a me exceder na falta da paciência.
Logo depois vem a auto-crítica e a reflexão que me leva a olhar para dentro e pensar um zilhão de vezes que ele está crescendo, passando pelo que os especialistas - ao menos dizem que são especialistas - chamam de Terrible Twos e que provavelmente eu fui igual...ou pior!
O dia dos pais, para mim é todos os dias. Sim, é um chavão, eu sei, mas o dia de ser pai não é num domingo de sol, de programas felizes e de gravatinhas pintadas com lápis de cor que não conseguem ficar dentro das linhas.
O dia de ser pai normalmente é à noite, às vezes de madrugada, na corrida ao pronto atendimento quando o filho arde em febre, no choro contido no dia das vacinas, na vontade de dizer Sim ao invés do tão famoso e necessário Não, na vontade de atirar tudo pra cima e dizer para os entendidos de plantão que eu educo meu filho como eu quiser e não como uma meia dúzia de revistas especializadas no assunto querem que eu molde ele!
O dia de ser pai é todo dia, pois todo dia nossos pequenos carecem da nossa presença.
Se realmente estou certo quanto à isso, então posso afirmar: Tenho sido um bom pai!
Um forte - emocionado - abraço.
Roges
Bom, o fato de dizer isso é que eu nunca passei o dia dos pais com o meu pai!
Nunca tive a presença dele nesse dia e foram poucas as vezes que estive com ele em outros dias também.
Quando criança não compreendia porque tinha que desenhar e pintar gravatas no colégio e entregar para meu avô, meus tios ou para meu padrasto - fui criado e educado por eles.
Era muito estranho!
Sem contar nos dias de natal e aniversário que me perguntavam:
O que teu pai de teu de presente?
Meio sem saber como responder eu dizia:
Meu avô me deu um carrinho e meu tio me deu uma bola!
Era o que tinha para o momento.
Na real, quando criança meu pai, teoricamente, não fazia falta...teoricamente!
Meus modelos de pai acabaram sendo pessoas muito boas e ajudaram a formar minha personalidade no que sou hoje.
O preço da ausência começou a ser cobrado mais adiante quando entrei na adolescência e se estendeu até a fase adulta.
Já mencionei em outras postagens que o nascimento do Vi foi um divisor de águas na minha vida. É claro que a gente sempre aprende com esses pequenos. Quem disser o contrário ou não está aproveitando o momento ou não entende a lógica da vida que nos coloca na parede para um exercício de auto-crítica e reavaliação de decisões e atos.
Hoje me vejo ainda uma pessoa sem parâmetros para avaliar minhas atitudes como pai, o que me coloca em uma situação constante de dúvidas sobre estar sendo justo ou coerente nas minhas decisões que envolvam o Vicente e a partir de janeiro, a Helena.
Domingo foi meu terceiro dia dos pais com meu filho.
O primeiro ele era recém-nascido e o nosso momento juntos foi uma mamada em meu colo...jamais esquecerei!
O segundo dia dos pais ele tava meio doentinho e comungamos nosso dia dos pais um cuidando do outro. Sim, porque o Vicente cuida e me policia para que eu continue me moldando como pai. Ele é extremamente eficaz nessa tarefa.
Nesse último dia dos pais fomos na pracinha, apenas ele e eu.
Quisera eu ter tido um momento desses com meu pai na infância!
Não sou hipócrita em afirmar a todo momento que criar e educar um filho é uma facilidade igual aos contos de fadas e livros de receitas educacionais! Quem tem um ou mais sabe que não é assim. Temos nossos momentos de atritos e, confesso, algumas vezes chego a me exceder na falta da paciência.
Logo depois vem a auto-crítica e a reflexão que me leva a olhar para dentro e pensar um zilhão de vezes que ele está crescendo, passando pelo que os especialistas - ao menos dizem que são especialistas - chamam de Terrible Twos e que provavelmente eu fui igual...ou pior!
O dia dos pais, para mim é todos os dias. Sim, é um chavão, eu sei, mas o dia de ser pai não é num domingo de sol, de programas felizes e de gravatinhas pintadas com lápis de cor que não conseguem ficar dentro das linhas.
O dia de ser pai normalmente é à noite, às vezes de madrugada, na corrida ao pronto atendimento quando o filho arde em febre, no choro contido no dia das vacinas, na vontade de dizer Sim ao invés do tão famoso e necessário Não, na vontade de atirar tudo pra cima e dizer para os entendidos de plantão que eu educo meu filho como eu quiser e não como uma meia dúzia de revistas especializadas no assunto querem que eu molde ele!
O dia de ser pai é todo dia, pois todo dia nossos pequenos carecem da nossa presença.
Se realmente estou certo quanto à isso, então posso afirmar: Tenho sido um bom pai!
Um forte - emocionado - abraço.
Roges
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
A dificuldade do desapego
Sim, é muito difícil!
Desapegar é um verbo bastante em voga na atualidade, dadas às circunstâncias mais diversas.
Desapegamos de roupas e calçados em prol de pessoas que não tem nem um nem outro.
Desapegamos de certos hábitos que não nos acrescentam absolutamente um centimo de felicidade.
Desapegamos de dar amor aos filhos porque o pensamento corrente é que devemos proporcionar a eles um ambiente que possam crescer e considerar a crueza do mundo cão em que ousamos incluí-los.
Opa, não...pera!
Desapegar de um filho é uma vilania, na minha humilde e honesta opinião.
Podemos pensar como Darwinistas e tentar ainda considerar que o homem, apesar das inúmeras e significativas evoluções das sociedades mundo afora, continua sua saga de caçador/coletor saindo de casa para trabalhar e prover o lar com recursos que propiciem conforto e bem estar às suas famílias.
Sim, podemos.
O que não podemos mais aceitar é que por causa disso seu papel na educação e na doação de amor aos filhos pode ser subestimada. Ah, isso não!
O mais irônico dessa ode ao desapego é que o sucesso costuma brindar com louros de vitórias exatamente àqueles que em sua infância apresentaram maior apego, tanto com os pais como com seus semelhantes.
É fato!
É estatístico!
Estamos com uma nova missão aqui em casa. Com a chegada da Helena, é importante proporcionarmos ao Vicente novas formas de interação com crianças ao mesmo tempo que ele vá se adequando à rotina escolar. Dentro de alguns anos ele terá obrigatoriamente que ir à escola e seria muito bom que quando esse tempo chegar, já esteja familiarizado com essa rotina de ver os profes, coleguinhas, temas de casa, aulas disso, daquilo e aquele outro.
Faz pouco mais de 1 semana que vou diariamente à escola nova. Estamos em processo de adaptação.
Não sei se vocês lembram, mas ele teve uma experiência traumática em outra escola.
Pois bem, os primeiros dias na nova escola foram de muito choro logo na chegada. O tempo passou e de certo modo ele está bem mais tranquilo. Não chora mais, não faz mais beiço. Se solta pelo pátio para brincar e até se enturmou - de leve - com uma turma de colegas maiores e mais velhos.
Houve até um dia essa semana que passávamos em frente à escola e ele fez um escândalo...porque queria entrar!!!
Foram necessários muita paciência e ótimos argumentos da Mara para explicar que o horário de ir para a escola não era exatamente aquele...vai entender!
A questão do desapego que me refiro é o fato de que nos últimos 2 dias ele não tem demonstrado mais aquela "determinação" em se soltar pela escola. O apego com o pai, que fica na sala de espera tem sido maior que a vontade de brincar e conhecer os colegas.
Não que ele não sinta vontade de correr e desbravar os espaços da escola. Isso, o danado tem de sobra. O X da questão é que ele aparentemente não está muito à vontade com a possibilidade de ficar sozinho novamente em um local repleto de pessoas que ainda não conhece bem.
Perfeitamente compreensível!
Acredito que o grande problema sou eu. Tento da melhor maneira possível estimulá-lo a se juntar com os coleguinhas, ir junto com a profe pra lá e pra cá, mas como tenho o hábito de idealizar as coisas acabo me apegando na possibilidade de "dar tudo certo dessa vez".
Quanta ingenuidade!
Parte de mim quer que ele consiga se adaptar e não se sinta inseguro, sozinho naquele ambiente novo.
Outra parte sente um aperto no coração quando ele vai pra porta e diz "Omo" (Vamos) e começa a chorar porque quer ir pra casa brincar com o "Bum Bum" (Carrinho) e o "Gol" (Bola).
Tento ser insensível às suas tentativas, muito bem sucedidas por sinal, de me manipular em inúmeras oportunidades mas também sei que crianças que se frustram serão adultos felizes.
Como dosar isso?
Como me desapegar do sentimento de querer acolhê-lo a todo momento que se sentir inseguro e deixá-lo sentir e se inserir em seu próprio mundo?
Enquanto isso, segunda feira voltaremos à escola para mais uma tentativa de adaptação.
Abraços a todos.
Roges
Desapegar é um verbo bastante em voga na atualidade, dadas às circunstâncias mais diversas.
Desapegamos de roupas e calçados em prol de pessoas que não tem nem um nem outro.
Desapegamos de certos hábitos que não nos acrescentam absolutamente um centimo de felicidade.
Desapegamos de dar amor aos filhos porque o pensamento corrente é que devemos proporcionar a eles um ambiente que possam crescer e considerar a crueza do mundo cão em que ousamos incluí-los.
Opa, não...pera!
Desapegar de um filho é uma vilania, na minha humilde e honesta opinião.
Podemos pensar como Darwinistas e tentar ainda considerar que o homem, apesar das inúmeras e significativas evoluções das sociedades mundo afora, continua sua saga de caçador/coletor saindo de casa para trabalhar e prover o lar com recursos que propiciem conforto e bem estar às suas famílias.
Sim, podemos.
O que não podemos mais aceitar é que por causa disso seu papel na educação e na doação de amor aos filhos pode ser subestimada. Ah, isso não!
O mais irônico dessa ode ao desapego é que o sucesso costuma brindar com louros de vitórias exatamente àqueles que em sua infância apresentaram maior apego, tanto com os pais como com seus semelhantes.
É fato!
É estatístico!
Estamos com uma nova missão aqui em casa. Com a chegada da Helena, é importante proporcionarmos ao Vicente novas formas de interação com crianças ao mesmo tempo que ele vá se adequando à rotina escolar. Dentro de alguns anos ele terá obrigatoriamente que ir à escola e seria muito bom que quando esse tempo chegar, já esteja familiarizado com essa rotina de ver os profes, coleguinhas, temas de casa, aulas disso, daquilo e aquele outro.
Faz pouco mais de 1 semana que vou diariamente à escola nova. Estamos em processo de adaptação.
Não sei se vocês lembram, mas ele teve uma experiência traumática em outra escola.
Pois bem, os primeiros dias na nova escola foram de muito choro logo na chegada. O tempo passou e de certo modo ele está bem mais tranquilo. Não chora mais, não faz mais beiço. Se solta pelo pátio para brincar e até se enturmou - de leve - com uma turma de colegas maiores e mais velhos.
Houve até um dia essa semana que passávamos em frente à escola e ele fez um escândalo...porque queria entrar!!!
Foram necessários muita paciência e ótimos argumentos da Mara para explicar que o horário de ir para a escola não era exatamente aquele...vai entender!
A questão do desapego que me refiro é o fato de que nos últimos 2 dias ele não tem demonstrado mais aquela "determinação" em se soltar pela escola. O apego com o pai, que fica na sala de espera tem sido maior que a vontade de brincar e conhecer os colegas.
Não que ele não sinta vontade de correr e desbravar os espaços da escola. Isso, o danado tem de sobra. O X da questão é que ele aparentemente não está muito à vontade com a possibilidade de ficar sozinho novamente em um local repleto de pessoas que ainda não conhece bem.
Perfeitamente compreensível!
Acredito que o grande problema sou eu. Tento da melhor maneira possível estimulá-lo a se juntar com os coleguinhas, ir junto com a profe pra lá e pra cá, mas como tenho o hábito de idealizar as coisas acabo me apegando na possibilidade de "dar tudo certo dessa vez".
Quanta ingenuidade!
Parte de mim quer que ele consiga se adaptar e não se sinta inseguro, sozinho naquele ambiente novo.
Outra parte sente um aperto no coração quando ele vai pra porta e diz "Omo" (Vamos) e começa a chorar porque quer ir pra casa brincar com o "Bum Bum" (Carrinho) e o "Gol" (Bola).
Tento ser insensível às suas tentativas, muito bem sucedidas por sinal, de me manipular em inúmeras oportunidades mas também sei que crianças que se frustram serão adultos felizes.
Como dosar isso?
Como me desapegar do sentimento de querer acolhê-lo a todo momento que se sentir inseguro e deixá-lo sentir e se inserir em seu próprio mundo?
Enquanto isso, segunda feira voltaremos à escola para mais uma tentativa de adaptação.
Abraços a todos.
Roges
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
Vicente, o ser humano!
Gosto de escrever sobre meus filhos.
Gosto de escrever também sobre minha relação com eles - embora um ainda esteja esperando a chegada da Helena.
Fico me deleitando com as peripécias do Vicente e como me surpreendo com algumas iniciativas dele. Tempos atrás ele queria pegar um objeto, não lembro qual, em cima da lareira e para minha surpresa, supostamente pareceu esquecer daquilo.
Normalmente o Vicente é bastante empenhado em conseguir o que deseja.
Eu que o diga com relação ao colo! Ele dá uns tapinha no sofá, insinuando para eu me sentar pois quer colo.
Mas nesse dia ele saiu em busca de um outro objeto e parecia não encontrá-lo em lugar algum. De repente retornou com uma espécie de banco, o qual utilizou para lograr êxito em sua obstinada tarefa.
E me deu uma lição de moral ainda por cima!
"Às vezes é vantagem dar um tempo antes de prosseguir em busca do sucesso".
Esse Vicente é mais sabido que o Augusto Cury e Roberto Shiniashiki juntos!
Muitas das artes que ele apronta fico sabendo a posteriori pelos relatos da Mara ou da babá dele.
Hoje foi, talvez, o dia da arte mais safada de todas. Aquela que fez daquele ingênuo menino de 2 anos um ser humano ardiloso, capaz de tudo para conseguir seus objetivos. Sejam eles quais forem.
Hoje ele mentiu pela primeira vez!
E pior...ao final da história teve a audácia de dar uma gargalhada ao melhor estilo "Enganei você!"
Pela manhã eu fui ao mercado e enquanto estava fora ele foi chamar a babá e dizia "Gege", ao mesmo tempo que apontava para a porta (para quem não se lembra ele me chama de Gege).
A babá perguntou se alguém tinha batido na porta e descaradamente ele confirmou com um "É" bem convincente.
Ao abrir a porta -naturalmente não havia ninguém - ele se largou a dar gargalhadas para a babá.
Se isso acontecesse em outras épocas, bem provável que eu ficasse com uma pulga atrás da orelha com essa mentirinha.
Por outro lado, a articulação dessas circunstâncias me faz ver que o Vicente é pra lá de danado ao mesmo tempo que consegue conjecturar situações que deixariam até mesmo Piaget de boca aberta, quando considera a chegada de alguém sem ao menos ter ouvido algum som.
É ou não é uma demonstração considerável da complexidade humana?
Abraços a todos!
Roges
Gosto de escrever também sobre minha relação com eles - embora um ainda esteja esperando a chegada da Helena.
Fico me deleitando com as peripécias do Vicente e como me surpreendo com algumas iniciativas dele. Tempos atrás ele queria pegar um objeto, não lembro qual, em cima da lareira e para minha surpresa, supostamente pareceu esquecer daquilo.
Normalmente o Vicente é bastante empenhado em conseguir o que deseja.
Eu que o diga com relação ao colo! Ele dá uns tapinha no sofá, insinuando para eu me sentar pois quer colo.
Mas nesse dia ele saiu em busca de um outro objeto e parecia não encontrá-lo em lugar algum. De repente retornou com uma espécie de banco, o qual utilizou para lograr êxito em sua obstinada tarefa.
E me deu uma lição de moral ainda por cima!
"Às vezes é vantagem dar um tempo antes de prosseguir em busca do sucesso".
Esse Vicente é mais sabido que o Augusto Cury e Roberto Shiniashiki juntos!
Muitas das artes que ele apronta fico sabendo a posteriori pelos relatos da Mara ou da babá dele.
Hoje foi, talvez, o dia da arte mais safada de todas. Aquela que fez daquele ingênuo menino de 2 anos um ser humano ardiloso, capaz de tudo para conseguir seus objetivos. Sejam eles quais forem.
Hoje ele mentiu pela primeira vez!
E pior...ao final da história teve a audácia de dar uma gargalhada ao melhor estilo "Enganei você!"
Pela manhã eu fui ao mercado e enquanto estava fora ele foi chamar a babá e dizia "Gege", ao mesmo tempo que apontava para a porta (para quem não se lembra ele me chama de Gege).
A babá perguntou se alguém tinha batido na porta e descaradamente ele confirmou com um "É" bem convincente.
Ao abrir a porta -naturalmente não havia ninguém - ele se largou a dar gargalhadas para a babá.
Se isso acontecesse em outras épocas, bem provável que eu ficasse com uma pulga atrás da orelha com essa mentirinha.
Por outro lado, a articulação dessas circunstâncias me faz ver que o Vicente é pra lá de danado ao mesmo tempo que consegue conjecturar situações que deixariam até mesmo Piaget de boca aberta, quando considera a chegada de alguém sem ao menos ter ouvido algum som.
É ou não é uma demonstração considerável da complexidade humana?
Abraços a todos!
Roges
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Filhos crescendo
O final de semana aqui em casa foi de bons momentos. Na verdade, não foi aqui em casa, e sim, na casa de nossos pais - avós do Vicente...e da nossa mais nova paixão, Helena.
Como viajo muito a trabalho durante o semestre letivo da universidade, decidimos ir a Tapejara ver nossos pais e concomitantemente, aproximar o Vicente dos tios e primos!
É muito engraçado ir a Tapejara porque o Vicente literalmente se transforma!
Corre sem parar, pula, grita, agita e agora que aprendeu a abrir o portão da casa dos meus sogros, nos dá tchau (Thau) e sai caminhando tranquilamente em direção ao pasto para brincar e correr atrás das ovelhas e cachorros do meu sogro. Chega o final do dia está acabado. Mas não se entrega e se alguém convida para mais uma bagunça: negócio fechado!
No final das contas não se sabe quem corre mais, se ele atrás dos primos e da bicharada, ou nós, tentando garantir que ele consiga aproveitar todo o gás sem se machucar.
Na casa da outra vó também não tem moleza não! Chegando lá, vira os brinquedos no chão, espalha tudo o que vê pela frente e sai pela casa mexendo em tudo, absolutamente tudo o que está ao alcance da mão. E lá vou eu, inutilmente, ajeitar as coisas no seu devido lugar...quanta ingenuidade!
Fico muito feliz vendo ele agitar dessa maneira.
Das lembranças da minha infância, ás vezes chego a ter pena da minha avó que esperava eu chegar ao final da tarde, após horas a fio andando de bicicleta, jogando bolita e bafo na rua sem nenhuma notícia. Simplesmente levantava da mesa após o almoço e avisava "Vou andar de bicicleta"... e sumia!
Às vezes rolava umas briguinhas de moleque quando perdia as bolitas ou as figurinhas.
Às vezes chegava em casa com algumas "recordações" da rua.
Às vezes levava umas chineladas do meu avô.
Hoje começo a ver que o Vicente é definitivamente muito mais parecido comigo do que poderia imaginar. Quando é contestado, joga o que tiver nas mãos no chão e sai resmungando alto para que todos vejam o quanto está frustrado e bravo!
No fundo isso é altamente educativo. Saber reagir às frustrações e ver que nem tudo acontece ao seu bel prazer, faz do Vicente um sujeito que dia após dia constrói sua resiliência e começa a ver que seu lugar entre nós vai além das brincadeiras e risadas. Como pai, tenho uma vontade imensa de fazer com que tudo dê certo para ele, mas agindo dessa forma eu estaria sabotando seu crescimento e a evolução da sua personalidade.
Mas o final de semana não foi apenas o Vicente e suas peripécias. Com aproximadamente 18 semanas, Helena deu o primeiro sinal perceptível de sua existência no ventre da Mara. Estávamos sentados na área da casa dos meus sogros quando de repente ela comentou:
-Acho que a pequena começou a se mexer!
Hoje à tarde estava tentando me recordar quando foi a primeira vez que o Vicente se mexeu e encontrei no diário que escrevemos da gestação dele a seguinte informação escrita pela Mara.
Garibaldi, 08 de março de 2013.
Vicente, hoje pela primeira vez senti você mexer dentro da minha barriga. Estava sentada em frente ao computador quando senti você, meu amor!
A emoção que senti foi indescritível e será a primeira coisa que contarei ao teu pai quando ele chegar em casa.
Te amo muito me guri! Beijos da mamãe!
Se coubesse a mim, escrever uma nota sobre os primeiros movimentos da Helena, acredito que seria mais ou menos dessa forma:
Tapejara, 01 de agosto de 2015.
Helena, minha filha!
Como você cresceu! Estás tão grande que a mamãe pôde sentir teu corpinho se mexer dentro dela e isso foi emocionante demais, especialmente para mim.
Estamos ansiosos para que mexas cada vez mais, minha pequena, e eu especialmente não vejo a hora de te pegar no colo e te encher de beijos.
Te amo!
Beijos do papai.
Vida de pai tem desses momentos únicos.
Como não se emocionar vendo nossas crias, nossos filhotes crescendo, tendo vontades próprias e reagindo das formas mais diversas às solicitações que a vida lhes impõe?
Forte abraço.
Roges
Como viajo muito a trabalho durante o semestre letivo da universidade, decidimos ir a Tapejara ver nossos pais e concomitantemente, aproximar o Vicente dos tios e primos!
É muito engraçado ir a Tapejara porque o Vicente literalmente se transforma!
Corre sem parar, pula, grita, agita e agora que aprendeu a abrir o portão da casa dos meus sogros, nos dá tchau (Thau) e sai caminhando tranquilamente em direção ao pasto para brincar e correr atrás das ovelhas e cachorros do meu sogro. Chega o final do dia está acabado. Mas não se entrega e se alguém convida para mais uma bagunça: negócio fechado!
No final das contas não se sabe quem corre mais, se ele atrás dos primos e da bicharada, ou nós, tentando garantir que ele consiga aproveitar todo o gás sem se machucar.
Na casa da outra vó também não tem moleza não! Chegando lá, vira os brinquedos no chão, espalha tudo o que vê pela frente e sai pela casa mexendo em tudo, absolutamente tudo o que está ao alcance da mão. E lá vou eu, inutilmente, ajeitar as coisas no seu devido lugar...quanta ingenuidade!
Fico muito feliz vendo ele agitar dessa maneira.
Das lembranças da minha infância, ás vezes chego a ter pena da minha avó que esperava eu chegar ao final da tarde, após horas a fio andando de bicicleta, jogando bolita e bafo na rua sem nenhuma notícia. Simplesmente levantava da mesa após o almoço e avisava "Vou andar de bicicleta"... e sumia!
Às vezes rolava umas briguinhas de moleque quando perdia as bolitas ou as figurinhas.
Às vezes chegava em casa com algumas "recordações" da rua.
Às vezes levava umas chineladas do meu avô.
Hoje começo a ver que o Vicente é definitivamente muito mais parecido comigo do que poderia imaginar. Quando é contestado, joga o que tiver nas mãos no chão e sai resmungando alto para que todos vejam o quanto está frustrado e bravo!
No fundo isso é altamente educativo. Saber reagir às frustrações e ver que nem tudo acontece ao seu bel prazer, faz do Vicente um sujeito que dia após dia constrói sua resiliência e começa a ver que seu lugar entre nós vai além das brincadeiras e risadas. Como pai, tenho uma vontade imensa de fazer com que tudo dê certo para ele, mas agindo dessa forma eu estaria sabotando seu crescimento e a evolução da sua personalidade.
Mas o final de semana não foi apenas o Vicente e suas peripécias. Com aproximadamente 18 semanas, Helena deu o primeiro sinal perceptível de sua existência no ventre da Mara. Estávamos sentados na área da casa dos meus sogros quando de repente ela comentou:
-Acho que a pequena começou a se mexer!
Hoje à tarde estava tentando me recordar quando foi a primeira vez que o Vicente se mexeu e encontrei no diário que escrevemos da gestação dele a seguinte informação escrita pela Mara.
Garibaldi, 08 de março de 2013.
Vicente, hoje pela primeira vez senti você mexer dentro da minha barriga. Estava sentada em frente ao computador quando senti você, meu amor!
A emoção que senti foi indescritível e será a primeira coisa que contarei ao teu pai quando ele chegar em casa.
Te amo muito me guri! Beijos da mamãe!
Se coubesse a mim, escrever uma nota sobre os primeiros movimentos da Helena, acredito que seria mais ou menos dessa forma:
Tapejara, 01 de agosto de 2015.
Helena, minha filha!
Como você cresceu! Estás tão grande que a mamãe pôde sentir teu corpinho se mexer dentro dela e isso foi emocionante demais, especialmente para mim.
Estamos ansiosos para que mexas cada vez mais, minha pequena, e eu especialmente não vejo a hora de te pegar no colo e te encher de beijos.
Te amo!
Beijos do papai.
Vida de pai tem desses momentos únicos.
Como não se emocionar vendo nossas crias, nossos filhotes crescendo, tendo vontades próprias e reagindo das formas mais diversas às solicitações que a vida lhes impõe?
Forte abraço.
Roges
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